Do Absurdo da Vida sem Deus #2

ANTECEDENTES HISTÓRICOS


Aquele que afirma ser cético em relação a um conjunto específico de crenças é, na verdade, um verdadeiro crente em outro conjunto de crenças.

PHILLlP E. JOHNSON

Blaise Pascal, matemático e físico francês, em sua obra inacabada Pensées aborda o predicamento humano a partir de uma abordagem que se divide em duas partes: da natureza humana corrupta, alegando que o ser humano sem Deus é degradado; e que existe um Redentor que propõe felicidade a este ser humano. Obviamente Pascal afirma a verdade da religião cristã ao enfatizar que existe um Deus e que há um elemento de corrupção no ser humano; assim ele descreve que um conhecimento de Deus sem o reconhecimento dessa degeneração gera um orgulho tolo; igualmente o inverso é verdadeiro, pois o conhecimento dessa degeneração, sem o conhecimento de Deus, produz desespero. Assim, Pascal convida a que o leitor se detenha na vida e obra de Jesus pois este fornece o conhecimento e a harmonia de ambos conceitos sintetizados na Graça.

Pascal permanece no terreno do ceticismo enfatizando a incerteza de qualquer conclusão plausível por meio da razão e dos sentidos. Ele se vê confrontado entre a insignificância e a grandiosidade da vida humana, perdido e desgarrado no tempo e no espaço, em busca constante de significação e amparo. Condição esta que se caracteriza por uma ansiedade aguda.

Contudo, mesmo que este predicamento leve o ser humano a perceber-se como miserável, parte de sua grandiosidade reside justamente em saber que é miserável – sua grandiosidade é sua capacidade de pensar, de saber que sabe –“pelo espaço o universo me engloba e engole como um grão de pó; mas pelo pensamento abranjo o universo.”

Esta análise do predicamento leva o pensador a formular seu famoso argumento de risco em que apresenta a conhecida tese que procura mostrar que é mais racional e inteligente apostar na existência de Deus, do que na sua inexistência. Pois se você aposta que Deus não existe e ele não existir de fato, você não perde nem ganha nada; mas se você aposta que Deus existe e ele de fato existe, você ganhou de fato a aposta. Diante dessa síntese bastante razoável Pascal conclui que “se você vence, leva tudo; mas se você perde, não perde nada.”

Outro escritor que leva em conta o predicamento humano é Dostoiévsky. Este escritor russo se debateu em seus escritos com o problema do mal e a existência de Deus, principalmente em sua obra Irmãos Karamazov. De um lado ele argumentou que o sofrimento do inocente pode aperfeiçoar o caráter e levar a pessoa a procurar mais intimamente por Deus – coisa que a bem-aveturança e o sucesso dificilmente proporcionam. Por outro lado ele mostra que a mera negação de Deus produz um relativismo moral de modo que, para um ateu, nenhum ato pode ser condenável, por mais detestável que seja.

Para Dostoiévsky a decisão de seguir a Deus deve ser tomada em solidão e ansiedade, cada um por si deve enfrentar o mundo sem Deus e ver por si a hedionda face e o absurdo da vida sem a existência desse Deus. A entrega, portanto, resume-se à questão de fé – e não de intelecto.

Assim como Dostoévsky, Kierkegaard apresenta uma apologética negativa da fé cristã. Para Kierkegaard o ser humano vive em três estágios. No primeiro, o Estético, a vida é centrada em si mesmo, num egoísmo que não percebe a realidade da vida, apenas a satisfação imediata dos prazeres. Uma vida neste estágio redunda em insatisfação e no desespero. Quando a pessoa atinge esse grau de desesperança está alcançando o nível Ético. Este salto resulta do desespero e da necessidade de estabelecer valores morais e padrões que sejam objetivos. Contudo, o homem que deseja trilhar o caminho Ético acaba igualmente na infelicidade, pois o bem e os valores determinados e por ele buscado, não podem ser alcançados a contento, gerando na pessoa do nível Ético um desespero maior por aliar-se a ele o senso de culpa.

Quando o homem, segundo Kierkegaard, atinge esse ponto em que pode admitir sua culpa, ele necessita de alguém que o livre daquilo que, por ele mesmo, não pode ver-se livre. Aí é preciso fazer um slato de fé. Este salto leva o homem ao estágio Religioso.

Kierkegaard, assim como Dostoiévsky, não provê critérios ou provas para este salto; ele deve ser realizado a despeito de não haver bases racionais que o sustentem. Caso contrário o homem permanecerá no terreno do desepero e da angustia de uma vida incompleta.

Francis Schaeffer é o último pensador que apresentarei aqui que produz seus escritos partindo do predicamento humano para mostrar o absurdo de uma vida sem Deus. Schaeffer argumenta muito acertadamente que o filosofia, a literatura, a ciência e a arte ocidental está sendo realizada, desde Hegel, a partir de uma linha de “desepero”. Para o filósofo, ao Hegel desenvolver sua idéia de que não há verdades absolutas, mas verdades parciais sintetizadas no todo, causou uma perda da noção de absolutos; essa resulta em desepero porque justamente sem absolutos os esforços humanos degeneram no absurdo. Somente reafirmando uma cosmovisão teísta como verdade absoluta pode-se evitar a falta de sentido e salvar a raça humana de si mesma.

Desde o Iluminismo, quando o homem se desvencilhou da religião as respostas para a vida não são nada encorajadoras. O homem moderno, depois que matou Deus, descobriu que matara a si mesmo; isso porque se não há Deus, a vida humana é um absurdo.

Sem Deus tudo morrerá – para sempre.

Normalmente os pensadores de nosso tempo escrevem e dizem que a morte é parte do processo, que é natural, que é aceitável. Contudo este é um olhar para fora. Somente quando se olha para dentro, quando interiorizamos este conceito de que um dia esse “eu” deixará de existir, é que se pode dimensionar a grandiosidade da morte. Se não há Deus e se não imortalidade a conseqüência é que a vida é um absurdo sem sentido, sem valor, sem propósito.

Antes de terminar este texto, é preciso que sejamos sinceros conosco mesmos e admitirmos o que sentimos e sabemos realmente a respeito de nossa existência.

Daquilo que sabemos e daquilo que os filósofos ateus admitem, a não existência de Deus resulta no niilismo, na total relatividade moral. No fim, qualquer pessoa minimamente informada deverá admitir que não podemos viver sem valores, aqueles que sustentam que sim o fazem apenas externamente – em palavras escritas e faladas – mas no fim esta postura acaba voltando-se contra o relativista moral e desmascara a falência de tal cosmovisão. Pois não é o caso de convenções sociais apenas, mas o caso de que certas coisas são erradas e outras certas realmente e é impossível viver feliz numa cosmovisão relativista.

E, uma vez que não se pode provar preferências e enquanto se afirmar o relativismo e que a busca por Deus não é algo objetivo, mas meramente de gosto, qualquer explicação pode fornecer o objetivo da vida que estamos procurando. Mas aonde tudo isso nos leva? Será que essa busca é vã? Deveríamos pressupor que não existe sentido objetivo na vida e que cada um inventa a sua? Deveríamos contentar-nos com a resposta “eu não sei”?

Acho que não.  Apesar das fortes objeções em contrário, acredito que a resposta é bastante racional. Na verdade, essa resposta é a mais racional e a que exige menos fé do que qualquer outra resposta possível, incluindo a opção de ser ateu.

 

    • Sandro Silva
    • 27 novembro, 2011

    Como sempre, eloquente e preciso… Ótimo texto!

  1. ANTECEDENTES HISTÓRICOS

    “Aquele que afirma ser cético em relação a um conjunto específico de crenças é, na verdade, um verdadeiro crente em outro conjunto de crenças.” PHILLlP E. JOHNSON

    Me parece que o equívoco da frase de Johnson é em torno do vocábulo crenças. Pois, parece que ou autor coloca qualquer convicção, não importando no que ela (a convicção) se fundamente. Assim, dá a entender que todas as conclusões/afirmações se encontram no mesmo patamar, sob a designação de crença. E como já se falou em outros debates, a ciência não é uma crença, o ateísmo não é uma crença, não no sentido religioso do qual tratamos ao nos referirmos quanto a qualquer religião.

    Blaise Pascal, matemático e físico francês, em sua obra inacabada Pensées aborda o predicamento humano a partir de uma abordagem que se divide em duas partes: da natureza humana corrupta, alegando que o ser humano sem Deus é degradado; e que existe um Redentor que propõe felicidade a este ser humano. Obviamente Pascal afirma a verdade da religião cristã ao enfatizar que existe um Deus e que há um elemento de corrupção no ser humano; assim ele descreve que um conhecimento de Deus sem o reconhecimento dessa degeneração gera um orgulho tolo; igualmente o inverso é verdadeiro, pois o conhecimento dessa degeneração, sem o conhecimento de Deus, produz desespero. Assim, Pascal convida a que o leitor se detenha na vida e obra de Jesus pois este fornece o conhecimento e a harmonia de ambos conceitos sintetizados na Graça.

    Trecho que entendo ser meramente introdutório e que nada fala a respeito do suposto absurdo de uma vida pautada no ateísmo.

    Pascal permanece no terreno do ceticismo enfatizando a incerteza de qualquer conclusão plausível por meio da razão e dos sentidos. Ele se vê confrontado entre a insignificância e a grandiosidade da vida humana, perdido e desgarrado no tempo e no espaço, em busca constante de significação e amparo. Condição esta que se caracteriza por uma ansiedade aguda.

    Como já mencionado, outro equívoco do ser humano é justamente esse. Pressupor que o mundo existe por um significado. Que como bem explica o artigo a respeito do niilismo, se formos honestos, e ignorarmos o sentimento infantil e subjetivo, acabaremos por admitir que não não há sentido/significados para o mundo. O que não se confundo com causa/efeito. Não obstante, este trecho também nada fala a respeito do suposto absurdo de uma vida pautada no ateísmo

    Contudo, mesmo que este predicamento leve o ser humano a perceber-se como miserável, parte de sua grandiosidade reside justamente em saber que é miserável – sua grandiosidade é sua capacidade de pensar, de saber que sabe –“pelo espaço o universo me engloba e engole como um grão de pó; mas pelo pensamento abranjo o universo.”

    Novamente, este trecho nada fala a respeito do suposto absurdo de uma vida pautada no ateísmo

    Esta análise do predicamento leva o pensador a formular seu famoso argumento de risco em que apresenta a conhecida tese que procura mostrar que é mais racional e inteligente apostar na existência de Deus, do que na sua inexistência. Pois se você aposta que Deus não existe e ele não existir de fato, você não perde nem ganha nada; mas se você aposta que Deus existe e ele de fato existe, você ganhou de fato a aposta. Diante dessa síntese bastante razoável Pascal conclui que “se você vence, leva tudo; mas se você perde, não perde nada.”

    O principal problema, da conhecida, Hipótese de Pascal reside no fato de que o autor pressupôs, quando da formulação de sua teoria, que existe UM ÚNICO DEUS. Sem modificar essa variável, a teoria se apresenta bem racional e prudente. CONTUDO, devemos lembrar que durante toda a história da civilização humana, existiram (ou ainda existem – fica a critério do fiel) centenas, se não milhares de DEUSES. Logo, a aposta de Pascal fica demasiadamente complicada, pois: Como saber que você está adorando e seguindo o deus de verdade? E se você passar uma vida toda seguindo as regras ordenadas por Buda e no final, ao falecer descobrir que o deus verdadeiro é o Cristão? Ou se um cristão fervoroso ao bater as botas, descobre que o único deus é Thor? Você não pode rezar para todos os deuses. Principalmente não pode rezar e cultuar mais de um (caso seja adepto de uma das religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo, islamismo). Portanto, fica evidente, que a Aposta de Pascal se torna muito perigosa, já não mais podendo se considerar racional e prudente. Esse assunto já é esvaziado em qualquer debate cético/ateísta, mas nunca deixa de ser suscitado. Outrossim, verificasse que não há qualquer absurdo no ateísmo, visto que a Aposta de Pascal não oferece qualquer resposta mais prudente ou segura.

    Outro escritor que leva em conta o predicamento humano é Dostoiévsky. Este escritor russo se debateu em seus escritos com o problema do mal e a existência de Deus, principalmente em sua obra Irmãos Karamazov. De um lado ele argumentou que o sofrimento do inocente pode aperfeiçoar o caráter e levar a pessoa a procurar mais intimamente por Deus – coisa que a bem-aventurança e o sucesso dificilmente proporcionam. Por outro lado ele mostra que a mera negação de Deus produz um relativismo moral de modo que, para um ateu, nenhum ato pode ser condenável, por mais detestável que seja.

    Mais uma vez essa história dos irmãos Karamazov. Seria interessante se antes de usar argumentos já devidamente rebatidos em vários blogs os defensores desses argumentos, ao mesmo buscassem verificar a falseabilidade do argumento. Mas vejamos. O problema desse argumento se dá em razão de que ele só admite que regras morais provenham da religião. Outrossim, qualquer pessoa que não siga uma divindade não seguiria regras morais. E nesse caso cabe lembrar aquela célebre frase de Albert Einstein: “Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível.” Aliás, se analisarmos sob a ótica moral, o ateu se torna mais louvável que um crente. Pois, ele deixa de praticar o mau não por temer um punição divina, mas por entender que aquilo não deva ser praticado em razão de ser injusto, independente de ser ou não permitido por uma divindade. O que não é o caso das pessoas que defendem o argumento dos Irmãos Karamazov.

    Para Dostoiévsky a decisão de seguir a Deus deve ser tomada em solidão e ansiedade, cada um por si deve enfrentar o mundo sem Deus e ver por si a hedionda face e o absurdo da vida sem a existência desse Deus. A entrega, portanto, resume-se à questão de fé – e não de intelecto.

    Até agora não foi demonstrado onde estaria o fundamento do absurdo da vida. Muito menos, foi demonstrado o fundamento do absurdo da vida pautada no ateísmo. O que até agora tentou se utilizar como argumento foi: a) A Aposta de Pascal, b) O Argumento dos Irmãos Karamazov. Ambos, argumentos já largamente rebatidos por vários textos na internet, mas que por respeito ao ônus da prova, foram novamente rebatidos aqui.

    Assim como Dostoévsky, Kierkegaard apresenta uma apologética negativa da fé cristã. Para Kierkegaard o ser humano vive em três estágios. No primeiro, o Estético, a vida é centrada em si mesmo, num egoísmo que não percebe a realidade da vida, apenas a satisfação imediata dos prazeres. Uma vida neste estágio redunda em insatisfação e no desespero. Quando a pessoa atinge esse grau de desesperança está alcançando o nível Ético. Este salto resulta do desespero e da necessidade de estabelecer valores morais e padrões que sejam objetivos. Contudo, o homem que deseja trilhar o caminho Ético acaba igualmente na infelicidade, pois o bem e os valores determinados e por ele buscado, não podem ser alcançados a contento, gerando na pessoa do nível Ético um desespero maior por aliar-se a ele o senso de culpa.

    1) Em quais trechos de quais obras de Kierkegaard podemos verificar a conclusão exposta pelo autor do artigo?

    2) A afirmação acima, supostamente atribuída a Kierkegaard, não expõe as razões que fizeram chegar a tal conclusão. Dessa forma, acaba por se tornar uma afirmação que não se sustenta logicamente. (Não que a lógica seja o único instrumento pelo qual devemos observar as proposições feitas). De outra forma, se eu substituir no parágrafo anterior o vocábulo vida por religião a ideia geral que será passada vai em prejuízo da religião. Mas ficará evidente que não estão presentes as explicações que fizeram chegar a esta conclusão. É o que costumo a chamar de uma afirmação vazia vejamos:

    “Assim como Dostoévsky, Kierkegaard apresenta uma apologética negativa da fé cristã. Para Kierkegaard o ser humano vive em três estágios. No primeiro, o Estético, a religião é centrada em si mesmo, num egoísmo que não percebe a realidade da religião, apenas a satisfação imediata dos prazeres. Uma religião neste estágio redunda em insatisfação e no desespero.(…)”

    3) Veja que analisando as afirmações muitas das conclusões não trazem a fundamentação:

    (…)Assim como Dostoévsky, Kierkegaard apresenta uma apologética negativa da fé cristã. Para Kierkegaard o ser humano vive em três estágios. No primeiro, o Estético, a vida é centrada em si mesmo, num egoísmo que não percebe a realidade da vida, apenas a satisfação imediata dos prazeres.

    O que seria “a realidade da vida”?

    (…)Uma vida neste estágio redunda em insatisfação e no desespero.

    Porque uma vida centrada em si mesmo, centrada em um egoísmo resulta em insatisfação e desespero? Quais as explicações que fizeram chegar a essa conclusão? Não seria hipocrisia negar que o ser humano tem como característica inerente ao seu ser o egoísmo? Quem não pensa primeiro em si? Esta não é uma extensão natural do instinto de sobrevivência? Ressalto que não estou a afirmar que o egoísmo justifica qualquer ação. Pelo contrário. Nosso egoísmo vai encontrar limite no egoísmo alheio. Da mesma forma que nossa liberdade encontra limite na liberdade alheia. Mas, ainda que saibamos que essa é a fórmula que melhor permite uma convivência social entre os seres, isso torna possível afirmar que não vivemos e pensamos de forma egoísta?

    (…)Quando a pessoa atinge esse grau de desesperança está alcançando o nível Ético.

    1) Não há explicações de porque uma vida centrada no egoísmo levaria a desesperança; 2) Como a desesperança leva ao nível ético? 3) O que se entende aqui por “nível ético”?

    (…)Este salto resulta do desespero e da necessidade de estabelecer valores morais e padrões que sejam objetivos.

    1) Não há, como já se afirmou, qualquer explicação de como o “desespero” produz esse “salto” para o “nível ético” (que também não se sabe o que é). 2) Agora o autor faz mais uma afirmação, aduzindo que há uma “necessidade de se estabelecer valores morais” O que fundamenta tal afirmação? Aliás, frise-se aqui que o trecho: “valores morais e padrões que sejam objetivos” é contraditório. Isso, porque, uma regra moral não é objetiva. A regra moral ter por essência justamente a subjetividade, ou seja, não há nada que obrigue o sujeito a segui-lá, se ele a segue, a obedece, fará isso tão só por entender ser aquilo o correto. Outra problemática bem conhecida no que tange as normas morais se dá quanto a impossibilidade de sua universalidade, pois, são elas decorrentes das inúmeras culturas e costumes dos povos, e por essa razão possuem valores, objeto e abrangência que variam de cultura para cultura. É por tal razão que certos bens (lato senso), certos assuntos não devem ser tutelados por normas morais. Como exemplo – mas ciente de que tal entendimento decorre de nossa cultura – podemos afirmar que bens como: a vida humana, a liberdade, o direito ao contraditório e ampla defesa, em suma, os direitos humanos internacionalmente reconhecidos não devem fazer parte das normas morais.

    (…)Contudo, o homem que deseja trilhar o caminho Ético acaba igualmente na infelicidade, pois o bem e os valores determinados e por ele buscado, não podem ser alcançados a contento, gerando na pessoa do nível Ético um desespero maior por aliar-se a ele o senso de culpa.

    1) Não há como se analisar mais profundamente a afirmação porque o autor não definiu o que ele entende pelo “Nível Ético”. Não obstante, em face da ausência de tal definição me permito fazer algumas considerações: a) Me parece que o nível Ético é na verdade um nível Moral. E não se faz necessário destacar que Ética e Moral são coisas completamente diferente (http://www.ufrgs.br/bioetica/eticmor.htm). b) Sendo as normas morais obrigações não objetivas, não obrigatórias, e que a pessoa escolhe seguir por vontade própria, o fato de ela não se pautar dentro das normas que ela mesmo escolheu seguir reflete uma hipocrisia por parte dessa pessoa. c) Não vejo qual o motivo que justifique o afirmado “desespero”, pois não há qualquer imposição para que a pessoa siga aquelas normas. Se ela “de fato” quiser seguir as regras morais que acha correta deverá fazê-lo por opção, se não o fizer, isso também se dará por opção. d) O desespero poderá apenas vir do fato dessa pessoa sofrer coação moral por parte das outras pessoas que seguem essas normas morais. Não obstante, essa busca por “aceitação” pode ser facilmente resolvida, bastando que ela busque se inserir em outro grupo cujas regras morais ela possa seguir. O que me parece absurdo, para não dizer completamente idiota é alguém entrando em desespero por não conseguir se enquadrar nas normas morais de qualquer grupo. Isso me parece mais um caso psicológico de deficit de atenção (também conhecido por carência).

    Quando o homem, segundo Kierkegaard, atinge esse ponto em que pode admitir sua culpa, ele necessita de alguém que o livre daquilo que, por ele mesmo, não pode ver-se livre. Aí é preciso fazer um slato de fé. Este salto leva o homem ao estágio Religioso.

    Ou seja, quando a pessoa reconhece que não consegue seguir as regras morais – que não são obrigatórias – ao invés de ter uma atitude adulta e responsável, aceitando que não pode seguir tais regras, ela prefere busca uma JUSTIFICAÇÃO (imputa a sua incapacidade a alguém) e precisa de um “salto de fé”. Ou seja, precisa de apegar a uma doutrina que retire dele a responsabilidade que é tão somente dele. E assim ele tem a justificativa para não ter seguido as regras morais que ele mesmo escolheu seguir. Não pode haver nada mais infantil que isso! Quer dizer que a única forma de lidar com fracassos e desilusões com escolhas feitas (ou mal feitas) é pela religião? Talvez para pessoas que tenham problema em reconhecer seus fracassos possa até ser. No entanto, para muitas outras, isso serve como lição e aprendizagem e até mesmo um melhor auto-conhecimento. Nunca precisei se qualquer religião para superar (justificar) meus fracassos. Aliás, até aqui não consegui ver onde estaria absurdo da vida pautada no ateísmo. Quer dizer que a vida se torna absurda se não tiver alguma doutrina que lhe sirva de justificativa para seus erros, uma doutrina que age maternalmente/paternalmente passando a mão sob a sua cabeça dizendo: Nada disso é culpa sua!. Talvez o ateísmo só leve ao absurdo, ao desespero e seja impossível de se manter para pessoas incapazes de viver a vida por si mesmo, de forma autônoma, adulta, sem a “bengala psicológica” para lhe reconfortar frente aos seus próprios fracassos.

    Kierkegaard, assim como Dostoiévsky, não provê critérios ou provas para este salto; ele deve ser realizado a despeito de não haver bases racionais que o sustentem.

    Eles não provêem critérios talvez porque não há. Quem sabe por quiçá resultem tão só da vontade deles (de que esses critérios existam).

    Caso contrário o homem permanecerá no terreno do desepero e da angustia de uma vida incompleta.

    Igual a uma criança que pede uma bicicleta de natal e escuta um não. Ou aquela menininha mimada que não venceu o concurso de beleza apesar de ter escutado por toda sua vida de sua mãe que ela era a menininha mais linda e inteligente do mundo, e que era a criatura mais especial, a escolhida entre todos os seres… Ah sim, eu vou viver em desespero e angústia por não conseguir seguir regras morais… Que coisa hipócrita. Se o desespero e a angústia fossem tão grandes, eles mesmos constituiriam motivo suficientes para que essa pessoa passasse a se pautar dentro das regras que ela escolheu. Agora ficar de mimimi reclamando como uma criancinha dizendo: “Ah eu quero seguir essas regras mas não consigo buaaaaa!!!” é algo patético. Pior ainda é sustentar que é preferível garantir uma “felicidade” as custas de um “consolo psicológico” que só manterá a pessoa no estado infantil em que ela se encontra, do que oferecer-lhe a “realidade” que apesar de muitas vezes ser dura, e não ser nada agradável, pode ser superada tornando essa criança um adulto que sabe caminhar com as próprias pernas, e se responsabilizar pelas próprias decisões, ainda que destas resultem resultados que não aqueles esperados.

    Francis Schaeffer é o último pensador que apresentarei aqui que produz seus escritos partindo do predicamento humano para mostrar o absurdo de uma vida sem Deus. Schaeffer argumenta muito acertadamente que o filosofia, a literatura, a ciência e a arte ocidental está sendo realizada, desde Hegel, a partir de uma linha de “desepero”.

    Do desespero infantilista acima retratado?

    Para o filósofo, ao Hegel desenvolver sua idéia de que não há verdades absolutas, mas verdades parciais sintetizadas no todo, causou uma perda da noção de absolutos; essa resulta em desepero porque justamente sem absolutos os esforços humanos degeneram no absurdo.

    Ah tá. Só porque não há uma noção de absoluto (que diga-se de passagem não se definiu em que área do conhecimento) isso nos leva ao absurdo? Explicações e justificativas para tal afirmação por gentileza? Porque sem absolutos os esforços humanos degeneram no absurdo? Cadê a explicação que nos leve a essa conclusão?

    Somente reafirmando uma cosmovisão teísta como verdade absoluta pode-se evitar a falta de sentido e salvar a raça humana de si mesma.

    Minha nossa. Que coisa mais linda não é. O cara faz umas afirmações dizendo que por não haver absoluto não existe sentido na vida e tudo é um absurdo (diga-se de passagem sem dar a menor explicação de como ele chegou a essa conclusão) dai depois adivinhem qual é a resposta salvadora para o dilema (que ele mesmo inventou) é óbvio que ao chegar na hora de apresentar uma solução, a resposta seria algo simplista. Assim, a pérola é que somente através de uma “reafirmação de uma cosmovisão teísta”. Daí vem a pergunta chave: Ainda que houvesse essa necessidade, de se estabelecer uma moral, objetiva (que não existe), que nos livrasse do suposto desespero (que assola sabe-se lá quem…) dentre as correntes teístas qual seria a “verdadeira”? Ou qualquer uma delas poderia fazer isso? E volta-se a velha questão do (eu preciso de um sentido para as coisas). Por fim, salvar a raça humana do que? Muitas afirmações vazias. E até agora não foi demonstrado porque a vida pautada no ateísmo é um absurdo. Apenas foram feitas afirmações conclusivas a esmo sem se preocupar em demonstrar logicamente/racionalmente como se chegou a essa conclusão.

    Desde o Iluminismo, quando o homem se desvencilhou da religião as respostas para a vida não são nada encorajadoras.

    Volta a cena a minha cabeça de uma criancinha escolhida entre os braços de sua mãe perguntando: E agora mamãe o iluminismo matou deus… como vou ter esperança? Como? Em que pese o autor afirmar que as respostas para a vida não são encorajadoras cumpre repensar: Quão encorajadora seria a vida se ainda fossemos assolados por doenças e epidemias que eram atribuídas a ira divina? Quão encorajadora seria a vida tendo de enfrentar catástrofes naturais sem nunca se preocupar em prevenir-se, pois afinal aquilo era a vontade de um entidade divina? O fato é que apesar dos vários problemas do presente, a situação em que vivemos hoje é muito melhor do que a vivida antes do Iluminismo que por sinal foi onde se iniciou a “era das luzes” onde floresceu a maioria esmagadora dos avanços que tornaram possível coisas antes nunca sonhadas como uma média de vida acima do dobro do que as pessoas tinham anterior a época do Iluminismo, meios de comunicação de transporte. Olhe todo o conhecimento que se produziu, e a velocidade com que ele aumenta. Não estou negando que há problemas que devem ser enfrentados. Aliás, sempre houveram e sempre haverá, mas comparativamente não há como se negar que hoje a situação é muito mais confortável do que outrora.

    O homem moderno, depois que matou Deus, descobriu que matara a si mesmo; isso porque se não há Deus, a vida humana é um absurdo.

    Essa é a lógica até o momento. Se não há deus a vida é um absurdo. Ou seja, ou vocês brincam do meu jeito ou então não está certo! Eu bem que gostaria de ter um argumento para refutar essa argumentação mas ela é tão perfeita que não vou nem tentar (Só para não deixar dúvidas eu estou sendo sarcástico). Tá bom então, eu também quero brincar assim, logo, se não há Zeus, Osíris, Thor, Brama, Exu, a vida humana é um absurdo. E é por isso que eles existem.

    Sem Deus tudo morrerá – para sempre.

    Acho que então estamos vivendo na matrix… Ou quem sabe somos apenas o pensamento de alguma forma de vida extraterrena. Não corremos esse risco de morrer o homem sempre vai inventar um outro deus… relaxa…

    Normalmente os pensadores de nosso tempo escrevem e dizem que a morte é parte do processo, que é natural, que é aceitável.

    E não é? Todo mundo morre = faz parte do processo; Para morrer basta estar vivo = é um processo natural; Você gostando ou não vai acabar morrendo = é aceitável (e se não for vai morrer igual).

    Contudo este é um olhar para fora.

    Esse é um olhar honesto que não nega os fatos e que não cria histórias falsas.

    Somente quando se olha para dentro, quando interiorizamos este conceito de que um dia esse “eu” deixará de existir, é que se pode dimensionar a grandiosidade da morte.

    Qual é a grandiosidade da morte? Não há qualquer grandiosidade. A morte não discrimina, ela é comum a todos, universal, não importa se alguém é rico, pobre, qual sua origem, seu credo, sua opção sexual, a morte é imparcial, é impiedosa, a morte é o fim do processo.

    Se não há Deus e se não imortalidade a conseqüência é que a vida é um absurdo sem sentido, sem valor, sem propósito.

    Se não há papai noel, e se não há renas voadoras a consequência é que o natal é um absurdo sem sentido, sem valor, sem propósito. / Se não há coelho da páscoa, e se não há fabrica de chocolates a consequência é que a páscoa é um absurdo sem sentido, sem valor, sem propósito. / Moral da história, se meus deus não existe, não existe imortalidade, e a vida é um absurdo sem sentido, sem valor, sem propósito. Excelente argumento! (estou sendo irônico novamente) O fato de você achar/encontrar sentido para a vida em deus (seja lá ele qual for) não faz com que isso (seu deus) seja o sentido das coisas. Até porque como já se falou, e restou muito bem explicado no link sobre o niilismo, não há sentido para a vida. A questão do valor e do propósito já foram trabalhadas alhures. Se não acreditar no deus judaico cristão torna a vida sem sentido, então pelo menos 66% do mundo está a caminho de praticar o suicídio (http://pt.wikipedia.org/wiki/Principais_grupos_religiosos) Aliás, segundo noticiado aqui a pesquisa que apurou os 33% do cristianismo foi de 2005, e gostaria de saber se não foi realizada uma contagem unificada, incluindo católicos, evangélicos, etc.. etc… porque todos eles divergem, o que acaba particionando esses 33% em frações bem menores).

    Antes de terminar este texto, é preciso que sejamos sinceros conosco mesmos e admitirmos o que sentimos e sabemos realmente a respeito de nossa existência. Daquilo que sabemos e daquilo que os filósofos ateus admitem, a não existência de Deus resulta no niilismo, na total relatividade moral.

    Já foi dito que o ateísmo, e tampouco o niilismo resulta em uma relatividade moral. Isso porque apenas um pensamento obtuso pode concluir que a moralidade só pode advir da crença em uma divindade. Se assim fosse não haveria o código de ética de tantas profissões que apesar de não estarem de não guardarem qualquer relação com um entidade divina, prescrevem condutas morais que são sugeridas para aqueles que pretendem segui determinada profissão. É impressionante como ainda em 2011 há defensores da tese de que se não há uma religião as pessoas serão más… elas não encontraram limites. Os limites são estabelecidos pelo próprio homem. Para aqueles que possuem o bom senso, que tiveram a oportunidade de acesso ao mínimo de estudo e educação (que não necessariamente é obtido em escolas, mas pode ser ensinado dentro da própria família) a consciência e o intelecto impõem os limites, não havendo a necessidade de um ser divino que vá puni-los caso não se portem como devam. E para aqueles que não se portam dentro das mínimas condições (que são estabelecidas por regras, objetivas e obrigatórias, conhecidas pelo nome de LEI) a punição e reeducação também se dá através do homem, desnecessária, portanto, a presença de um ser mítico e divino. Por fim, para corroborar sua tese ao menos você poderia apresentar alguma pesquisa que indicasse que a maioria dos crimes são praticadas por ateus, ou o número de presidiários fosse dominantemente ateu. Mas não tem nada disso não é? Mas como ex-funcionário do Ministério Público de Taquara/RS e atual funcionário do Poder Judiciário da Comarca de Parobé/RS eu posso afirmar que são raros os casos onde consta ateus sendo acusados de crimes. Condenados então acho que a quantidade é pífia. Aliás, o que eu vejo sempre nas reportagens dentro de presídios são crucifixos, bíblias, presidiários falando em “eu acredito em deus…” mas é claro que isso são apenas dados empíricos constatados por mim, mas me dei o trabalho de pesquisar um pouco e achei essa pesquisa (https://www.ucpel.tche.br/ojs/index.php/PENIT/article/viewFile/301/246) realizada em 2001, pelo censo carcerário e censo nacional que aponta o credo no cárcere brasileiro nas percentagens respectivas: Ateus/Sem religião: 20% e 7,5%; Católicos: 54% e 73.5% e Evangélicos: 21,5% e 15,5%. Ou seja, está aqui a prova de que suas afirmações não condizem com a verdade! Os ateus/sem religiões são em menor número tanto em relação aos católicos quanto aos evangélicos.

    No fim, qualquer pessoa minimamente informada deverá admitir que não podemos viver sem valores, aqueles que sustentam que sim o fazem apenas externamente – em palavras escritas e faladas – mas no fim esta postura acaba voltando-se contra o relativista moral e desmascara a falência de tal cosmovisão.

    O Ateísmo não prega uma vida sem valores. E sequer nega os valores que são defendidos por algumas religiões. Nenhum ateus em sã consciência iria se opor ao respeito a vida humana… Não obstante, apenas como exemplo, muitos dos “valores” defendidos/propalados por religiões como o cristianismo já existiam a muito tempo, como podemos verificar nas frases de Confúcio: “Não faça aos outros aquilo que não queres que façam contigo.” “A virtude da humanidade consiste em amar os homens; a prudência, em conhecê-los. “A melhor maneira de ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros.” “Um jovem em casa deve amar os pais, e fora dela respeitar os velhos. Deve ser discreto, mas, ao mesmo tempo, falar com convicção quando se fizer necessária a sua ação; deve amar a todos os homens, sem distinção, e alegrar-se com as pessoas de bom coração. Se assim se portar, terá condições de bem se governar e a outros.” Não há nada de NOVO nos ensinamentos cristãos, aliás não há nada de novo nos supostos ensinamentos de qualquer divindade, todos são variações de lições passadas por grandes homens e mulheres.

    Pois não é o caso de convenções sociais apenas, mas o caso de que certas coisas são erradas e outras certas realmente e é impossível viver feliz numa cosmovisão relativista.

    Não existe nada bom em si mesmo, e nada mau em si mesmo. Como questionou Nietzsche algo é bom ou ruim: Porque? Para quê? Para quem? Defina o que é necessário para se viver feliz? A própria felicidade é algo subjetivo. Defina uma padronização de felicidade? Para ser feliz as pessoas precisam gostar de branco? Precisam odiar pagode? Precisam jejuar uma vez ao ano? Precisam ir a Meca uma vez na vida? Precisam casar? Precisam ter filhos? Precisam usar drogas? O que faz TODAS as pessoas feliz? É apenas uma única coisa que nos faz feliz?

    E, uma vez que não se pode provar preferências e enquanto se afirmar o relativismo e que a busca por Deus não é algo objetivo, mas meramente de gosto, qualquer explicação pode fornecer o objetivo da vida que estamos procurando. Mas aonde tudo isso nos leva? Será que essa busca é vã? Deveríamos pressupor que não existe sentido objetivo na vida e que cada um inventa a sua? Deveríamos contentar-nos com a resposta “eu não sei”?

    Continue procurando as suas respostas quem sabe um dia você encontre as respostas que te satisfaçam. Mas enquanto isso você pode tratar de explicar porque a vida pautada no ateísmo é um absurdo, porque até agora não houve uma só explicação que pudesse levar a essa conclusão.

    Acho que não. Apesar das fortes objeções em contrário, acredito que a resposta é bastante racional. Na verdade, essa resposta é a mais racional e a que exige menos fé do que qualquer outra resposta possível, incluindo a opção de ser ateu.

    O fato de eu acreditar em dragões não fazem eles existirem. Vou esperar a terceira parte do seu artigo (se é que haverá) quem sabe nela você consiga demonstrar melhor porque pautar a vida no ateísmo é um absurdo. E não vem com essa de desespero etc.. etc… o desespero é uma consequência inerente/intrinseca ao despreparo.

    Sem mais para o momento, renovo os protestos de estima e consideração que nutro pelo ínclito amigo. Bem como, em consideração a data que se aproxima, aproveito para lhe desejar um feliz solstício de inverno (eu prefiro a festa original e não a cópia judaico-cristã heheheh)

    Grande abraço.

    Gil

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