Falta de Alternativas?

Não fosse o acaso, diria que o encontro do Movimento Zeitgeist, ocorrido em 30 de abril de 2011, foi obra da Providência quando, ao propor uma abertura pública para o debate de anseios particulares e coletivos instigasse, justamente por isso, a reflexão subjetiva para o sentido e o propósito da celebração da data do 1º de Maio como Dia do Trabalhador. Isso aconteceu devido à necessidade latente por se construir uma proposta de ação com vistas à implantação dos ideais propagados pelo Movimento; não se quer somente a divulgação ou associação do Movimento à outras ONGs e Entidades como estratégia de mudança, mas cobra-se a ação que resulte finalmente nessa nova sociedade.

O fato catalisador e precursor para a urgência de uma nova proposta política no Movimento fez-se sentir a partir da constatação de que a crise de 2008 não foi somente uma crise financeira, mas uma crise do próprio neoliberalismo, evocando aí o fato de que não temos nenhuma alternativa, nem de esquerda nem de direita mais, que articule uma transição para um novo paradigma social sem cair no caos e no conflito, ainda mais se consideramos o fato de não haver uma alternativa de socialista atraente, a não ser somente aquela retórica vazia dos que muito falam e pouco fazem.

Tenho a sensação de que a proposta do Movimento em superar a escassez de recursos pela abundância é válida mas que esta somente se dará pelo colapso total de nossa sociedade, o que necessariamente implica em derramamento sangue, haja visto que não se quer rearticular e reabsorver o pensamento esquerdista. Ou seja, não se quer apropriar o Socialismo como elemento intermediário que garantiria o gradual desprendimento do hoje para o amanhã.

Essa revisão da História seria capaz de trazer novos olhares à erros e acertos cometidos pelo caminho, pois temos a chance de , calmamente – ainda que urgentemente – analisar e sanar as aparentes contradições e dificuldade que nossos antepassados nos legaram ao focar os sintomas sem perceber as causas. A exemplo, para Marx, o Estado deveria ser abolido uma vez que os meios de produção seriam posse da coletividade, sugerindo que um “algo” – semelhante ao Estado – falaria e decidiria em nome dessa coletividade.

Surge, então, um vazio não só conceitual mas também prático que ainda não foi devidamente implementado ou resolvido, pois Lênin propôs o Partido Comunista como esse “algo” numa inversão de nomes apenas, em que se substitui o Estado burguês pelo partido único. A dificuldade, portanto, torna-se dupla: o que substitui o Estado quando o mesmo é extinto em prol da democracia? E como pode ser democrática uma sociedade em que há apenas um só partido/movimento?

Vendo assim em retrospecto, parece-me que o ideal socialista não vingou nas diversas experiências passadas justamente porque não conciliou uma boa proposta de  democracia, com a liberdade de expressão e com o desejo individual. Portanto, resta-nos a pergunta: como transitar sem caos nem violência de um contexto capitalista e globalizado para uma Economia Baseada em Recursos essencialmente democrática e livre sem um sistema que efetivamente suprima o poder do Estado e das Corporações internacionais sem, contudo, ser arbitrário e unilateral?

Não é estranho que a proposta Zeitgeist esteja estanque atualmente nesse estágio de utopia, pois não conseguiu ainda propor nenhuma linha de ação que permita essa transição, a não ser sua pregação subliminar do Caos Final, como se o anúncio de um Armageddon secular incentivasse a implantação dessa Nova Ordem. Isso é assim devido à teimosa insistência em querer estar desvinculado de qualquer proposta já erigida anteriormente, como se o Movimento fosse isento de sua historicidade, como se a adesão aos princípios do Socialismo o tornasse menos legitimo ou original!

Afinal, no vazio deixado pela sociedade do consumo e pela destituição dos ideais esquerdistas, é preciso propor algo consistente que concilie o Movimento com a democracia, com a supressão do Estado com vistas à implantação do futuro que todos nós almejamos.

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