DECODIFICANDO A IDEOLOGIA SOCIALISTA [CÓDIGO 3]

CÓDIGO 3: A RELIGIÃO SOCIALISTA

 

“Não temos compaixão (…). Quando chegar nossa vez, não inventaremos pretexto para o terror.”

Karl Marx: Neue Rheinische Zeitung, 19/05/1849

Com o advento das idéias comunistas e socialistas utópicas e sua posterior compilação “científica” por parte de Marx, iniciou-se um processo de destruição do conhecimento, do esvaziamento das artes, da religião e da vida em geral. Isso aconteceu, em parte, pelo arraigado apego ao materialismo, e em parte, pela falsa noção de que primeiro é preciso suprir materialmente as pessoas para só depois suprir seu espírito.

Entretanto, por mais paradoxal que seja, os povos mais primitivos e rudimentares já sabiam que algum tipo de conhecimento metafísico precedia, no tempo e na ordem dos fatores, a organização da sociedade; justamente por perceber que a sociedade é feita por pessoas e a organização da alma humana precede a possibilidade da ação racional na sociedade. E o que o marxismo faz é inverter – senão subverter – essa ordem.

Por conta dessa inversão é que nas escolas os acadêmicos e professores debocham do termo “mito fundador”, imaginando em suas cabeças elucidadas tratar-se de uma enorme ilusão coletiva inventada pela classe dominante a fim de colocar as pessoas a seu serviço. Noutras palavras, confundem mito fundador com ideologia.

Mas um mito fundador não é ideologia, assim como a disputa entre capitalismo VS. Socialismo não é uma disputa ideológica (como querem fazer parecer esses mesmos professores). Ideologia é um discurso que não compreende a realidade, mas que motiva sua substituição por outra ainda mais fantástica e obscura. Ideologia é um discurso que, partindo de uma falsa cosmovisão do presente, maquia o passado de forma a atrair seguidores para construírem um futuro que se tornará horrível demais para suportarem ver nele a obra de suas mãos. Por isso que todo desiludido de ideologias criminosas como o fascismo, o nazismo e o socialismo, raramente se apresentam como cúmplices fracassados de um crime sem recompensas, mas acham que são vítimas traídas pelo destino: algo está errado, mas nunca sua ideologia; algo foi deturpado, mas nunca suas cabeças…

Um mito fundador, ao contrário, é uma verdade inicial que, no desenrolar da história, vai desdobrando o seu sentido e florescendo sob a forma de religião, ciência, de leis, de valores, de civilização. Um mito fundador não é um “produto cultural”, como querem fazer crer os professores de história nas salas de aula, não! Um mito fundador não pode ser um produto pela simples razão de que ele, e só ele, é a gênese de toda cultura possível.

E por que o ódio ao termo “mito fundador” e a tentativa sempre presente de reduzi-lo a mera ideologia? Ora, é simples! Primeiro que se o mito fundador é apenas mais uma ideologia disponível, por que não substituí-la por outra mais atual, digamos, pelo socialismo? Segundo,

se o mito fundador existe de fato, então somos obrigados a reconhecer o legado da Bíblia como mito fundador da civilização Ocidental, algo que nenhum esquerdista estaria disposto a admitir.

Como vimos, mito fundador não é ideologia, mas fora dele o que resta é ideologia, mentiras, erro e insanidade. Nossa desorientação enquanto sociedade vêm da sistemática e persistente tentativa de distanciar o saber de nossas raízes judaico-cristãs no Ocidente, e por faltar esse senso de pertencimento acabamos clamando e abraçando qualquer mentira totalizadora e reconfortante – queremos uma ideologia com uma cosmovisão semelhante àquela bíblica que aprendemos a renunciar – e aqui nasce a teologia marxista.

Essa teologia surgiu, portanto, da necessidade de preencher um vazio conceitual deixado pela destruição dos valores absolutos pela filosofia de Nietzsche e da necessidade de erigir um novo “mito fundador” que desse conta do evolucionismo como a origem da vida na Terra. Dessa amálgama resultou uma ideologia pseudo-religiosa com ares de cientificismo que se utilizou dos termos Criação, Queda e Redenção como forma estrutural de seu construto teórico. O marxismo ajusta-se a estas categorias de forma tão nítida que ela pode ser acertadamente identificada como heresia religiosa, mais do que uma teoria econômica. Portanto, toda cosmovisão ou ideologia deve ser capaz de responder aos mesmos conjuntos de perguntas:

1-CRIAÇÂO: refere-se às origens básicas. Cada cosmovisão ou filosofia tem de começar cm uma teoria de origens: De onde tudo veio? Quem somos nós e como chegamos aqui?

2-QUEDA: cada cosmovisão também oferece um correlativo da queda, uma explicação da fonte do mal e do sofrimento. O que deu errado com o mundo? Por que há guerras e conflitos?

3-REDENÇÃO: para cativar o coração das pessoas, toda cosmovisão tem de instilar esperança oferecendo uma perspectiva de redenção – um programa para inverter a “queda” e pôr o mundo em ordem outra vez.

Para Karl Marx, o poder criativo supremo era a questão em si. Tratava-se de nova forma de materialismo filosófico, porque s versões antigas permaneceram estáticas, retratando o mundo como uma enorme máquina. Segundo Marx, o problema com essa concepção era que abria a porta à idéia de Deus: considerando que uma máquina é projetada para desempenhar determinada função, tem de haver um projetista, da mesma forma que um relógio insinua a existência d um relojoeiro. Para evitar isso, Marx propôs que o universo material não era estático, mas dinâmico, contendo em si mesmo o poder do movimento, mudança e desenvolvimento. É o que quis dizer por materialismo dialético. Ele embutiu a força motora na matéria como a lei dialética. Em suma, Marx fez da matéria Deus. Seu discípulo, Lênin, não se esquivou de usar linguagem explicitamente religiosa: “Podemos considerar o mundo material e cósmico como o ser supremo, a causa de todas as causas, o criador do céu e da terra”. O universo tornou-se uma máquina auto-originda e auto-operante, movendo-se de modo inexorável para sua meta final de uma sociedade sem classe.

O correlativo de Marx ao Jardim do Éden era o estado de comunismo prmitivo. E como foi que que a humanidade caiu deste estadod e inocência para a escravidão e tirania? Pela criação da propriedade privada. Desta “queda” econômica surgiu todos os males da exploração e luta de classe.

A redenção ocorre pela inversão do pecado roriginal – neste caso, destruindo a posse da propriedade privada. E o ‘redentor” é o proletariado, os trabalhadores de fábrica urbanos, que se revoltarão em revolução contra seus opressores capitalistas. O historiador Robert Wesson, ainda que não se professe cristão, apresenta as implicações religiosas com precisão: “O proletariado salvador, por seu sofrimento, vai redimir o gênero humano e trazer o Reino dos céus para a terra.”

Portanto, qual é o correlativo do marxismo para a criação , a origem suprema de tudo? Resposta: a matéria autocriada e autoprodutiva. Outro ponto importante na categoria da criação é a visão que toda pessoa tem da natureza humana. A humanidade sempre é difinida segundo sua relação com Deus, ou com o que quer que seja considerada a realidade suprema. No marxismo, somos definidos pelo modo como nos relacionamos com a matéria, o modo como a manipulamos e fazemos dela coisas para nos satisfazer. Em suma, pelos meios de produção. O materialismo de Marx explica por que ele adotou o determinismo econômico, por que considerou tudo, desde política, religião e ciência, como mera superestrutura construída nas relações puramente econômicas.

E qual é a versão do marxismo para a queda, a origem da tirania e sofrimento? Resposta: o surgimento da propriedade privada. Note que Marx não identifica que a fonte suprema do mal é uma falha moral, pois isso implicaria que os seres humanos são moralmente culpáveis, significando que a solução teria de ser perdão e salvação. Ele determina o mal nas relações sociais e econômicas; portanto, a solução é mudar essas relações pela revolução. O marxismo presume que a natureza humana pode ser transformada mudando as estruturas sociais externas.

E como Redenção, qual o método que o marxismo propõe para pôr o mundo em ordem outra vez? Resposta: Revolução! Derrubem os tiranos e recriem o paraíso original do comunismo primitivo! O dia do julgamento no marxismo é o dia da revolução, quando a burguesia nociva será condenada. Marx e Engels até usaram o termo litúrgico Dies Irae (Dia da Ira), na espera do dia em que os poderosos seriam subjugados. “O marxismo é nada menos que um programa para criar uma nova humanidade e um novo mundo, nos quais todos os conflitos atuais serão resolvidos, trata-se de uma visão secularizada do Reino de Deus”, conforme diz o teólogo Klaus Bockmuehl.

Esta análise explica porque o marxismo ainda continua tendo tamanha influência, apesar de seu fracasso dramático em produzir, em qualquer lugar da terra, uma sociedade sem classe, e porque continua gerando movimentos neomarxistas. Ao reunir todos os elementos de uma cosmovisão abrangente, o fim da história, quando o comunismo triunfará e o conflito desaparecerá do mundo, “é transparentemente uma mutação secular das crenças apocalípticas cristãs”, escreve o filósofo John Gray. É “mito mascarado de ciência”.

E é por isso que o comunismo é mais poderoso que a ciência. Ele toma a esperança religiosa sobrenatural e a seculariza em zelo revolucionário mundano. “Semelhante ao cristianismo, o pensamento de Marx é mais que teoria – escreve o filósofo Leslie Stevenson – é para muitos uma fé secular, uma visão de salvação não apenas pessoal, mas social.”

Esse arremedo de redenção mobiliza e desvia as aspirações espirituais do homem para um ideal de “igualdade” e um “mundo mais justo” – enfeites verbais para a ascensão social, como se esta fosse o objetivo último e mais elevado da humanidade. Como agravante, a ascensão social que o marxismo apregoa é resultado de um enriquecimento ilícito, fruto do desmantelamento das riquezas dos outros. O socialista acredita que só assim é possível alguém deixar de ser pobre: tirando do rico. Nesse sentido, o marxismo é verdadeiro carimbo ideológico de “aprovado” em cima do sentimento de inveja.

Esse sistema ideológico que atribui ao Estado os poderes de uma instância transcendente e lhe dá todas as riquezas para que distribua com magnanimidade (onde é mesmo que isso funcionou?) acaba gerando o empobrecimento Gerald e toda a população, como a história já demonstrou mais de uma vez. Afinal, o Estado, cada vez mais gordo, não distribui nada e, rico e poderoso, outorga, como um deus, decisões de vida e morte sobre seus pobres e oprimidos liderados.

 

Extraído e adaptado de:

Carvalho, Olavo de. O Mínimo que Você Precisa Saber para Não ser um Idiota. Record, 2013. Pág.: 407-409

Pearcey, Nancy. Verdade Absoluta. CPAD, 2006. Pág.: 151-154

Venâncio, Norma Braga. A Mente de Cristo, Conversão e Cosmovisão Cristã. Vida Nova, 2012. Pág.: 64-65

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