A MAIOR TAREFA DA VIDA

A maior tarefa da vida é viver. Depois, viver bem.

Para viver uma vida real o indivíduo precisa de uma mistura de ingredientes como trabalho sério, pensamento claro, decisões confiáveis, humor positivo e autoconfiança. Esses ingredientes vão sendo aplicados em cada mudança, a cada movimento, desde o nascimento até a morte. A vida é marcada por tenacidade, um ímpeto para frente, uma luta constante por se manter, se adaptar e se desenvolver. Em essência é a busca por se tornar o ser que deve ser.

Característica marcante de quando o individuo se recusa a realizar seu potenciais é a perda do entusiasmo. Trocar de atividade ou de curso, ou de profissão, sem nunca concluir projeto algum, diminui sua habilidade e competência; estando assim comprometido com o não-fazer, a pessoa regride em vez de crescer.

Pode ser dizer que, não crescendo, perde-se a vida, porque o indicador da vida é crescimento. Enquanto se está crescendo, existe vida. A vida é marcada por uma vivacidade acompanhada pela vibração por existir. É indicador de se estar vivendo em plenitude. É dinamismo puro e não inércia. Se o fluxo da vida for impedido, surgem o conflito e a dor. Deixar fluir promove a paz, a harmonia e a felicidade, mesmo apesar dos sofrimentos no processo.

A vida certamente é um caminho imprevisível, marcado por alterações, mudanças, aperfeiçoamentos e desabrochares. Ela precisa ser orientada e administrada pela pessoa apesar dessa imprevisibilidade. Embora passível de administração, não se pode obter controle total sobre ela, pois viver é muito mais que seguir um manual estabelecido.

O que importa é você ter vida, logo sua responsabilidade é viver. Ou seja, o ser humano não é livre para fugir da responsabilidade da vida, mas é livre para assumi-la. Isso significa não ter a liberdade para deixar de viver, mas liberdade de como viver. Realizar as tarefas para viver é muito mais gratificante do que tentar escapar do vazio que se produz numa vída ociosa. Você não existe para escapar das tarefas, mas para enfrenta-las: fugir do problema não leva a solução, mas lidar com ele leva à descoberta do sentido da vida.

Toda tarefa aponta para algum propósito da existência, têm uma finalidade específica. Ao descobrir e executar essa tarefa, descobre-se a razão para seu existir. As tarefas comumente apontam para as metas e alvos relevantes a serem buscados. Alvos que encorajam, que motivam, que dão esperança.

É por isso que quando se descobre e se executa sua tarefa, você se sente como que emergindo da insignificância para a importância, caso contrário cai na irrelevância. A sensação de importância é muito significativa porque contribui para a pessoa perseverar, apesar das adversidades. Quanto maior for seu envolvimento pessoal na tarefa, maior será seu senso de missão na vida. Responsabilidade que só você pode cumprir, só você pode executar, porque ela é pessoal e intransferível. Exatamente por causa disso você é único no mundo, você se torna especial.

Devido à incapacidade de prever o futuro, você não consegue saber se ele reserva coisas boas ou más. Eis aí mais um motivo pelo qual você precisa executar bem as tarefas que lhe caem nas mãos. Através delas se constrói o futuro. Só não tem futuro quem não age na direção de maior probabilidade de sucesso. É importante saber que as tarefas são simples e variadas, mas estão sempre dentro do seu poder de execução. Quanto mais abraçar suas tarefas, mais agradável e importante se torna seu viver; o sentido da vida será positivo e contagiante.

Quando se realizam as tarefas que lhe competem, os resultados previsíveis são: prazer, entusiasmo, vibração, encanto… A sensação do dever cumprido cria uma atitude de antecipar sempre o positivo, de alimentar sempre uma expectativa realista, honesta, verdadeira e justa. Mas quando você não cumpre a tarefa certa na hora certa, a atitude será negativa e a expectativa não será realista. Ela será de negação, desonestidade e fingimento. Nesse caso os sentimentos são de negatividade e desvalorização pessoal, redundando na baixo autoestima e na anulação do amor-próprio.

O crescimento pessoal ou a regressão individual nada mais são do que o resultado do desempenho adequado ou inadequado das tarefas da vida. A verdade é que as tarefas são individuais, as preferências variam, as ênfases são diferentes. Uma coisa porém, não pode ser negada: é a qualidade da tarefa cumprida que faz a diferença entre vitória e derrota. Nesse sentido, ou se age para o aperfeiçoamento, ou para o declínio como ser racional.

Uma vez que temos de viver, o melhor é encarar as tarefas impostas pelo viver. Querer fugir da vida é uma utopia muito fantasiosa. É, na verdade, tornar o caminho ainda mais difícil, pois são elas que constituem sua experiência de vida: ora satisfatórias, ora desagradáveis! Não são poucos os que acreditam num ponto de chegada em que as tarefas irão acabar. Puro engano!

As tarefas não acabam nunca. Aliás, são elas que dão ordem e sentido à vida. Não há ponto de chegada e, depois, férias. O que se alcança é apenas e sempre o resultado de tarefas executadas e o fortalecimento para o próximo desafio. A busca é o horizonte. A cada montanha escalada, avista-se outra por escalar. A beleza e o prazer estão no percurso ao topo! A satisfação está na execução da tarefa presente em sua vida agora!

Viver é um processo de capacitação contínuo e crescente, movido pelas escolhas. Algumas são sábias, a maioria são tolas. Não há como não errar. Por outro lado, a possibilidade de assumir o erro e corrigí-lo está sempre presente. Mesmo com toda melhora que possa haver, a perfeição nunca será alcançada: seus recursos são limitados, você é finito e existem adversidades. Contudo, a esperança permanece.

Com esperança você se capacita para executar as tarefas da vida, solucionando seus problemas, sanando seus conflitos, preenchendo suas necessidades, alcançando seus alvos, realizando suas intenções. Muito mais que sobreviver, você estará semeando e colhendo qualidade de vida, vivendo, afinal!

 

Belisário Marques, doutor em Psicologia, texto extraído e adaptado da revista Vida e Saúde – Set/2013

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