Prenúncio do fim da Ética

Pesnsemos por este modo: que uma idéia ou conceito jamais pode expressar adequadamente a experiência àquilo que se refere, isso é certo. Nesse caso, mesmo que o conceito não esteja alienado da experiência ele permanece sendo uma expressão aproximada da experiência.
Para Erich Fromm o conceito têm a grande vantagem de permitir às pessoas comunicarem suas experiências e a desvantagem de se prestarem facilmente a uma utilização alienada.
Outro fator que contribui para o desenvolver dessa alienação é a tendência de o pensamento querer sistematizar e totalizar o conhecimento, na vã tentativa de fazer com que as coisas “tenham sentido”. Aí se incluem os conceitos absolutos como vida, morte, amor, deus…
A vida é, para o homem, a norma mais elevada ; Deus está vivo e o homem está vivo; a escolha fundamental para o homem se faz entre o crescimento e a decadência. O amor do homem e o amor de Deus são inseparáveis. Para que o homem seja igual a Deus, o amor deste deve ser o exemplo para o homem. Deus aparece na Bíblia como o Deus da justiça e o Deus da compaixão. Embora em certos trechos mais antigos a ênfase recaia no Deus de justiça mais do que no Deus da compaixão, o conceito do amor e compaixão de Deus, contudo freqüentemente é repetida.

A tarefa do homem é viver e agir de forma adequada, e com isso tornar-se semelhante a Deus. O importante, do ponto de vista da tradição judaica, é se o homem cumpre a lei, não suas opiniões de Deus. À medida em que crentes e não-crentes lutam pelo mesmo objetivo – a libertação e o despertar do homem – podem apreciar, cada qual a seu modo, que o amor que nos impele a compreendermos mutuamente acima de tudo, estarão unidos em sua luta comum contra a idolatria. Os idólatras, também, podem ser encontrados entre crentes e não-crentes. Os primeiros fizeram de Deus um ídolo; os segundos, não aceitam Deus, mas adoram outros ídolos ou a si mesmos. Mas os que adoram Deus de um modo não-alienado, e os que lutam pelo mesmo objetivo em termos puramente humanos, resolveram que os conceitos são secundários à realidade humana. Qualquer pessoa, crente ou não, que tenha sentido o valor de transcendente como o valor supremo e tente realizá-lo em sua vida, não pode deixar de reconhecer que a minoria dos homens da atualidade, apesar dos protestos, não está lutando pelo seu valor. São consumidores ansiosos, broncos e isolados, entediados com a vida e compensando a sua depressão crônica com um consumo compulsivo. Cada vez mais atraído pelas coisas e pelos aparelhos do que pela vida, são homens cujo objetivo é “ter” muito e usar muito, e não “ser” muito.

Deus está morto? Essa questão deve ser divida em seus dois aspectos: está o conceito de Deus morto, ou está morto a experiência indicada pelo conceito? Por outro lado, se o que pretendemos indagar é se a experiência está morta, então em vez de perguntarmos se Deus está morto seria melhor formularmos a questão de se o homem está morto. Este parece ser o dilema central do homem. Ele corre o perigo de tornar-se uma coisa, de estar cada vez mais alienado, de perder de vista, os problemas reais da existência humana e de não se interessar mais pelas suas soluções. Se o homem continuar nessa direção, estará morto.

A questão central, hoje, é reconhecer esse perigo e lutar pelas condições que tragam o homem de volta à vida. Numa conclusão mais apurada pode-se dizer que o crescente “desperezo por Deus” – resultantes também das muitas falas equivocadas em púlpitos e altares – é, na verdade, o desprezo do homem pelo homem, o desprezo por aquilo que nos torna humanos. É, em nosso tempo, o prenúncio do fim da ética.

 

Adaptado a partir do texto O Espírito de Liberdade, de Erich Fromm 

  1. Prenúncio do fim da Ética

    Pesnsemos por este modo: que uma idéia ou conceito jamais pode expressar adequadamente a experiência àquilo que se refere, isso é certo. Nesse caso, mesmo que o conceito não esteja alienado da experiência ele permanece sendo uma expressão aproximada da experiência.

    Para Erich Fromm o conceito têm a grande vantagem de permitir às pessoas comunicarem suas experiências e a desvantagem de se prestarem facilmente a uma utilização alienada.

    Outro fator que contribui para o desenvolver dessa alienação é a tendência de o pensamento querer sistematizar e totalizar o conhecimento, na vã tentativa de fazer com que as coisas “tenham sentido”. Aí se incluem os conceitos absolutos como vida, morte, amor, deus…

    Me parece que há um certo equívoco aqui. Explico. a) A sistematização do conhecimento de certa forma teve como grande expoente Aristóteles; b) Já quanto a “totalização do conhecimento” em razão do autor não definir o que queira dizer com esse conceito, penso que há uma relação com o positivimo ou com o movimento de condificação; c) Todavia, não há qualquer referência no texto do autor explicando como ele concluiu que o objetivo do positivismo/codificação e a sistematização seja “dar sentido” as coisas. Me parece que a razão que motiva, que busca um sentido nas coisas é um conjunto de fatores que eu resumiria de modo perfunctório como: a) pressuposição de que TODAS as coisas devem ter um sentido; b) base em algum ensinamento humano ou religioso. Penso que o conceito de “sentido” pressupõe uma “vontade” de um agente. Essa “vontade” será atribuída a um agente (ser humano, deus, etc). Aliás, o niilismo trata justamente de ceifar esse erro. Pois se formos honestos, teremos de admitir que inúmeros fatos não tem um “sentido”, eles terão sempre uma “causa/efeito” mas não deve ser confundido com “sentido”..

    A vida é, para o homem, a norma mais elevada

    Infelizmente não para todos.

    ; Deus está vivo e o homem está vivo; a escolha fundamental
    para o homem se faz entre o crescimento e a decadência.

    Deus está vivo? Erro de premissa. Não se sabe se existe ou não um deus, já o homem.. bem, este nós sabemos. Aliás se deus está vivo, qual é esse deus? Odin? Júpiter? Zeus?.

    O amor do homem e o amor de Deus são inseparáveis.

    Mais um equívoco. O amor vai ter um significado particular para cada um. Por óbvio que deus não pode ter um significado para cada um (se bem que hoje é bem o que parece). Aliás a proposição acima é facilmente rebatida da seguinte forma: Sou ateu, sou homem, mas não amo nenhum deus, sequer o reconheço. Assim, é perfeitamente possível a separação. Mas há inúmeras semelhanças, pois sendo deus uma criação do homem, é evidente os reflexos do criador na sua criatura.

    Para que o homem seja igual a Deus, o amor deste deve ser o exemplo para o homem.

    Não gostaria de ser deus. Minha consciência estaria muito pesada quando chegasse a noite e eu resolvesse dormir. Aliás, o amor de deus é o que mais motiva os homens! Inclusive seguido com extremo rigor nos países arábes onde há inúmeras mortes por não se respeitar as diferenças, por não se respeitar a vida humana. Mas como bem disse o autor “a vida é PARA O HOMEM a norma mais elevada” já para deus ela não é tão importante assim.

    Deus aparece na Bíblia como o Deus da justiça e o Deus da compaixão.

    Hahaha isso é piada né? Só acredita nisso quem nunca leu a bíblia. Ou aqueles que só leram os trechos maliciosamente selecionados por qualquer tipo de sacerdote (padre, pastores, etc). Se quiser eu cito uma longa lista de exemplos da “justiça” e da “compaixão” desse deus.

    Embora em certos trechos mais antigos a ênfase recaia no Deus de justiça mais do que no Deus da compaixão, o conceito do amor e compaixão de Deus, contudo freqüentemente é repetida.

    deus da justiça? Eu repudio a justiça descrita nos textos bíblicos. Nem o pior dos ditadores que o mundo conheceu foi tão injusto como o deus judaico cristão! A bíblia está repleta de passagens onde pessoas, seres humanos (não para deus é lógico) são mortos, esfacelados, destroçados por motivos banais. E o pior, como se não bastasse esse deus punir aquele que desobedeceu a sua vontade, ele punia as outras pessoas ligadas ao suposto “infrator”. Alguém que ache o deus judaico cristão justo, deve, aliás, tem a OBRIGAÇÃO (para que não se contradiga), de ter por justo que TODA uma família seja MORTA porque um deles cometeu algum crime. Pensando bem, não deve ser TODA a família do infrator, mas sim TODOS que morem na cidade em que ele resida! Os textos bíblicos são repletos desse tipo de “justiça”. Comparar a justiça “dos homens” ainda que com suas imperfeições, com a “justiça divina” é uma ofensa abismal ao bom senso, a sentido da palavra justiça, à vida humana.

    A tarefa do homem é viver e agir de forma adequada, e com isso tornar-se semelhante a Deus.

    A tarefa do homem? Quem diz qual é a nossa tarefa? Aliás todos os homens tem a mesma tarefa? Deve-se buscar uma padronização? Um ÚNICO estilo de vida? Há somente uma única forma CORRETA de se viver? Sinceramente, eu tenho pena de quem tente defender tal tese… e afirmo sem medo de incorrer em qualquer equívoco que será uma tentativa vã, fadada ao insucesso. Mas como eu disse anteriormente, tornar-se semelhante ao deus judaico-cristão não é difícil (os árabes e islâmicos são exemplos vivos), mas fico eternamente grato que a maioria esmagadora das pessoas não tenham o senso de justiça do deus bíblico e nem queiram seguir o seu modelo, caso contrário a Terra veria o decínio máximo do ser humano.

    O importante, do ponto de vista da tradição judaica, é se o homem cumpre a lei, não suas opiniões de Deus.

    E diga-se de passagem que a tradição judaica perpassa todas as suas derivadas. Pois até onde eu sei, nenhuma crença prega que seja escutada mas não seja seguida. O que de fato ocorre é que os religiosos ainda que não gostem são hipócritas e não seguem. Alguns por ignorar, outros por desconhecer, e a maioria por vontade própria. E não veja isso como uma crítica. Eu fico muito feliz e espero que todos continuam se limitando apenas a dizer que seguem, mas na prática não praticam, pois se fossem levar a sério o que os textos bíblicos dizem, penso que viveriam de forma extremamente infeliz. E lembro que não adianta vir com a velha desculpa do: “mas eu entendo deus da minha forma (conforme me convém)” o texto bíblico tem o nítido caráter cogente (de lei) não deve ser interpretado, flexionado, deve ser apenas seguido a risca. É por isso que volta e meia torno a repetir que com muita sabedoria Nietzsche afirmou: “O único cristão morreu na cruz”.

    À medida em que crentes e não-crentes lutam pelo mesmo objetivo – a libertação e o despertar do homem – podem apreciar, cada qual a seu modo, que o amor que nos impele a compreendermos mutuamente acima de tudo, estarão unidos em sua luta comum contra a idolatria.

    Cara isso ficou engraçado. O sentido que “libertação e despertar do homem” tem para os crentes é DIAMETRALMENTE oposto ao dos não-crentes. Os crentes sempre vão idolatrar ao seu deus (seja lá qual for).

    Os idólatras, também, podem ser encontrados entre crentes e não-crentes. Os primeiros fizeram de Deus um ídolo; os segundos, não aceitam Deus

    Lamento informar, mas há mais um equívoco. não-crentes, ou, ateus para simplificar, não tem nenhum problema em “aceitar” deus. A gente aceita ou deixa de aceitar algo que existe, que não se contesta a EXISTÊNCIA, os ateus desconhecem, não-reconhecem a figura do deus judaico-cristão.

    , mas adoram outros ídolos ou a si mesmos.

    Só falta ao autor demonstrar quais os problemas de adorarmos algo. Não vejo problema algum. Sendo que o vocábulo “adorar” suporta vários significados, como por exemplo: Dic. Aurelio “([Do lat. adorare.] Verbo transitivo direto. 1. Render culto a (divindade): “Um cerra as asas débeis e a divindade adora, / O outro adora a Deus e as asas níveas solta.” (Fagundes Varela, Poesias Completas, I, p. 238.) 2. Reverenciar, venerar: “devotíssimo da Cruz, cujo sinal adorava com inclinação profunda sem diferença de lugar ou tempo.” (Jacinto Freire de Andrada, Vida de D. João de Castro, p. 340). 3. Amar extremosamente; idolatrar:” Qual o problema com qualquer uma delas? Só haverá algum problema para aqueles que defendem o conceito do monoteísmo, onde há apenas um único deus. E advinhem? Com certeza o deus “verdadeiro” será o deles. Fora do conceito do monoteísmo a adoração passa a ser uma simples ação humana como inúmeras outras. Vocês não amam muito a família de vocês? Se sim, então vocês Adoram!

    Mas os que adoram Deus de um modo não-alienado,

    Você não escolhe a forma como deve amar a deus. Ele (deus) diz como deve ser. Não cabe (segundo o texto bíblico) ao fiel dizer ou escolher como vai adorar, ele DEVE fazê-lo como é MANDADO no texto bíblico, pois se não for daquele jeito, ele não está seguindo a palavra de deus, e logo não é um fiel. Eu não consigo entender qual a dificuldade que os religiosos tem de compreender isso. Pense no seguinte caso um gremista que resolva se dizer “gremista” mas passa a dizer que as cores que repesentam o grêmio são o vermelho, e que na verdade o grêmio se chama inter. Ele busca criar o seu próprio conceito de “gremista” mas isso não tornará ele um gremista, e penso que a maioria dos gremistas iria concordar com a minha opinião. Só para deixar claro o exemplo é apenas para ilustrar e também não tenho nenhum time de futebol.

    e os que lutam pelo mesmo objetivo em termos puramente humanos, resolveram que os conceitos são secundários à realidade humana. Qualquer pessoa, crente ou não, que tenha sentido o valor de transcendente como o valor supremo e tente realizá-lo em sua vida, não pode deixar de reconhecer que a minoria dos homens da atualidade, apesar dos protestos, não está lutando pelo seu valor. São consumidores ansiosos, broncos e isolados, entediados com a vida e compensando a sua depressão crônica com um consumo compulsivo. Cada vez mais atraído pelas coisas e pelos aparelhos do que pela vida, são homens cujo objetivo é “ter” muito e usar muito, e não “ser” muito.

    Deus está morto?

    Blasfêmia! deus nunca estará morto! Da mesma forma que uma pessoa nunca estará viva antes de possuir vida (seja embrionária ou pós-parto). Para se morrer primeiro é preciso estar vivo, e para estar vivo primeiro é necessário que EXISTA. Por isso deus nunca vai morrer, porque sequer existiu! A fada dos dentes está morta? Quem vai saber né?

    Essa questão deve ser divida em seus dois aspectos: está o conceito de Deus morto, ou está morto a experiência indicada pelo conceito?

    Eu até concordo que deus seja um conceito. Uma ideia. E como exposto acima, ideias e conceitos não morrem. Não morrem porque nunca tiveram VIDA. Enquanto houver crianças que acreditam na fada dos dentes, elas (as fadas) continuaram “vivas”, eu penso que chegará um tempo em que as pessoas irão se tornar independente da bengala psicológica, neste dia a bengala estará aposentada “morta”.

    Por outro lado, se o que pretendemos indagar é se a experiência está morta, então em vez de perguntarmos se Deus está morto seria melhor formularmos a questão de se o homem está morto. Este parece ser o dilema central do homem. Ele corre o perigo de tornar-se uma coisa, de estar cada vez mais alienado, de perder de vista, os problemas reais da existência humana e de não se interessar mais pelas suas soluções. Se o homem continuar nessa direção, estará morto.

    E foi a “experiência” do conceito de “deus” que manteve o homem “vivo”? Foi essa “experiência” que não deixou o homem relativizar os problemas da existência? As soluções para os “problemas” e para os “desconhecimentos” vieram do conceito “deus”? Penso que não. O conceito “deus” foi o responsável por incutir a ideia de “sentido” de que as coisas (inclusive a vida) tem que ter um “sentido”. O pensamento humano, com a ajuda das ciências latu senso, foi o responsável por oferecer melhores respostas, a medida que eram mais verdadeiras. Também trataram de demonstrar a causa e efeito das coisas, retirando o “sentido” (suposta vontade de alguém) daquilo.

    A questão central, hoje, é reconhecer esse perigo e lutar pelas condições que tragam o homem de volta à vida.
    Trazer a vida? Para mim os únicos que fazem isso são médicos e bombeiros, e algumas pessoas treinadas para tal.

    Numa conclusão mais apurada pode-se dizer que o crescente “desperezo por Deus” – resultantes também das muitas falas equivocadas em púlpitos e altares – é, na verdade, o desprezo do homem pelo homem, o desprezo por aquilo que nos torna humanos. É, em nosso tempo, o prenúncio do fim da ética.
    Mas a crença em deus é o desprezo do ser humano. Ela diz que tudo que é humano é falso. Que o verdadeiro é o “por vir” a crença em deus segundo Nietzsche, tem como principal característica pregar a falsidade da natureza humana, do mundo verdadeiro (que é este em que vivemos). Aliás, eu espero que seja realmente o fim da ética, mas da ética religiosa, da ética que tem seus fundamentos em seres inexistentes que foram criadas por homens que visavam interesses particulares e com muita perspicácia souberam ingrupir uma legião de incautos fazendo-os acreditar que essa ética provinha de um “ser superior”.

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