DECODIFICANDO A IDEOLOGIA SOCIALISTA CÓDIGO 5

Cód.: 5 – NOVILÍNGUA

“Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força”

George Orwell – 1984

Depois de receber por décadas um tratamento erudito da academia, as palavras de ordem do irracionalismo e do relativismo, disfarçadas de uma generosa “pluralidade”, entraram para o discurso popular e viraram moda: “tudo é relativo, cada um tem sua verdade, não existe certo e errado”. Quem crê na verdade objetiva é alvo de acusações que paralisam – orgulho, radicalismo, estreiteza intelectual – enquanto seus críticos são “abertos” e “tolerantes”. Tais palavras de ordem não demonstram pluralismo, mas, pelo contrário, têm o efeito de uma estratégia que a nula a possibilidade de debate: afinal, se não se pode chegar a uma verdade acima das opiniões subjetivas, para que o debate?

O verdadeiro pluralista – ou seja, aquele que reconhece como legítimos candidatos para o debate os diversos discursos que se constroem em torno de certos temas – manifesta opinião firme, e todos sabem o que ele pensa, o que apóia, o que rejeita. Ele não foge à discussão, mas utiliza a arma correta: a argumentação racional. Como crê na verdade, se for humilde o suficiente, estará pronto a mudar de idéia se achar que outro tem razão. Já o falso pluralista só é plural da boca pra fora, fazendo de conta que não adere a pensamento nenhum, evitando juízos de valor, anulando o tempo as fronteiras entre o certo e o errado – tudo para aparentar “equilíbrio”. Em vez de argumentar, ele usará de armadilhas cognitivas ou discretos ataques pessoais para neutralizar o que o outro diz e forçar a impressão de que “tanto faz, tudo é igual, isso e aquilo dão no mesmo”. Ele agirá como um deus, colocando-se acima da discussão com o desdém superior de quem fala não para chegar à verdade, mas para persuadir a todos da verdade única que consiste no seguinte: não há verdade.

Assim, independente da motivação de seus defensores, a frase revela a desonestidade intelectual de quem a enuncia. Ela foi concebida para se alçar cinicamente a uma condição superior a todas as enunciações possíveis, pois se presentifica necessariamente como uma “verdade” ao mesmo tempo que impede sua refutação. É, portanto, pura crueldade discursiva, terrorismo lingüístico passando-se por culminação de processo argumentativo, com o fim de interromper a atividade mental do receptor. É, acima de tudo, o lema da indulgência intelectual de nossa época – e, como lema, não precisa nem prestar tributo à coerência, assim como nos anos 60, o famoso “é proibido proibir”. Mas o que fazer quando a própria Academia, que se quer instância “produtora” de conhecimento por excelência, não se cobra maior razoabilidade?

Imagino o seguinte diálogo:

– … porque não há teoria mais verdadeira que a outra, porque tudo são construções humanas, porque a verdade não existe – declara um estudante, repetindo o que o professor falou.
– Mas criatura, rebate o outro, tu não percebes que, se eu acreditar em ti, o que tu me diz agora também entra para o rol das “construções humanas” e das “verdades que não existem”? E isso desmente tudo o que tu falou. Ou por que justamente as suas afirmações iam fugir da comprovação da tua teoria?

Ou seja: essas afirmações não são sequer afirmáveis, apenas um curto-circuito mental. Não podem ser levadas a sério. Sua reprodução incessante parece indicar apenas a pretensão de calar todas as demais enunciações que se compreendem honestamente como aspirações à verdade, não somente de modo peremptório e definitivo, mas também por meio de uma implícita manipulação emocional – uma espécie de socialismo do discurso, cujo mote seria “todas as idéias são igualmente válidas, e nenhuma pode destacar-se como verdadeira”. À medida que esse discurso penetra na consciência, as pessoas se acostumam ao louvor da neutralidade e reagem ao que ouvem com um passivo deixar-se levar, amoldando-se acriticamente a qualquer idéia. É algo robótico: quando se aprende que nada pode ser rejeitado (pois “tudo é valido”) perde-se a capacidade de análise, e a mentira confunde-se facilmente com a verdade.

Essa capacidade de distinguir entre o certo e o errado é mais do que o exercício de lógica, argumentação e boa vontade; consiste em compreender de onde vem e o que pretende tal modo de pensar, para tanto se faz necessário estudar os pragmatistas, pois estes muito contribuíram para o desenvolvimento das implicações filosóficas do darwinismo. Pois é a idéia da seleção natural pela adaptação do mais apto e da competitividade que deu o respaldo ‘científico’ para a aplicação do marxismo como ciência social passível de aplicação, respaldo esse que fez surgir duas monstruosidades totalitárias dos tempos modernos: o nazismo, com ênfase na biologia de seleção por raça; e no comunismo, com ênfase na seleção por meio do mais apto e adaptável socialmente. Duas formas de levar a cabo uma mesma raiz sócio-filosófica. E, para aferir o impacto das idéias do darwinismo a partir do pragmatismo é preciso situá-los num contexto histórico mais amplo. Charles Sanders Peirce costumava atribuir suas idéias sobre o acaso ao filósofo Epicuro, comentário que nos manda de volta aos pensadores gregos antigos. Visto pela lente histórica, o pragmatismo foi uma fase na longa guerra entre o materialismo e o cristianismo.

Praticamente toda posição filosófica concebível pode ser encontrada, em alguma forma, no amanhecer da cultura ocidental entre os filósofos gregos, razão pela qual tanto Platão como Aristóteles tiveram um impacto enorme no pensamento cristão. Mas também havia outro fluxo de pensamento, representado por Epicuro e Demócrito (e mais tarde pelo poeta romano Lucrécio). Eles eram os materialistas dos tempos antigos que ensinavam que o universo se compunha de átomos em movimento, que se combinavam e se recombinavam para formar seres vivos por mero acaso. Como declarou Lucrécio, os seres vivos foram ocasionados pela “congregação despropositada de átomos.”

Este linguajar soa estranhamente moderno, muito semelhante ao materialismo de nossos dias. E com exceção da falta do mecanismo darwinista da seleção natural, o materialismo antigo tinha todos os mesmos elementos básicos, sobretudo a idéia central de que a matéria é capaz de produzir tudo o que vemos pelas colisões casuais de átomos, sem plano ou propósito.

Na realidade, já nos tempos antigos, Epicuro traçara de forma minuciosa uma cosmovisão completa com base no materialismo. Em primeiro lugar, se a matéria é tudo o que existe, então devemos ser empíricos: o conhecimento é limitado ao que sabemos pelos sentidos (átomos que impingem nossos órgãos sensoriais). Em segundo lugar, a moralidade também deve estar baseada nos sentidos: o bem e o mal são definidos pelas sensações de prazer e dor. O princípio exclusivo da moralidade é que devemos maximizar o prazer e minimizar a dor – em uma palavra, hedonismo. Os estudantes que entravam nos jardins de Epicuro, onde ele dava suas aulas, eram saudados por uma inscrição no portão que dizia: “Estranho, aqui você fará bem em ficar, aqui nosso bem maior é o prazer”. Epicuro não equiparou o termo hedonismo com indulgência desenfreada, como fazemos hoje. Ele instava a moderação e até o ascetismo, com base em que a maioria dos prazeres traz por conseqüência a dor (como beber demais). A principal característica de sua moralidade era que não estava baseada em padrão transcendente do bem; mas em nossa preferência natural por certas sensações.

Estas idéias eram tão controversas no mundo antigo quanto são hoje. Depois do período helenístico, a filosofia pendeu mais uma vez ao pensamento clássico , cujos seguidores se opunham vigorosamente ao materialismo sensual. Eles argumentavam que se o mundo fosse mesmo composto por configurações casuais de átomos,e não o conhecimento seria impossível. O fluxo constante de impressões que entram em nossa mente pelos sentidos não seria ordenado em padrão racional, mas seria uma dispersão sem sentido de visões, sons, gostos e texturas. Segundo afirmavam, a razão de podermos saber algo é precisamente que a realidade não é um fluxo casual de átomos, mas é ordenada em padrão inteligível – o qual eles chamavam formas ou idéias. É esta ordem racional que nossa mente teme. Os seres vivos não são resultado de uma colação casual de átomos; compõem-se de matéria organizada por formas inteligíveis.

Os filósofos clássicos também argumentavam que esta ordem racional é teleológica, ou seja, dirigida por uma meta ou propósito. Quando uma semente se torna árvore, ou um ovo de vira galinha, seu desenvolvimento é um processo dirigido que se desdobra de acordo com um plano ou propósito incorporado na própria semente ou ovo. A meta ou forma final é a árvore ou a galinha em sua forma adulta.

De acordo com o pensamento clássico, o próprio argumento teleológico faz a vez da moralidade. Esta não é baseada nos sentimentos (dor e prazer), mas nas formas transcendentes como bondade e justiça. Estas são teleológicas no sentido que expressam o propósito ou ideal para o qual os seres humanos devem estar se desenvolvendo – de vemos nos esforçar para sermos cada vez melhor e mais justos.

O mundo intelectual dos tempos antigos era um campo de batalha entre estas filosofias rivais, até que o pensamento cristão surgiu em cena. Quando os primeiros cristãos inspecionaram o debate eles se alinharam firmemente com Platão e Aristóteles, enquanto atacavam de modo vigoroso o materialismo epicurista. Epicuro se tornou um bode expiatório favorito entre os primeiros apologistas cristãos. Contra o seu materialismo, eles afirmaram a realidade do reino espiritual com a aptidão da mente saber os ideais abstratos fora do mundo empírico – a verdade, bondade, beleza, etc. O conceito de formas inteligíveis foi reinterpretado por “idéias na mente de Deus” – os planos ou desígnios que Ele usou para criar o mundo. O resultado foi um tipo de classicismo cristianizado que se tornou posição filosófica dominante na Europa desde os fins da antiguidade até depois da Idade Média, ao passo que o epicurismo foi quase esquecido.

Então, mais de um milênio depois, no amanhecer da revolução científica, ocorreu uma mudança. Buscando encontrar uma nova filosofia da natureza, alguns dos primeiros cientistas modernos reconsideraram de forma cautelosa o atomismo epicurista. Muitos eram cristãos que romperam com o julgamento negativo pronunciado pelos primeiros apologistas. De modo otimista, estes pensadores esperavam que o atomismo pudesse ser extraído do seu contexto filosófico materialista e batizado numa cosmovisão cristã. O primeiro a ressuscitar o atomismo foi o padre Gassendi, seguido pelo químico devoto Robert Boyle e pelo incomparável Isaac Newton.
Ao fazerem isso na ciência, eles escancararam a porta para o materialismo na filosofia. Sem demora ele contaminou tudo. Por fim, com a teoria evolutiva de Charles Darwin, o materialismo dominou o pensamento ocidental. Darwin jogou fora o conceito de formas inteligíveis, argumentando que não há espécies verdadeiras na natureza, mas só um fluxo constantemente inconstante de indivíduos. A razão de parecer haver espécies é que a mudança evolutiva é muito lenta, da mesma forma que parece que a terra é plana, porque sua curvatura é muito gradual. É irônico que o livro de Darwin se chamasse A Origem das Espécies, porque seu propósito era negar a existência real destas. Ele considerava as categorias taxonômicas como meros constructos mentais úteis que nós impomos no fluxo da natureza. O mundo orgânico é constituído, no final das contas, de indivíduos em interações casuais constantemente inconstantes. Não é exagero dizer que o darwinismo representa o triunfo do atomismo epicurista nos tempos modernos.

E se não há espécies ou formas na natureza, então também não há espécies ou formas na moralidade ou metafísica – não há ideal eterno de bondade, verdade ou beleza. Foram os pragmatistas que deram este próximo passo: o que Darwin fez para as espécies, eles fizeram para as idéias. Jogando fora o conceito de formas ou idéias, eles concluíram que tudo que sabemos são fluxo constantemente inconstante de experiência. Em seu famoso ensaio A Influência de Darwin na Filosofia, John Dewey disse que temos de abandonar a abordagem grega clássica de explicar as coisas por referência às formas inteligíveis, e substituir tal abordagem por conhecimento que é “genético e experimental”. Agora, a explicação é que tudo se originou por processos históricos (genéticos) que são previsíveis (determinismo) e conhecíveis pela investigação empírica (experimental).

Por exemplo, em vez de fundamentar a moralidade na natureza humana em sua forma original e ideal ( o modo como Deus nos criou no princípio), o pragmatismo explica que a moralidade é algo que surge com o passar do tempo por um processo naturalista: à medida que os seres humanos experimentam os vários comportamentos, aqueles que produzem resultados satisfatórios são gravados na memória. Afinal de contas, de acordo com a evolução, não há natureza humana original e ideal, normativa para todos os períodos e lugares. As práticas morais entram na existência ao longo do curso da história como respostas às pressões do ambiente, e só são mantidas se passam no teste da conveniência e resultados pragmáticos.

Justamente por isso, à medida que a evolução avança e as condições mudam, as práticas morais têm de mudar também. O ponto importante não é identificar os princípios normativos duradouros, mas aprender as estratégias para administrar a mudança. Pois se as espécies não são reais, então os limites que definem a natureza humana tornam-se plásticos e maleáveis – e quem pode designar para os seres humanos qualquer estado moral especial? Por que não assumir o controle do curso da evolução humana pela engenharia social? O homem, como é ele, é obsoleto, anunciou em 1968 Mary Calderone, ex-diretora executiva do Conselho da Educação e Informação da Sexualidade nos EUA. De acordo com ela, a principal questão que os pedagogos enfrentam é “que tipo [de home] queremos produzir em seu lugar e como projetar a linha de produção?” Calderone conclamou as escolas a começar a produzir “seres humanos de qualidade por meio de processos tão conscientemente criados quanto as melhores mentes da sociedade puderem projetar.”

Essas conclamações feitas à engenharia social são deprimentes. Pior, talvez, tenhamos logo a capacidade científica de executar engenharia genética, condição que dará poder muito maior nas mãos de , tecnocratas ávidos de se encarregarem da evolução. “A natureza humana desaparece como conceito no neodarwinismo”, explica o embriólogo Brian Goodwin, “e assim a vida se torna um conjunto de peças, mercadorias que podem ser trocadas aqui e ali”. Se não há natureza humana normativa, por que não fazer experiências? Por que não trocar os genes aqui e ali  manipular as formas de vida de qualquer forma que parece mais ’competitiva’? Já não é o aborto que nasce dessa mesma lógica filosófica?

Ao pesquisarmos o debate sobre o darwinismo até Epicuro, colocamos a teoria em um contexto muito maior. O darwinismo não era algo de todo novo, feito de uma peça inteira. De muitas formas, representava um ressurgimento do antigo epicurismo. Tendo sido terminantemente derrotado pelos primeiros apologistas cristãos, o materialismo epicurista permaneceu dormente por mais de um milênio, e só se levantou para lutar nos tempos modernos. Os pragmatistas aplicaram o darwinismo à vida da mente, e da mente à vida social e política através do marxismo e seu determinismo histórico.

O marxismo, portanto, ancora na profundidade de conceitos que parecem distante entre si, mas que fazem sentido quando reunidos sob a verdadeira luz da razão. Por isso que a pelo socialista é quase irresistível, pois ele é fruto da doutrinação a longo prazo na cultura ocidental desde muito antigamente, rastreável pelo menos de Epicuro até Marx, passando pó Darwin e Hegel. De acordo com essa ideologia a fonte de todo sofrimento humano é a opressão: dos brancos, dos homens, dos heterossexuais, dos cristãos, dos burgueses, ou  de algum outro grupo predominante. Qual é a solução, o caminho para a justiça e a paz? Despertar a nossa consciência e erguer-nos contra o opressor. Assim, a promessa de libertação é, no final, uma promessa de redenção.

Todas as ideologias de libertação no mercado de idéias hoje são variações do mesmo tema que penetrou no pensamento ocidental desde o século XIX: que a história está avançando em direção a uma consumação gloriosa. Por isso um dos lemas mais propagados pela Esquerda mundial em seus discursos é o famoso “para seguirmos avançando”, um termo genérico que pode trazer muitas interpretações, e pode fazer parecer ao ouvinte despreparado, que ele se refere às conquistas sociais que, por ventura, ele tenha trazido através de projetos políticos. Contudo, tal conceito é, na verdade, o “mito do progresso”, ou, nas palavras da filósofa Mary Midgley, “o mito da escada rolante”, o que é, em suma, a secularização do ensino cristão sobre a providência divina. Considerando que o Cristianismo ensina que a história caminha em direção à consumação do Reino de Deus, o Mito da Escada Rolante, em termos paralelos, nos assegura que estamos evoluindo em direção à utopia terrena, o produto da sinceridade e do esforço humanos.

Juntamente com a negação do pecado, a idéia do progresso inevitável estimulou – e estimula –  os grandes movimentos utópicos. Esta idéia vingou primeiro através do trabalho do filósofo alemão Hegel. Até aquele tempo, o mundo era retratado como uma estática escada da vida. Todas as coisas tinham seu próprio nicho em certo degrau dessa grande escada – a partir das pedras, depois das plantas, os animais, os homens, os anjos e o próprio Deus. Entretanto Hegel fez algo inteiramente novo, algo de tirar o fôlego. Ele inclinou a escada da vida para o lado, para que, ao invés de ser uma lista de tudo o que existe no mundo a qualquer tempo, fosse transformada em uma série dinâmica de passos: move-se um degrau para o próximo num progresso sem fim em direção à perfeição.

Em conseqüência da influencia de Hegel, tudo era visto como sujeito à evolução – não somente os seres vivos mas também os costumes, culturas e conceitos. O universo era considerado como estando em processos de mudança constante, sujeito à grande transformação de início primitivo para um futuro exaltado. Em todos os campos, da biologia à antropologia, do direito à sociologia, existia uma busca fervorosa por “leis do desenvolvimento” que revelariam o padrão da história e o alvo da evolução, fornecendo às pessoas um guia sobre como viver de acordo com o grande movimento em direção a um mundo melhor. Havia otimismo de que as melhores mentes humanas seriam capazes de descobrir leis do progresso e nos levar adiante para a utopia – uma visão substituta do céu. Os filósofos e pensadores começaram a concorrer uns com os outros para ver quem descobriria o caminho para o céu terreno, o meio definitivo para a redenção. O mito da Escada Rolante tomou várias formas.

O discípulo mais famoso de Hegel foi Karl Marx, e o marxismo é melhor compreendido como o exemplo primário do Mito da Escada Rolante – do esforço da mente moderna para secularizar o Reino de Deus, para criar um céu puramente humano aqui na terra. O marxismo pode estar desacreditado como forma econômica, mas continua a viver sob a roupagem moderna de vários movimentos de libertação. O elenco mudou, mas o enredo é o mesmo.

No drama marxista clássico da história, o proletariado foi oprimido; nas ideologias multiculturalistas mais recentes, os oprimidos são as mulheres, os negros, os homossexuais. No marxismo clássico, o proletariado erguer-se-á contra os opressores, os capitalistas; na forma moderna, pessoas de várias raças e gêneros são também chamadas para utilizar a raiva e batalhar contra os opressores – geralmente homens brancos cristãos e heterossexuais. Como conseqüência, os universitários estão sendo doutrinados a aplicar categorias do marxismo em sua área de atuação depois de formados: nas leis, na política, na educação, nos estudos sobre família e em muitos outros campos. Ou seja: o marxismo continua vivo na vida intelectual do ocidente. Renascido como multiculturalismo e movimento politicamente correto, permanece como uma das mais difundidas e influentes formas de dissimular a salvação.

Como já enfatizei noutra parte dessa série de textos, o marxismo é uma visão secularizada do Reino de Deus. É o Reino dos Homens. A raça irá finalmente incumbir-se de criar por si mesma aquela ‘nova terra onde habita a justiça’. O marxismo promete resolver o dilema humano e criar o Novo Homem (comunismo) ou o Super Homem (nazismo) vivendo numa sociedade (ou Reich) ideal.

Esses elementos religiosos explicam os poderes intrincados de resistência do marxismo. A maioria das teorias especificas de Marx falharam espetacularmente, e sua promessa de uma sociedade sem classe nunca aconteceu, apesar de muitas revoluções inspiradas pelo marxismo ao redor do globo.

Por que então o marxismo é ainda tão popular? Por que tantos movimentos de libertação hoje adotam as categorias e as análises do marxismo? Por que o multiculturalismo e o movimento que defende o politicamente correto causam sensação através do campus das universidade, tendo um grande efeito em estudantes? Precisamente porque o marxismo aponta para as necessidades religiosas essenciais, realçando de forma suave a fome de redenção da humanidade.

O próprio Marx sabia que estava oferecendo uma contrapartida ateísta para o cristianismo. “Marx foi batizado aos quinze anos e pareceu fervoroso por algum tempo”, diz o historiador Paul Johnson. Mas ao final rejeitou a Deus, denunciando a religião como “um sol ilusório ao redor do qual o homem circula, até que comece a girar ao redor de si próprio”.

O objetivo final de Marx era a autonomia. Ele escreveu: “Um ser só se considera independente quando for auto-suficiente; e ele só será auto-suficiente quando dever sua existência a si mesmo.” Porém, uma pessoa não pode ser independente se é criação de um Deus pessoal, pois então “ele vive pela graça do outro.” Assim, Marx estava determinado a tornar-se seu próprio mestre, um deus para si.

Essa é a raiz do marxismo, e também o ponto onde se pode fazer a maior crítica. Quão plausível é essa insistência de autonomia absoluta? Ironicamente, o próprio Marx admitiu que era altamente implausível. Crer num criador, reconheceu, é “muito difícil de desalojar da consciência popular”; ao mesmo tempo, para a maioria das pessoas a noção de autonomia absoluta é “imcompreensível”. Por quê? Porque contradiz tudo o que é tangível na vida prática. Noutras palavras, na vida real é óbvio que não somos completamente autônomos. Não criamos a nós mesmos, e não podemos existir completamente por nós mesmos. Somos seres finitos, contingentes, dependentes – pequenos pedaços num universo vastíssimo, um mero nada no fluxo da história.

A conclusão é que a cosmovisão de Marx é falha; ela não condiz com a realidade. E também o próprio Marx admitiu muito mais ao reconhecer que sua filosofia “contradiz tudo” na “vida prática”. Marx é um exemplo da descrição que Paulo faz do descrente: “Eles sabem a verdade, e ainda assim a suprimem”. Romanos 1.18-32

Quando jovem, Marx escreveu poesia, muitas delas incidindo sobre temas como raiva, destruição e selvageria. Uma delas diz assim:
Então eu vaguearei como um deus e vitorioso

Pelas ruínas do mundo

E, dando às minhas palavras uma força ativa

Sentir-me-ei igual ao criador

Aqui Marx revela a motivação final atrás de sua filosofia: de ser igual ao Criador, para dar às suas próprias palavras a força ativa das palavras criativas de Deus. Esse auto-endeusamento teve resultados desastrosos para mais de cem milhões de pessoas. “Aplique o marxismo em qualquer país e você sempre encontrará um Gulag no final”, diz o filósofo Bernard-Henri Levi, ele próprio um ex-marxista. Por estarem confiantes que o próximo estágio na história representará de modo automático o progresso, que qualquer mudança será para melhor, os revolucionários de pronto rasgaram a ordem existente – o que, de ponto de vista histórico, significou muitas vezes eliminar qualquer um que resistisse, de governantes a camponeses. Além disso, em razão de o marxismo assumir que a reconstrução de instituições econômicas e sociais é o suficiente para introduzir harmonia e paz, não coloca nenhum limite moral nos líderes da nova ordem, razão pela qual estes fazem o que lhes aprouver para, uma vez no poder, manter-se nele, seja pela força de uma ditadura declarada, seja pela manipulação de uma falsa democracia, ainda que com votos (estes fraudados). Pelo fato de negarem o mal na natureza humana, não reconhecem a necessidade de impor controle e equilíbrio nos poderes individuais, permitindo que acumulem poder absoluto, seja esse pela força política, seja pelo suborno e corrupção.

No Brasil você não verá nenhum marxista discutindo as objeções de Gilberto Freyre, Mario Ferreira dos Santos, J. O. de Meira Penna, Paulo Mercadante, Antônio Paim, Orlando Tambosi, Ricardo Velez Rodrigues, Gustavo Corção, João Camilo de Oliveira Torres, José Guilherme Melchior. Isso sem mencionar os estrangeiros!

O marxismo aprendido nas universidades e repetido para seus filhos por professore bem doutrinados, vive e prospera de ignorar a cultura universal das idéias e negá-las aos estudantes. Ao mesmo tempo, infunde neles a impressão sedutora e enganosa de que, por terem lido os autores aprovados pelo governo (leia-se partido), são muito cultos. Trata-se da forma mais extrema e radical de incultura organizada, da ignorância obrigatória, da burrice prepotente e intolerante.
Enquanto os anticomunistas de todos os matizes não cessam de analisar e refutar o marxismo, escrevendo milhares de livros, artigos, revistas e blogs a respeito, os marxistas fogem sistematicamente ao debate.

Quando nãos e contentam em baixar sobre os adversários a mais pesada cortina de silêncio, dedicam-se a difamá-los pelas costas, inventando a respeito histórias mais escabrosas, ou apelidos pejorativos, tratando-os como criminosos, colocando-os em ‘listas de inimigos’ e cumprindo à risca a regra de Lênin: não discutir com o contestador, mas destruí-lo politicamente, socialmente e, se possível, fisicamente.

Que maior prova se poderia exigir de que essas pessoas, que se atribuem o monopólio de todas as virtudes, são as mais perversas, malignas e desprezíveis que já infestaram a vida intelectual? Essa ascensão da escória marxista ao primeiro plano da vida nacional foi e é a causa principal – talvez única – da destruição da cultura superior e do sistema educacional brasileiro.

Um dos velhos truques do movimento revolucionário é limpar-se na sua própria sujeira, cuja existência negava há poucos minutos. Desde a queda da URSS, a maneira mais usual de aplicar esse truque consiste em jurar tudo aquilo que, durante anos, todos os comunistas do mundo chamaram de comunismo não foi comunismo de maneira alguma: foi capitalismo. Mediante essa simples troca de palavras a idéia comunista sai limpa e inocente de todo sangue que derramou para realizá-la, e gentilmente solicita da platéia um novo crédito de confiança, isto é, mais sangue, jurando que desta vez vai ser um pouquinho só, um tiquinho de nada. Afinal, Marx foi apenas mal interpretado, mas aqui no Brasil vai dar certo!

Mas o que dá essa sugestão não explica como bilhões de pessoas, inspiradas na teoria histórica mais científica de todos os tempos – insuperável, nas palavras de Jean-Paul Sartre – puderam se enganar tão profundamente quanto àquilo que elas mesmas estavam fazendo, nem como foi que ele próprio, subindo acima de Lênin, de Stálin, de Mao e de tantos luminares do marxismo, é, aqui no Brasil, o primeiro a ver a luz. Nem muito menos explica como é possível, de uma teoria que ensina unidade substancial de idéia e prática, obter uma separação tão radical dessas duas coisas, de maneira que uma delas saia inteiramente limpa e a outra inteiramente suja.

Ou seja, aqueles que argumentam que ‘deturparam Marx’ argumentam que não se pode culpar o comunismo por nada do que aconteceu na URSS, na China, no Camboja ou em Cuba, porque o comunismo é a posse e o domínio dos meios de produção pelos proletários, e não pelo Estado, como se viu nesses lugares.

Não é preciso observar que assim, com um estalar de dedos, a teoria que se apresentava como idêntica
à sua encarnação histórica se torna uma idéia pura platônica, um ente metafísico separado, imune a toda contaminação deste baixo mundo, mas bastaria ter lido as próprias palavras de Marx, no Manifesto:
“A última etapa da revolução proletária é a constituição do proletariado como classe dominante… O proletariado servir-se-á da sua dominação política para arrancar progressivamente todo o capital da burguesia, para centralizar todos os meios de produção nas mãos do Estado, isto é, do proletariado organizado…”
Adendo: No Brasil esse ‘proletariado organizado’ é o PT, e a parte de arrancar progressivamente todo capital da burguesia ele o está fazendo exemplarmente!

Nesse trecho do Manifesto não existe, no mais mínimo que seja, o antagonismo que os esquerdistas acreditam enxergar entre o Estado e o proletariado: o Estado é o proletariado organizado, o proletariado organizado é o Estado. E o proletariado organizado não é outra coisa senão o Partido. A profecia de autodissolução do Estado na apoteose dos tempos é somente uma figura de linguagem, um jogo de palavras, uma pegadinha infernal dentro da lógica da mentira, da subversão da linguagem e da manipulação das palavras dentro do conceito da novilíngua. Marx explica que, como tudo pertencerá ao Estado, este já não existe como entidade distinta, mas a própria sociedade será o Estado. É uma curiosa inversão da regra biológica de quando o coelho come alface não é o coelho que vira alface, mas a alface vira coelho. Se o Estado engole a sociedade, não é o Estado que desaparece: é a sociedade. Que a sociedade dominada, esmagada e anulada não sinta mais o peso da dominação não quer dizer que esta não exista, mas que o dominado está exausto e estupidificado demais para tomar consciência dela. É o totalitarismo perfeito em que, nas palavras de Antonio Gramsci, o poder do partido-Estado já não é percebido como tal, mas se torna “uma autoridade onipresente e invisível como a de um imperativo categórico, de um mandamento divino”.

Um exame atento dos textos de Karl Marx teria bastado, em plena metade do século XIX, para perceber neles o Gulag e centenas de milhões de mortos, todo o terror e misérias dos regimes comunistas como conseqüências incontornáveis da própria lógica interna da teoria, caso tentasse sair do papel para encarnar-se na história. Marx, Engels e Lênin, a tirania como “parteiros da história”. Que, decorridos 160 anos, ainda haja tantas pessoas que insistem em explicar como fruto de desagradáveis coincidências aquilo que a própria teoria exige como condição da sua realização é, decerto, uma das provas mais contundentes de uma debilidade intelectual que não deixa de refletir, talvez, alguma debilidade de caráter.

Vivenciar conscientemente o tempo histórico em que transcorre a nossa existência é um privilégio, um dever e um direito da inteligência individual que não alcança sua plenitude senão absorvendo e integrando as tensões e mutações do ambiente maior em torno.  Desde o inicio do século XX, esse direito foi negado a varias gerações de seres humanos, induzidos a viver um história fictícia no mundo paralelo das militâncias ideológicas e a atravessar a existência em pleno estado de ignorância quanto aos fatores reais que determinam o seu destino. A ilusão socialista não consiste somente num erro de previsão quanto aos objetivos finais. Se fosse assim seria apenas o final trágico de existências nobres. Mas a expectativa falsa quanto ao futuro já falsifica a vida presente: ela perpassa toda a biografia de cada militante, tingindo de farsa e autoengano cada um de seus atos e pensamentos, mesmo os mais íntimos, pessoais e aparentemente alheios à luta política.

É só estuda as vidas de Marx, Lenin, Stalin, Mao, Guevara, Fidel, Arafat, ou seus acólitos intelectuais: Sartre, Brecht, Althussers, etc., para entender; cada um desses homens que tiveram nas mãos os destinos de milhões de pessoas foi um deficiente emocional, cronicamente imaturo, incapaz de criar uma família, de arcar com uma responsabilidade econômica ou de manter relações pessoais normais com quem quer que fosse. Em compensação do aborto moral de suas vids, criaram a idealização pomposa do “revolucionário” (isto é, eles mesmos), como a encarnação de um tipo superior de humanidade.

Eles não são personagens de tragédia. A regra essencial da tragédia é  ausência de culpa. O herói trágico não pode estar abaixo das circunstâncias, não pode ser um perverso, um fraco, um idiota incapaz de arcar com a própria vida. Ele fracassa porque entra em choque com as exigências superiores de uma ordem cósmica invisível. Seu único delito é não ser sobre-humano numa situação que lhe impõe desafios sobre-humanos. Mas percebe a falácia instrínseca da promessa socialista não é um desafio sobre-humano. É um dever elementar de qualquer inteligência média que se disponha a examinar o assunto objetivamente. Aqueles que fogem a esse exame, transferindo a partidos, a movimentos ou à ‘opinião pública’ as responsabilidades da sua consciência individual, renunciam à dignidade da inteligência e se consagram a uma luta obstinada e fútil contra a estrutura da realidade. Vai nisso uma mistura de vaidade adolescente, de revolta gnóstica e daquele orgulho satânico que é a compensação quase automática da covardia existencial. Tudo isso é lamentável, mas não é trágico: é grotesco. Não há tragédia no fracassp do socialismo: há apenas uma palhaçada sangrenta.

O modelo dos líderes e ídolos intelectuais é repetido, em série ilimitada, nas vidas de militantes, simpatizantes e “companheiros”, acabando por espalhar-se entre o público geral. O rancor sem fim contra pais e mães, a destruição da unidade familiar, o ódio às exigências morais das tradições religiosas, a busca desesperada de sensações por meio do consumo de drogas e o esforço em legaliz´-las, a reivindicação pueril do ‘direito ao prazer’, a transformação do erotismo numa escalada de exigências egolátricas que começa no protesto feminista e culmina na apologia aberta da pedfilia e do incesto, a disseminação das técnicas pedagógicas que estimulam a delinqüência infanto-juvenil – tudo isso é projeção ampliada d estilo de vida dos “grandes revolucionários”, espraiada no tecido da sociedade a ponto de já não reconhecer-se como tal e transfigurada num sistema de obrigações ´éticas’, base de julgamentos, acusações, cobrança e chantagens.

O fundo de tudo é o ódio à realidade, a recusa de arcar com o peso da existência, o sonho gnóstico de transfigurar a ordem das coisas por meio da autoexaltação psicótica e de truques mágicos como a “reforma do vocabulário”.

Não espanta que a política produzida por essas pessoas seja uma contradição viva, uma imensa engenhoca entrópica que cresce por meio da autodestruição e se inebria de vanglória na contemplação das próprias derrotas. Nenhum exploração capitalista, por mais ‘selvagem’ que a rotulassem, conseguiu matar de fome multidões tão vastas quanto as que pereceram durante a estatização da agricultura na URSS, o “Grande Salto para Frente” de Mao ou os experimentos socialistas em vários países da Africa. A “luta contra a miséria” continua sendo o principal pretexto moral do socialismo à vitória nessa luta seria simplesmente cessar de existir. Do mesmo modo, o protesto inflamado contra qualquer violência antissocialista é persistente no discurso de esquerda, mas nenhum direitista jamais matou, prendeu ou torturou tantos militantes esquerdistas quanto Stalin, Mao, Pol-Pot ou Fidel. É uma simples questão e fazer as contas. Se os socialistas tivessem um pingo de respeito por seus próprios direitos humanos, voltariam para suas casas e deixariam que a boa e velha democracia burguesa os protegesse contra a tentação suicida de implantar o socialismo.

Do mesmo modo, quando os esquerdistas começam a falar em ‘paz’, a prudência recomendaria que começassem a estocar comida no porão para a próxima guerra em que seus líderes estão se metendo naquele mesmo momento. O movimento pacifista encabeçado pelos partidos comunistas da Europa nos anos 30 foi um truque de Stalin para dar tempo à Alemanha de se rearmar com a ajuda soviética e destruir “a ordem burguesa do velho mundo”. Milhões de franceses idiotas gritaram em passeatas e agitaram bandeirinhas brancas sem saber que isso era o passaporte para o matadouro. Os tratados que, atendendo ao clamor de uma geração inteira de jovens, puderam fim aos combates no Vietnã em 72 deram um salvo-conduto para que os comunistas invadissem o Vietnã do Sul e o vizinho Camboja e matassem aí três milhões de civis – quatro vezes o número total de vítimas civis e militares da guerra.

Enganam-se aqueles que enxergam na novilíngua de George Orwell apenas um truque publicitário concebido por líderes maquiavélicos para  induzir militantes estúpidos a acreditar nos discursos e textos do Partido, e a aceitar a guerra como paz, a tirania como liberdade. Esses líderes maquiavélicos não têm nenhum controle sobre o processo, que, com raras exceções, termina por arrastá-los e destruí-los no meio das suas vítimas. O paradoxo autodestrutivo está no centro de cada alma militante porque está na raiz mesma do movimento socialista, que nasce da aspiração gnóstica á supressão do mundo físico e se condensa na proclamação absurda de Hegel: “o ser, na sua indeterminação, é o nada” – uma confusão patética entre o discurso e a existência destinada a ter as mais monstruosas conseqüências intelectuais e históricas. A pura novilíngua já marca sua presença ostensiva na fala de Engels, “a liberdade é o reconhecimento da necessidade”, que inspirou tantas auto-acusações falsas nos Processos de Moscou e cujo sentido último, de ironia verdadeiramente demoníaca, aparece com nitidez fulgurante no comentário de Bertold Brecht: “se eram inocentes, mais ainda mereciam ser condenados.” Brecht, aliás, foi aquele mesmo que resumiu com cinismo exemplar a essência da moral socialista: “mentir em favor da verdade”. Experimente fazer isso e, claro, você nunca mais vai parar de mentir.

Algumas regras usuais do leninismo ilustram esse cinismo na prática diária: “Fomentar a corrupção e denunciá-la” e “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é” resumem às mil maravilhas a história do nosso PT, principalmente evidenciado nesse último debate presidencial em que Dilma flagrantemente mentia e dissimulava, acusando e rebatendo tudo o que, depois de eleita, ela mesma se desmentiu. O PT, que cresceu pelo discurso de acusação moralista ao mesmo tempo que montava uma máquina de corrupção de dimensões faraônicas, perto da qual os velhos políticos ladrões começam a parecer meninos de escola culpados de roubar chicletes.

Hoje em dia, bilhões de pessoas no mundo, já não podem conceber o bem senão sob a forma de uma sociedade futura, o pecado senão como oposição ao advento dessa sociedade, a eternidade senão como algum tipo de ‘justiça social’ a ser alcançada no instante perpétuo do século seguinte, do milênio e o futuro jamais chega, porque continua futuro por definição, ninguém pode olhar para trás e confessar os próprios pecados e crimes hediondos que cometeu para alcança-lo. O culto invisível do instante perpétuo não apenas absolve por decreto tácito as matanças, os genocídios, o horror e a desumanidade dos regimes revolucionários, mas dá a todos os ativistas do mundo a licença para continuar oprimindo e matando indefinidamente, sempre em nome das lindezas hipotéticas de um futuro impossível.

Essa é a força, intrinsecamente anti-humana e diabólica, que faz as multidões servirem ao mal em nome do bem.

Extraído e adaptado de:

Carvalho, Olavo de. O Mínimo que Você Precisa Saber para Não ser um Idiota. Record, 2013.

Pearcey, Nancy. Verdade Absoluta. CPAD, 2006.

Venâncio, Norma Braga. A Mente de Cristo, Conversão e Cosmovisão Cristã. Vida Nova, 2012.

Colson, Charles. E agora, como viveremos? CPAD, 2003

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