MARKETING: gênese da sociedade do vazio.

Nos últimos anos, os impactos sociais e ecológicos do capitalismo global tem sido uma preocupação de muitos estudiosos das ciências humanas e sociais. Essa economia (que deveria chamar-se acertadamente de Desperdício) aumentou a desigualdade social, decretou o fim da democracia, a deterioração do meio ambiente e alienou as pessoas do sentido de viver, agravado pelo constante sentimento de culpa e do surto de casos de depressão.

De fato, a depressão mostra-se como sintoma social de uma doença muito mais profunda; isso porque vivemos na sociedade simulada e dissimulada de Baudrillard e da sociedade do espetáculo de Guy Débord, justamente porque o que dá sentido à vida é a mensagem propagada pelo marketing de que o consumo é o que realmente importa.

Aqui minha crítica se dirige aos gastos, à supervalorização e aos anos de estudo que os jovens perdem nas escolas e universidade de Marketing ao ajudar a erigir uma sociedade do fútil. E pior: sociedade de consumo não significa que todos estejam consumindo avidamente (pois a maioria não dispõe de recursos para comprar o que é veiculado na mídia), mas que as pessoas medem-se umas às outras pelo que elas possuem e/ou podem possuir.

Inversamente do que a propaganda prega, nossa sociedade não é mais livre, mais feliz e com mais opções de lazer, mas justamente o oposto! Segundo dados da OMS, prevê-se um aumento epidêmico da depressão nos países ocidentais para daqui a apenas 10 anos! Hoje, uma pessoa deprimida, além de sentir todo o sofrimento da doença em si, a sensação de vazio, de que a vida não vale a pena, de que ela mesma não vale a pena, de que os dias ou passam muito lentamente ou muito velozmente, enfim, a falta de vontade de viver basicamente, recebe um acréscimo de culpa por se estar na condição da depressão numa sociedade que prega a moral da alegria, do prazer e de que é necessário estar sempre bem, resulta num indivíduo esvaziado de valores, justamente por não estabelecer valor algum além daquele de consumir sempre um pouco mais.

E isso é muito patente nos adolescentes, pois eles são aquilo que os adultos gostariam de ser; são o retrato da sociedade de consumo: vazios intelectualmente (apesar da disponibilidade infinita de informação por todos os lados), sempre atentos às tendências de moda e tecnologia, ávidos por adquirir a última novidade, sustentados pelos pais, despreocupados com o outro e com o planeta, são apáticos política e filosoficamente. Vivem numa “festa perpétua” que na realidade não existe mas que é insinuada através de outdoors, comerciais e apelos midiáticos diversos. O adolescente de nosso tempo é a síntese das possibilidade da infância e das frustrações da idade adulta.

A transformação de tudo em mercadoria expropriou direitos elementares da maioria das pessoas, razão que explica o deficiente sistema de saúde, a política e polícia corruptas e de uma educação que procura perpetuar esse status quo.

A ascensão do capitalismo global através de seu golpe de marketing procura maximizar seus lucros e elevar o poder de suas elites. Numa sociedade assim regrada, o valor central – lucratividade – caminha de mãos dadas com a exaltação do consumo, reforçada por uma corrente infinita de mensagens publicitárias criada por criativos jovens egressos das faculdade de marketing o qual se especializam em criar a ilusão de que a acumulação de bens não só é o caminho que leva à felicidade como é o objetivo último da vida.

Em suma, o marketing é esse instrumento sujo que inculca em todos a sociedade do vazio, configurando-se em um desserviço social.

 

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