DECODIFICANDO A IDEOLOGIA SOCIALISTA [CÓDIGO 1]

CÓDIGO 1: DESTRUIR O PASSADO

“Por que os bolcheviques venceram? Porque sabiam lutar pelas pequenas e pelas grandes aspirações e reivindicações das camadas populares, organizando-as e dirigindo-as para a destruição do passado e lutando para edificar, sobre as ruínas fumegantes do sistema social destruído, uma nova sociedade, um novo mundo.”

John Reed – Dez Dias que Abalaram o Mundo, pág 350.

Ao tombar o muro de Berlin, parecia, deste lado do Atlântico, que a democracia ocidental triunfara sobre as tiranias ideológicas. Contudo, a queda do muro não foi a queda do pensamento comunista. O ocidente ainda apreciava o mito utópico e a mesma presunção de que a natureza humana é basicamente boa, de que é preciso apenas guiar a sociedade de modo a reengendrar a coletividade humana e rejeitar os velhos tabus, moralidades burguesas, retrógradas, conservadoras e opressivas.

Esse namoro com a idéia de que, afinal, o socialismo não é tão ruim assim, apenas foi mal empregado no passado, pavimenta aos poucos um tipo de tirania da qual já Tocqueville nos alertava, de um despotismo suave, um Estado apadrinhador, solícito e total.

Somando-se a isso, foi inevitável que desde a revolução científica e o modelo mecanicista – nunca abandonado pela ciência, que enxerga toda a realidade como passível de interpretação e intervenção racional, quantitativa, qualitativa e lógica – explicou-se que não só o universo era regido por leis e mecanismos, mas que também a vida, os indivíduos e a sociedade o eram. A partir disso, tanto os indivíduos como a sociedade foram transformados em objetos passíveis de estudo, experimentação e re-engenharia, reduzindo a pessoa ao inanimado, negando-lhe a alma, a consciência, o raciocínio e a responsabilidade moral, assumindo que estes podem e devem ser manipulados e controlados com vistas a se obter um bem maior, inclusive assumindo a morte como processo inevitável para este fim.

Além da noção de que o homem é resultado de um processo evolutivo que opera além de sua vontade, sendo cada pessoa vítima dessa fatalidade da natureza, a psicologia, apropriando-se também desse conceito, procurou determinar que tudo não passa de mecanismos que nos são impossíveis de controlar, acentuando que não somos responsáveis, mas vítimas de nossos impulsos e instintos e principalmente dos condicionantes e reações desenvolvidas no ambiente na qual estamos inseridos, e não mais somos culpados por causa de nossa corrupção moral: tudo agora é culpa da evolução, do ambiente e do nosso subconsciente irracional, pois admitir nossa moralidade é pressupor a realidade da consciência, da alma e de Deus, conseqüentemente. Essa abordagem acaba abrindo caminho para a noção de que aquilo que foi aprendido é preciso desaprender para que então as pessoas possam ser reprogramadas para serem realmente felizes e ajustadas de modo a viverem em harmonia com a sociedade utópica.

Para essa transformação ocorrer sem entrar em choque com os valores tradicionais, coube ao pensador italiano Antonio Gramsci a tarefa de desenvolver um método de como a cultura e a educação poderiam ser instrumentos de intervenção e transformação histórica, de modo que através deles, fosse possível plantar insidiosamente os valores e ideais utópicos como senso comum na sociedade, de uma maneira lenta e gradual, mas constante e sempre crescente, no intuito de criar uma geração de pensadores assumidamente socialista em suas convicções.

Se a educação até então objetivava a busca da verdade e o treinamento da moral cidadã, agora, com a relativização da verdade e a abolição da moral pelo utilitarismo, ela é mero meio condicionante em favor do Estado em que o aluno é o agente passivo para a transformação ativa da sociedade.

Da educação à legislação, tudo seguiu a mesma programática; se a lei tradicionalmente era baseada num padrão transcendental de justiça, no ocidente derivando diretamente do Decálogo, agora ela era reduzida a um sumário de práticas políticas e convenções práticas e cientificamente comprováveis, com o propósito de manipular os fatores certos a fim de criar a harmonia social e o progresso de acordo com a ideologia utópica, afinal, como somos mero fruto do acaso cósmico, moldado pela evolução e com mentes ainda prenhes de impulsos irracionais de um passado animalesco, a justiça é mero meio de ajuste para auxiliar na construção do novo homem – aprimorado.

Daí se faz necessário, obviamente, um algo que seja o tutor e o agente responsável por levar à cabo tão nobre tarefa – a este denominamos Estado/Partido/Figura Proeminente. E este ente, imbuído de tais responsabilidade e poderes, deve ser aquele capaz de assegurar o bem-estar social.

Foi na década de 1960 que o presidente americano Lyndon Johnson instituiu programas governamentais bem elaborados e com fundos bem capitalizados a fim de erradicar a pobreza e resolver todos os problemas sociais de então; uma tentativa bem semelhante foi tomada pelo PT no Brasil e, se olharmos para trás, veríamos que os programas de Johnson foi um tiro pela culatra, pois criou uma subclasse dependente do Estado e uma gama ainda maior de patologias sociais, como o aumento no número de família desfeitas, aumento expressivo de adolescentes grávidas, abuso de drogas, de doenças e da criminalidade.

O erro deste tipo de abordagem é não oferecer nenhuma resposta ao problema real que é justamente o colapso moral – ironicamente estes programas tendem a acentuar esse colapso ao solapar o senso de verdade, de justiça e moralidade – redefinindo tudo à uma questão de técnica e sociologia que podem ser resolvidos por burocratas do governo. Ao invés de tratar as pessoas como agentes morais que devem ser chamadas ao dever e à responsabilidade, esses projetos sociais populistas enfraquecem a dignidade moral do beneficiado, torando-os parasitas.

Outro plano que não deu certo em idos de 1920 em solo americano, e atualmente é posto em prática no Brasil, foi a tentativa de limpar as favelas das cidades foi financiar moradias populares construídas sob padrões higiênicos e sociológicos, refletindo aquele desejo utilitarista da justiça, advindo da visão tecnocrata da ciência mecanicista, passando pelo darwinismo biológico e social, que culminam na educação gramsciana. Essas construções monótonas, repetitivas, rígidas, impessoais e funcionais, destinadas a caber mais em menos terreno e armazenar tantas pessoas quanto possível, era um primor da eficiência estatal.

Não demorou para que as paredes, que não eram de ninguém e eram de todo mundo, começassem a aparecer grafitadas e pichadas. Corredores, becos, terrenos e praças, que não eram de ninguém e pertenciam a todos, foram rapidamente preenchidos por criminosos e traficantes; tudo era decrépito, cheio de pó, entulho e lixo. Os projetos de moradia, cientificamente projetados pelos bem-feitores sociais acabaram, em realidade, dominados pelo crime e pelo – pasmem – aumento da miséria. Por quê? Porque, como diz Charles Colson:

“a fonte de crise do estado do bem-estar social não é devido a políticas mal-conduzidas; é a filosofia utópica por trás das políticas – uma cosmovisão que considera os seres humanos como sendo objetos que podem ser moldados e manipulados, remendados e readaptados, para se ajustarem às visões dos planejadores sociais. Ela reduz os indivíduos a recipientes passivos dos serviços do Estado, roubando-lhes assim a liberdade e a iniciativa.”

Por isso os defensores desse tipo de pensamento são os primeiros a louvar as obras e feitos do Estado, seja uma estrada, um estádio, um hospital ou um loteamento; e que, quando as coisas dão errado, quando o crime e a pobreza insistem em permanecer, supõem que o Esatdo não está fazendo o suficiente. Assim, criam a mentalidade, moldada por Gramsci desde a escola, de que as pessoas devem ser apoiadas pelo governo até mesmo se estes não cumprirem os deveres básicos de cidadania, ou mesmo se tiverem um comportamento nocivo ou ilegal, como é o caso de assassinos e estupradores que são prontamente amparados pela Comissão de Direitos Humanos. Se usam drogas, se são alcóolatras, se são delinqüentes confessos, se estão tendo filhos sem a mínima intenção de sustenta-los, nada importa, eles têm o direito aos benefícios do governo, sem interrogações. Isso apenas reforça estes mesmos padrões que se pretendem extinguir, e o círculo vicioso persiste. Não é surpresa alguma que os programas de bem-estar social gere uma subclasse em que o comportamento desordenado e ilegal é a norma, por reduzir as confusões sociais a problemas técnicos a fim de serem sanadas cientificamente, cria-se o caos moral.

Inicie este texto com a citação do John Reed pois ela mostra os dois estágios para a vitória do socialismo que é sempre obtida pela 1) destruição do passado através de esforços na educação e no falsear a história e mentir na gestão atual de governo, com dados adulterados e na 2) reconstrução de uma nova sociedade, de acordo com os parâmetros do Partido/Governo. Essa é a receita do plano de implantação do comunismo que ocorre em muitos países e no Brasil está em adiantado grau de efetivação.

Ora, no Brasil é difícil falar de política com qualquer pessoa, primeiro pela falta de conteúdo sobre este assunto, segundo pelas paixões que suscitam o tema e, terceiro, pela confusão existente entre os termos esquerda e direita. Esses termos, cunhados ainda na época da Revolução Francesa, só tiveram os contornos atuais bem definidos durante a Segunda Guerra e, principalmente, durante a Guerra Fria. Para simplificar, pode-se dizer que a esquerda é anti-liberal, consistindo na ausência total ou parcial da liberdade do indivíduo e da economia, sendo que é o Estado ou o Partido que tudo detém, agindo de todas as formas para estender seu dominío cada vez mais. A direita, que é liberal, privilegia a liberdade pessoal e econômica, garantindo os direitos individuais e de propriedade.  Se me fosse permitido ser sincero e direto, afirmaria que a esquerda nunca poderá ser democrática, antes ela se utiliza da democracia como fator de transição para chegar ao poder e aparelhar o estado com seus ministros, indicando pastas e nomeando ministérios, além de usar o dinheiro público para financiar seu próprio projeto político, inviabilizando a alternância de poder, criando um Estado cada vez mais coercitivo, julgador e punidor, destruindo a dinâmica do equilíbrio entre os poderes justamente por nomear para os cargos aquelas pessoas ideologicamente comprometidas com a implantação sempre mais forte do socialismo, minando por dentro a credibilidade da política, principalmente do judiciário. Por atuar dessa forma, arrogam-se donos da verdade e não admitem críticas, que são sempre vistas como um ato de vandalismo além de, na falta de argumentos, partem para a difamação pessoal e a agressão física, bem como pelo silenciamento da oposição, seja por circunstâncias, seja pela execução sumária.

Por isso que a degeneração institucional, a perseguição de jornalistas e o uso de violência e detenções arbitrárias na Venezuela, do qual o Brasil é cúmplice por seu silêncio, apenas demonstram a realidade dessa descrição acima na busca da perpetuação do poder socialista, bem como espelha o quanto nosso país está tão semelhante àquele.

Parte do conflito que existe entre esquerda e direita em solo brasileiro é a confusão de termos que se faz e a aplicação dos rótulos em governos passados. Para desfazer isso é preciso ter sempre em mente a distinção de que por direita entende-se um projeto político e econômico liberal, pois defende a liberdade e autonomia do indivíduo acima de tudo. Já a esquerda se configura como antiliberal, colocando antes de tudo os desejos do grupo, do movimento, do congresso do partido ou do Estado. Ora, se começarmos a olhar para a história política do Brasil através dessa distinção, iremos notar que durante todos os períodos o governo, seja de quem fosse, sempre foi protecionista, centralizador, monopolista, populista e altamente taxador – ou seja, sempre desenvolveu uma política econômica e social aos moldes da esquerda e alinhados a esta ideologia; na época da República Velha, nos anos regulares e ditadoriais de Getúlio, na era dourada de JK, no período do Regime Militar, bem como nas administrações recentes de Collor, FHC, Lula e Dilma todos se pautaram pelas mesmas premissas: Estado forte, controlador, centralizador e intervencionista, e ao mesmo tempo ineficiente, incompetente, burocrático e corrupto em todos os níveis administrativos. E a sociedade, quando se organiza, acaba pedindo justamente mais do mesmo, ou seja: mais Estado.

Essa tendência à esquerda flui na veia do jovem sempre com um vigor maior justamente por sua propensão em acreditar que revoltar-se é requisito para angariar independência e maturidade e, também, por culpa do alinhamento ideológico e viés doutrinador que a escola fomenta na mente do estudante incauto, isso sem mencionar o patriocínio estatal através de bolsas e simpósios como incentivos para estarem sempre repetindo a mesma cartilha. Assim instruídos, esses jovens são os que primeiros se levantarão com manifestações contra as estruturas burguesas opressoras, buscando solapar qualquer autoridade que sustente a vida, a família, a eligião e a justiça; resulta dessa prática o aumento do sexismo, seja gay, seja feminista, o ataque aos valores tradicionais como sendo retrógrados e a deflagração da dicotomia de um mundo dividido apenas e tão somente entre oprimidos e opressores. Dessa forma, os black blocs que atuam no país ressurgem velhas táticas das forças de choque fascistas, na Itália; nazistas, na Alemanha de 1930 e dos esquerdistas alemães de 1970-80; bem como dos grupos guerrilheiros como VAR-Palmares no Brasil, pois sempre são insurgeições contra aquilo que é base própria de qualquer democracia, visto por eles sempre como símbolo de um sistema burguês tirano que deve ser desestabilizado pela violência. Aqueles que querem enxergar os black blocs como força de direita e, portanto, liberal, precisa explicar porque seu grito de guerra é contra a liberdade, a propriedade e o capital. Esse desespero em apressar-se a denunciar tais atitudes sendo motivadas pelo pensamento liberal nada mais é do que tentar fugir da obrigação de ter de admitir que o pensamento esquerdista leva, inevitavelmente, à conflitos e desobediência civil, gerando terríveis e incontroláveis conseqüências.

A desculpa que se dá à violência popular quase sempre é argumentar que a violência policial é maior. Ora, isso não leva em conta que a polícia quase sempre atua onde há conflito, nunca o contrário; também procura justificar suas ações violentas com a desculpa de terem sido violentados! Olhando daqui para trás, a violência desses grupos sociais, desde o MST e culminando nos black blocs, apenas serviu para manter acuada grande parte da população que ousou se opor ao governo em junho de 201, ainda que aquele movimento como um todo não fosse coeso em sua proposta, se é que houvesse uma proposta. Mas se o povo foi capaz de se erguer maciçamente em todo o país, estes grupos violentes tomaram a frente e protestaram de forma vândala contra tudo e contra todos (menos contra a esquerda, obviamente) consolidando assim por seus próprios atos a dissuasão da prática democrática e denotando que servem a um mestre que lhes financiam tais atitudes e que hoje ocupa o trono em Brasília.

É preciso, portanto, compreender que o esquerdismo é muito mais do que um simples posicionamento político ou uma oposição ao poder em vigor. O esquerdismo é o ódio a qualquer tipo de autoridade que não ele próprio, por isso que acertadamente prioriza o ateísmo como pedra angular de sentido e destino no construto teórico e prático de seu postulado sócio-político; também polariza toda relação humana (em qualquer época e cultura humana na história) entre opressores e oprimidos; dilui o indivíduo em categorias estanques como pobre, mulher, negro, gays – e se utiliza dessas distinções como fonte para engendrar conflitos que, até então era inexistentes, afim de impor uma mudança de paradigma. Como rejeita a autoridade e preconiza a realização utópica pela revolução, acaba por rejeitar Deus definitivamente, colocando no seu lugar o líder ou o partido, como responsável pela realização do paraíso na terra, realização esta que sempre será feita através da eliminação daqueles que se lhe opõem, razão pela qual é preciso um Estado totalitário capaz de impor tal paraíso, um Estado que será sempre uma ditadura do proletariado, mas que é na verdade a ditadura de uma nova elite que se utiliza dos idiotas úteis que lhes propiciam sua ascensão ao poder, vivendo em luxos, prazeres e confortos que o dinheiro traz, de uma forma que capitalista algum jamais ousou chegar, e que imperador algum jamais chegou sem ter sua cabeça imediatamente cortada em algum complô nefasto.

Por isso que toda a discussão com qualquer adepto da esquerda resulta no final em um deboche, pois este não permite que nada, por mais evidente que seja, atrapalhe o ‘projeto’ de seguir adiante: subordina a verdade ao ideal imaginário da utopia. Desse esforço, o militante de esquerda cria conceitos como reacionários, lacerdas, coxinhas e afins como forma de ridicularizar qualquer argumento em contrário, ao mesmo tempo que não apresentam nenhum argumento para a discussão, além daquele de dizer que o objetor ainda está preso ao sistema, que não se libertou ou, que é um egoísta que não partilha da bondade com os povos e oprimidos da terra. Assim, qualquer dado ou fato que contrarie sua ideologia é prontamente deletada de sua frente, pois estes não se encaixam em sua miragem sendo, portanto, falsos e seu devaneio, verdadeiro. Por isso que o argumento de que a morte de milhares nos massacres comunistas nunca são suficientes para dissuadi-los: a fidelidade à utopia se sobrepõe a qualquer objeção real aos resultados – russos, chineses, coreanos, cubanos e venezuelanos – das idéias socialistas. Isso é assim porque aceitam tacitamente as afirmações marxistas sobre a história como a palavra final, porque é justamente necessário que a leitura do passado seja realizada através das olhos míopes e embaçados de sua vista esquerda.

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Franklin Ferreira, Totalitarismo, o culto do Estado e a liberdade do Evangelho Extraído e adaptado de: http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=392

 Franklin Ferreira, Espectro Político, Mentes cativas e Idolatria. Extraído e adaptado de: http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=381

Norma Braga Venâncio, A Mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã. Vida Nova, 2012, pág:43

Karl Marx e Friedrich Engels, O Manifesto Comunista, Edições Avante, 1997. Extraído de: http://www.marxists.org/portugues/marx/1848/ManifestoDoPartidoComunista/

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