DECODIFICANDO A IDEOLOGIA SOCIALISTA [CODIGO 4.2]

Cód.: 4 (parte II) O Idiota Útil

“Usaremos  o idiota útil na linha de frente; incitaremos o ódio entre as classes; destruiremos sua base moral, a família e a espiritualidade. Comerão das migalhas que caírem de nossas mesas. O Estado será Deus.”
Lênin: Vida e Legado – Dmitri Volkogonov

Uma das coisas mais difíceis de se fazer na atual conjuntura brasileira é dialogar com um militante de esquerda. Não pela tarefa em si, que é sempre revigorante, mesmo que extenuante em seu curso; o problema é que  militante sempre chega falando como se soubesse realmente do que está dizendo. Mas quando a discussão toma forma, quase sempre seus argumentos são de evasivas e fugas para pontos secundários, lugares-comuns e na difamação ao oponente, como forma de ‘vencer’ a disputa.
Outro dia postei uma notícia a respeito de como a facção terrorista conhecida como Estado Islâmico educa suas crianças para a guerra e ao ódio, aludindo ao fato de que nossas crianças possuem uma outra educação, lúdica e salutar através das classes bíblicas. Segue-se que como contraponto me foi colocada uma reportagem que dizia que uma gangue de jovens cristãos haviam assassinado muçulmanos (e também alguns cristãos, pelo que parece deixar transparecer o texto jornalístico muito mal escrito, por sinal) na Nigéria. Ora, é óbvio que cristãos matam! A história ocidental é, por definição, a história da cristandade e ela é evidentemente manchada de sangue, ninguém aqui é louco o suficiente para não saber disso! Só aqui no Brasil, todos os crimes são cometidos por pessoas que, num maior ou menor grau se identificam como possuidoras ou seguidoras de alguma variante cristã. Isso não é nenhuma novidade, mas para o militante que fez tal postagem para servir de contraponto àquilo que eu divulgava, esse parece um argumento fortíssimo, quase que a descoberta do Santo Graal para o fim das discussões e para me fazer calar e corar de vergonha.

Contudo, olhando assim, friamente, causa na verdade constrangimento isso, pois ou o debatedor acredita que sou ingênuo o bastante para me sentir acuado ou, (o que é pior) ele mesmo é ingênuo o bastante para acreditar que isso serviria de alguma forma como argumento para defender seu ponto de vista contra o meu!

E, para deixar claro esse episódio, o fato de cristãos matarem muçulmanos nos países africanos e asiáticos acontece muito mais motivado por questões políticas do que religiosas. O mundo cristão não possui um livro-texto que promova o ódio ou ordena a morte dos infiéis caso estes não aceitem o cristianismo, pelo contrário, o fundador do cristianismo bem como todo fiel cristão está  disposto a morrer pelo bem daqueles que ainda não conhecem o evangelho; dois milênios de missões estrangeiras atestam esse fato sem sombra de dúvidas. Difere nisso o Islamismo (palavra árabe que significa submeter-se) e seu texto sagrado, o Corão. Nele não apenas existem trechos incitando o ódio como também ordenanças e promessas póstumas aos que se engajarem na luta pela imposição do Islã no mundo, mesmo que através da espada!
Assim, se nas favelas brasileiras pessoas ditas cristãs matam por bem menos, não é de se espantar que em disputas mais acirradas como são as de raça e de posicionamento político, estes venham a acontecer. A diferença entre um e outro é que enquanto nós como cristãos conscientes nos entristecemos por estes falsos crentes cometerem tais atrocidades, a cultura islâmica por outro lado festeja quando seus membros executam outras pessoas, pois essa é uma forma bastante satisfatória de coação, imposição e submissão dos povos aos interesses da religião de Maomé.

O que referenda essa posição não é um preconceito de minha parte ou uma tomada unilateral dos fatos, como pode parecer: qualquer país cristão permite em seu seio a livre e desimpedida manifestação de qualquer tipo de fé. Países muçulmanos são, pelo contrário, fechados, rígidos e intolerantes à fé do outro. Apenas esse fato – que independe de um estudo avançado nesse tema – depõe contra a cultura islâmica.

Explicado isso, é preciso que se compreenda como funciona a mente do militante de esquerda, pois ele é mestre em repetir cacoetes mentais aprendidos por anos de doutrinação escolar e universitária e é incapaz de ter opinião própria, e quando a possui, é sempre uma posição cômoda de imparcialidade, ceticismo e complacência blasé.  Decodificar adequadamente este código é estar preparado contra as investidas malignas travestidas de boas intenções pelas quais o militante chega para o debate.

O militante nunca tem uma opinião própria; nunca pensa por si; ele é impossibilitado de fechar um raciocínio lógico sem cair em contradição; o militante de esquerda é difuso, vago, pueril, imaginativo, sonhador; ele é a expressão máxima da eficácia estatal do embrutecimento sistemático operado pelo sistema educacional.

O militante nunca conclui um raciocínio porque ele não raciocina por sua própria massa cinzenta, antes sua inteligência está diluída na coletividade que integra, diluindo sua individualidade à favor dos ditames do pensamento coletivo. É por isso que estudantes das ciências humanas comumente se acham expertos e se dizem revolucionários, quando na verdade aprenderam apenas a repetir as bobagens incutidas em suas cabecinhas que chegaram inocentes e maleáveis na universidade, acreditando nos mitos da literatura vermelha como a última novidade a ser seguida! Justamente por isso toda opinião é sempre emitida dentro de uma estreita faixa que vai do politicamente correto ao utilitarismo prático.

Isso quer dizer que se eu digo que sou cristão e que confesso o credo que afirma Jesus como o único meio de acesso à divindade, essa minha postura é vista como uma das coisas mais abomináveis, opressoras, intransigente, autoritária e preconceituosas que pode existir, e obviamente só digo isso porque sou branco, de classe média e pró-estadunidense. Isso me qualifica como um assassino em potencial (do mesmo modo que para as feministas todo homem é um estuprador em potencial e para os gayzistas, todo hétero é um homofóbico em potencial). Na cabeça do militante, é necessário dissociar a crença privada do discurso público. Você pode ser racista, mas por favor, não fale mal dos negros. Em síntese, ser um militante de esquerda pressupõe a disposição pela hipocrisia como forma de ser no mundo.

Outra coisa que é comum ao militante de esquerda é dizer que as ações de terrorismo por parte das facções socialistas como as FARC ou do terrorismo praticado pelos muçulmanos ou mesmos os atentados à consciência e ao pudor provacado pelas feministas ou paradas gays é visto apenas como um radicalismo e fundamentalismo. Ora, essas palavras (assim como muitas outras) foram transformadas em termos pejorativos que, ao mesmo tempo que denunciam como feio as atitudes de tais grupos, os isentam de qualquer compromisso com tais posturas que são, afinal de contas, coerentes com a premissa de suas ideologias. Eu, sendo cristão, devo confessar que também sou radical e fundamentalista. Pois o problema não é a palavra em si, mas o que ela significa efetivamente. Mas parece haver um esforço por ressignificar as palavras para que elas sejam usadas de forma a dizer não aquilo que elas significam, mas aquilo que de antemão se convencionou ideologicamente a expressar. Vou explicar: certamente já ouviu a palavra ‘tolerar’, certo? Ora, tolerar é suportar com paciência algo que você não concorde ou desaprove, pois cada um tem a liberdade de ser quem se é. Assim, esse meu texto é, na acepção mais pura do termo, tolerante com os muçulmanos e com os militantes de esquerda, pois apesar de não concordar e de denunciar como farsantes e mentirosos, ainda assim tenho de conviver com eles. Mas, de modo muito próprio das ideologias vermelhas, esse texto é visto como intolerante. Portanto, numa inversão total de significados, meu texto é intolerante para com os muçulmanos, mas a atitude terrorista deles deve ser vista de forma tolerante, pois essa é uma forma de expressão cultural e de fé! Compreendem?

Da mesma forma as palavras radicalismo e fundamentalismo foram torcidas para aparentar serem o que não são. Radical significa raiz e fundamentalismo significa fundação, ambos remetem à idéia de base, substrato, ao fundo último e primeiro que sustenta todo um pensamento. Por isso quando assumo que acredito na criação do universo por Deus em sete dias literais, na imutabilidade, inerrância e infalibilidade da Bíblia, confesso o pecado original e a remissão deste através do martírio de Jesus, que considero como Deus encarnado e da qual espero seu breve retorno, estou assumindo a radicalidade e a fundamentalidade sobre a qual se ergue toda religião cristã, estou sendo, em última análise, extremista, radical e fundamentalista – ou seja – coerente com aquilo que digo crer.

Portanto, quando se diz que as atrocidade cometidas por fiéis muçulmanos é fruto de radicais, isso quer dizer não que eles se afastaram do texto sagrado de sua religião, antes que eles são a verdadeira expressão da fé islâmicas, são eles –  e não os moderados e modernos moradores de Dubai – quem personificam a real essência do que se quer dizer com fiéis muçulmanos. Radicalismo e Fundamentalismo, portanto, não são expressões exageradas ou mal dirigidas, seja da fé cristã, islâmica, hindu ou budista, antes constituem elas mesmas as formas mais puras de expressão desses sistemas religiosos. São os moderados que são uma aberração, os verdadeiros fiéis sempre são os que se atém ao fundamento e à raiz. Então quando um esquerdista vem com esse papo de que o E.I., a Al Qeada e a Frente Palestina são exageros da fé Islâmica, eles estão querendo apenas se auto-enganar em suas próprias mentiras, já que toda revolução islâmica, inclusive toda disputa entre cristãos e muçulmanos em terras asiáticas e africanas é estimuladas entre que estes defendem a liberdade, a propriedade privada, a separação do Governo e Religião e o Estado mínimo e democrático, enquanto que aqueles querem a coletivização dos bens e o Estado Teocrático centralizador. Não admira que Dilma peça para “dialogar” com os terroristas, pois ela sabe que o Islamismo defende, em última análise o mesmo que o Socialismo defende: a extinção da propriedade privada, a extinção da religião e o controle total por parte de um Estado cada vez maior e mais poderoso.

Por isso é ilusório esperar racionalidade numa discussão que envolve interesses e paixões. Ao contrário, o militante esquerdista, idiota da forma que é, já estabelece de antemão verdades que lhe é inegociável, inclusive falseando a linguagem, como esse pequeno exemplo que dei acima. Dessa forma, ele se empenha em conquistar a adesão de um maior número de seguidores, pois ele só tem força enquanto escorado uns nos outros, pois como disse o idiota útil nunca é um pensador per si, antes é um repetidor das falas dadas prontas a ele. Assim, seu discurso consiste em simplificar tudo à slogans e chavões, de modo a impregnar na mente de seus acólitos, reduzindo tudo a um esquema caricatural, por isso termos como fascista, preconceituoso, intolerante, reacionário, coxinha e afins se tornam, em si mesmo, argumentos elevadíssimos para vencer uma discussão. Nessas horas eu tenho de me calar mais por pena do que por falta de fala, pois como você discute sobre que horas são se ele não sabe, sequer, identificar os ponteiros do relógio?

Mas essa atitude implica que as idéias do adversário nunca podem ser examinadas pelo militante e seus companheiros, mas que tenham de ser deformadas a ponto de que a mera tentativa de lhe conceder um exame soe ela própria como repulsiva, inaceitável e indecente.

O debate assim conduzido é, portanto, sempre e necessariamente uma confrontação de preconceitos, no sentido mais literal do termo. Esse sentido contrasta de maneira chocante com o uso polêmico que no curso do próprio debate se faça desse termo como rótulo infamante. Carimbar as idéias do adversário como “preconceitos”, dando a entender que não passam de tomadas de posição irracionais e sem fundamento é, na maior parte dos casos, nada mais que um pretexto para não ter de examinar as razões que fundamentam, muito menos a possibilidade de haverem nascido de boas intenções. Aquilo que aí se chama “debate” não é portanto nenhuma confrontação de idéias, mas uma mera disputa de impressões positivas ou negativas.

É também natural que, justamente por isso, os debatedores procurem abrigar-se sob a proteção da “ciência”, mas nenhuma acumulação de dados estatísticos, nenhuma carga de citações acadêmicas ou mesmo de alegações cientificamente válidas em si mesmas dará qualquer legitimidade científica a um argumento, se este não inclui a reprodução fiel e adiscussão científica dos argumentos antagônicos. Ciência é, por definição, a confrontação de hipóteses: se, em vez de examinadas extensivamente, as opiniões adversas são escamoteadas, caricaturadas, deformadas ou expulsas da discussão sob um pretexto qualquer, de pouco vale adornar a sua própria com as mais belas razões científicas do mundo. Não se faz ciência acumulando opiniões convergentes, mas buscando laboriosamente a verdade entre as divergências.

O teste da dignidade científica de um argumento reside precisamente na objetividade paciente com que examina os argumentos adversos. Quem logo de cara os impugna como “preconceitos” nada mais faz do que tentar criar contra eles um preconceito, dissuadindo a platéia de examiná-los.

Que as pessoas mais inclinadas a usar desse expediente sejam em geral justamente aquelas que mais apregoam a “diversidade”, a “tolerância” e o “respeito às opiniões divergentes”, não deve ser necessariamente interpretado como hipocrisia consciente, mas muitas vezes como sintoma de uma deformidade cognitiva bastante grave; deformidade que, por afetar pessoas influentes e formadores de opinião, arrisca trazer para toda a sociedade.

Quando digo “deformidade cognitiva”, isso não deve ser compreendido no sentido de mera deficiência intelectual moralmente inofensiva. A recusa de examinar as opiniões alheias nos seus próprios termos e segundo suas próprias intenções originais equivale à recusa de enxergar no adversário um rosto humano, à compulsão de reduzí-lo ao estado de coisa, de obstáculo material a ser removido. Essa compulsão é de índole propriamente psicopática. Quando legitimada em nome de belos pretextos humanitários , torna-se uma força ainda mais desumanizante, pois remove a conduta           moral do campo da vida psíquica concreta para o da simples adesão a um grupo político ou programa ideológico. O ser humano então deixa de ser julgado bom ou mau por seus atos e sentimentos pessoais, mas por aderir à facção previamente autodefinida como detentora monopolística das boas intenções – facção dispensada, por isso mesmo, de conceder ao adversário a dignidade da atenção compreensiva. A percepção direta das motivações humanas é aí substituída por um sistema mecânico de reações estereotípicas, altamente previsíveis e controláveis. E quando o programa já se tornou tão disseminado na mídia, no sistema de ensino e no vocabulário corrente a ponto de já não precisar apresentar-se explicitamente como tal, mas passa a soar como a voz impessoal e neutra do senso comum, então a desumanização preventiva do adversário torna-se o procedimento usual e dominante nos debates. Nem é preciso dizer que esse estado de coisas já vigora no Brasil: estamos em pleno império da manipulação psicopática da opinião.

Cada vez que alguém se porta dessa forma para dar a impressão de bom pensador, todo mundo sai perdendo: o idioma é lesado, a inteligência aviltada, a opinião pública ludibriada. No entanto, longe de mim desprezar a força desse expediente.

A potência inesgotável dos lugares-comuns, clichês ou frases de efeito assemelham-se à do moto-perpétuo: quanto mais gasto, tanto mais persuasivos; quanto mais deslocados do assunto, tanto mais eficazes. Sua maior virtude reside precisamente em desviar a discussão de um tema para as banalidades costumeiras, onde as conclusões se produzem com o automatismo fácil das secreções orgânicas. O preço, evidentemente, é escapar por completo da realidade em debate – mas que importa isso a quem quer apenas dar boa impressão ou sair por cima na disputa?

Não há hoje em dia lugar-comum mais comum do que descartar qualquer alegação contra o esquerdismo sob  o pretexto de que nasce do “ódio”. Se se diz que os comunistas promoveram os maiores genocídios da história, é “discurso de ódio”. Se afirma que criaram as Gulags e o Laogai, redes de campos de concentração que superaram as mais macabras ambições dos nazistas, isso é discurso de “ódio”. Você se queixa de que bloqueiam a divulgação dos crimes? Ódio visceral de sua parte! Depois de repetirem isso uma centena de vezes, quem acaba parecendo mais mau do que aqueles que mataram 100 milhões de seres humanos, prenderam tantos outros e hoje se proíbe de tocar no assunto, é você, sou eu! Pensando bem, sou um genocida, um tirano, um monstro. Eles mataram apenas uns quantos milhões de pessoas, conservando, mediante prodígios de inventividade lógica, uma linda auto-imagem de almas santas e bem-intencionadas. Aí eu pretendo rasgar essa auto-imagem: sou muito malvado, e não tenho amor no coração, só ódio. Mas o amor vence o ódio, repetem os idiotas úteis.

O mais curioso é que essa rotulação venha justamente de adeptos, simpatizantes e colaboradores passivos de uma ideologia que, em família, jamais escondeu a motivação última que a movia. Ainda ressoa o conselho de Górki, escritor oficial da revolução russa, que ensinava aos militantes a repulsa física ao inimigo. Talvez recorde a observação de Brecht, de que, se os acusados dos Processos de Moscou eram inocentes, tanto mais mereciam ser fuzilados pelo bem do socialismo. Talvez conheça a declaração de Eldridge Cleaver, de que estuprar mulheres brancas é um mérito revolucionário. E talvez não tenha sumido da memória a fórmula de Che, que aconselhava “o ódio intransigente ao inimigo, ódio que impulsiona além das limitações naturais do ser humano e converte o guerrilheiro numa eficiente e fria máquina de matar.”

Mas, naturalmente, nenhum desses cavalheiros disse ou praticou essas coisas por ódio. Odiento sou eu, que sai por aí contando para todo mundo o que eles as disseram e praticaram.
É com base na peculiar lógica comunista dessa conclusão que, por exemplo, o Fórum Social Mundial pode ostentar a bandeira da “paz”, entendendo por paz a suspensão das ações americanas no Afeganistão, que mataram uma centena de pessoas, mas não da ocupação chinesa no Tibet, que já matou e continua a matar mais de um milhão.

Quando Orwell disse que os comunistas inventaram um novo idioma na qual amor é ódio, paz é guerra, sim é não e não é sim, ele não exagerou em nada.

Duplicidade, diversionismo, camuflagem são o cerne mesmo da alma comunista. E quem quer que, discutindo com comunistas ou similares, atenha-se ao conteúdo literal de seu discurso, sem perceber que se destina apenas a encobrir a lógica profunda de suas ações, estará sendo feito de otário: apenas os idiotas acreditam nas palavras de Dilma durante os debates presidenciais desse ano, pois suas ações, imediatamente após as eleições foram justamente de encontro com tudo que ele prometera jamais realizar.

Para o revolucionário, todo discurso público, é apenas utensílio. Utensílio tão provisório, tão descartável quanto uma tira de papel higiênico ou uma camisinha usada. A conquista definitiva do poder, o controle absoluto do Estado, a destruição completa das oposições – tais são, hoje e sempre, os únicos objetivos daqueles que se dizem esquerdistas de um tipo novo, convertidos à democracia, dispostos a não mais deturpar Marx, mas que continuam cúmplices do regime de Fidel Castro e usam, como se fossem instrumentos legítimos do processo democrático, as mesmas armas comunistas de sempre: incentivar e legitimar a violência das massas (denunciando histericamente a reação aos agredidos), desmantelar desde dentro e desde cima o aparato militar, policial, judiciário, manipular e alterar o sentido das leis, controlar os meios de informação, o ensino, as fontes de energia e a rede viária, fomentar o banditismo e depois culpar por ele e por tudo a sociedade capitalista e a civilização cristã.

Por essas razões é inútil tentar combate-los com acusações de corrupção. Primeiro porque a parcela ideologicamente intoxicada do eleitorado, que constitui a contingente dos seus votantes fixos, não se escandaliza com atos desonestos cometidos por seus líderes, que lhe parecem vir em proveito da revolução. Segundo, porque a organização empenhada na luta por um objetivo geral que é mau, desonesto e pérfido em essência há de tratar sempre de ser a mais honesta possível nos detalhes instrumentais da política diária, não só para evitar problemas de percurso mas também para poder prevalecer-se de uma aparência enganosa de superioridade moral: nada mais rígido que o moralismo interno das máfias e dos partidos revolucionários. Não, a perfídia esquerdista não será jamais vencida por meio de tímidas mordidas nas beiradas. Pois o movimento comunista infunde em seus adeptos uma substância moral e psicológica radicalmente diversa daquela que circula nos corações e mentes da humanidade normal. O revolucionário sente-se membro de uma supra humanidade ungida, esclarecida e iluminada. Quando se discute com um esquerdista, ele se apóia nesses direitos que nós ignoramos por completo.

A regra comum do debate, que eu sigo à risca  esperando que o militante faça o mesmo é, para ele apenas uma cláusula parcial num código mais vasto e complexo, que confere a ele meios de ação incomparavelmente mais flexíveis que os meus. Para mim, uma prova de incoerência é um golpe mortal desferido a um argumento. Para o militante, a incoerência pode ser um instrumento precioso para induzir a  mim, subjugando-me psicologicamente, mais ou menos como foi a tentativa utilizada quando eu descrevi o caso das matanças na Nigéria, no início desse texto. Para mim, a contradição entre atos e palavras é uma prova de desonestidade. Para o militante esquerdista, é mera questão de método. A própria visão de confronto como uma disputa de idéias é algo que acaba valendo apenas para mim, para o militante, as idéias são partes integrantes do processo dialético da luta pelo poder; elas nada valem por si, podem ser trocadas. Isso explica como é fácil para o idiota útil assumir que cristianismo e socialismo são compatíveis, por para ele é apenas uma questão de ajuste nos termos e pronto! Todo resto é opressão. Por isso todo militante está disposto a defender “x” ou o oposto de “x” conforme as conveniências táticas do momento. Por isso que quando se diz que neoliberalismo é uma forma de economia de cunho socialista e de que o partidos PSDB é uma variante da esquerda, o militante simplesmente não consegue compreender. A disputa argumentativa com um idiota útil é sempre regida por dois códigos que atuam simultaneamente na cabeça dele, dos quais eu e você só conhecemos um. Quando menos espera ele apela para este código imaginativo e dá uma rasteira no oponente, e sai triunfante, mesmo que tendo perdido a discussão, pois em sua cabeça tanto minhas pressuposições quanto o debate em si são construções de manipulação e poder, da qual ele – idiota como é – acredita-se acima.

Por isso tudo tive de aprender que parte do código socialista é fomentar a multiplicação desse militante que é um completo idiota mas que ocupa algum tipo de utilidade prática para o avanço do pensamento revolucionário: eles influenciam em casa, nas famílias, nas escolas, nas igrejas, nos clubes… São pessoas que nos são próximas ou não, mas que toda e qualquer argumentação com eles é um processo de completa inutilidade, antes é preciso desmascará-lo e mostrar a verdadeira face da esquerda e de seus companheiros; é mostrar que eles são maus, perversos, falsos e maquiavélicos. Eles já nos chamam de propagadores de ódio pela mera fala educada sobre os malefícios históricos do socialismo, então chegou a hora de eles começarem a falar que somos odiosos com razão, ao jogarmos na cara deles o que eles são de fato, pois no fundo eles sabem que não prestam. Não foi só com bondade e palavras doces que Jesus atuou no mundo, ele também pegou no chicote a chamou não poucos de dissimulados e diabólicos. Que eles sintam a opressão e o ódio real e parem de chorar por ele imaginativamente. A verdade liberta.

Extraído e adaptado de:

Carvalho, Olavo de. O Mínimo que Você Precisa Saber para Não ser um Idiota. Record, 2013.

Pearcey, Nancy. Verdade Absoluta. CPAD, 2006.

    • Marta
    • 16 setembro, 2015

    Olá, sou estudante de Direito. Esta semana li em aula a msm citação q vc usou no inicio de seu artigo, entretanto, um professor meu de Sociologia duvidou que ela seja de Lênin. Me parece que o livro de onde vc a extraiu foi “Lênin: Vida e Legado – Dmitri Volkogonov”. Como não tenho acesso a esse livro, gostaria de confirmar essa informação para poder desmenti-lo. É possível vc me passar a referencia bibliográfica completa ou até msm uma imagem da página do livro contendo a citação? Muito obrigada desde já.

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