SOFISMA PENTECOSTAL (PARTE 5)

Atos Desmistificado

 

Levando em conta o princípio Sola Scriptura adotado a partir da Reforma Protestante como parâmetro de interpretação bíblica e das experiências religiosas, veremos se este movimento carismático moderno refere-se ao que era vivenciado pelos cristãos no início do cristianismo.

No primeiro texto de Atos é óbvio que a língua falada era a própria língua em que cada um ouvia; ou seja, o milagre foi que cada um, independente de sua etnia, ouvia os cristãos e os entendiam perfeitamente, já que estes falavam em seus próprios idiomas.

Já no texto de Atos 10 em que os gentios falam em “línguas”, o próprio Pedro frisa que falaram línguas idiomáticas, como se lê expresso em Atos 11:15. O mesmo pode ser dito de Atos 19, visto que Lucas utiliza o mesmo vocábulo “glossa” das demais passagem, dando a entender corretamente que se tratava de línguas humanamente faladas e conhecidas.

Os crentes pentecostais deveriam mudar esse título auto-denominado, pois os sons desconexos e seu balbuciar ininteligível em nada se parecem com as descrições bíblicas de tais eventos que eles alegam provar sua autenticidade. É um verdadeiro tiro pela culatra!

Já o texto de Marcos 16 é usualmente propagado como o pendão que garante que somente os pentecostais realmente crêem ou, pelo menos, crêem corretamente, pois são os únicos dentro do cristianismo a desenvolverem a incrível capacidade de falarem em línguas.

Nada mais equivocado!

Neste trecho, são mencionados cinco sinais que seguiriam aqueles que cressem. Aqui os pentecostais usam de uma artimanha tal que fere o bom senso ao afirmarem que todos os sinais listados, tirando o falar em línguas, acontecem ocasionalmente e independem da vontade e do querer, somente o “falar em línguas” é algo a ser desejado, buscado e praticado!

Contudo, os sinais estão aqui listados um após o outro ininterruptamente, de tal forma que o que for dito de um, necessariamente será dito de outro. Pois a teologia pentecostal é enfática em exortar a busca pelo batismo do Espírito santo que, trocando em miúdos é, para eles, sinônimo de “falar em línguas”. E constantemente utilizam do verso 38 de Atos 2 como prova de que o dom do Espírito é o falar em línguas. Porém, não há indícios de que os três mil convertidos daquele dia tenham falado em línguas. Querer dizer o que o texto não diz é muita pretensão!

E aqui aparece algo muito claro, mas que os pentecostais rejeitam: a doutrina de que arrependimento é suficiente para o recebimento do batismo do Espírito Santo; ou seja, quando alguém se arrepende e crê na pregação, recebe o Espírito santo, e não num tempo depois, fruto de uma diligente busca por parte do fiel, como se fosse uma recompensa por seu bom comportamento!

Em Atos 8 devemos destacar que o texto, além de ser um caso isolado sobre o qual não é possível estabelecer doutrina, é uma prova aos cristãos judeus que eram preconceituosos em relaçãos aos samaritanos, de que Deus também os estava aceitando, pois esta manifestação sobrenatural serviu para mostrar que tanto estes quanto aqueles eram iguais e partícipes da mesma comunhão em Cristo. O mesmo se aplica a Atos 10, quando da ocasião do batismo de Cornélio e sua casa, que era um gentio.

A recepção desse dom colocava gentios e samaritanos em igualdade com os judeus cristãos. O texto não prova que cada crente deve buscar receber este dom; nem prova que os crentes estavam buscando por este dom. Mesmo que a entrega dos dons sejam atos soberanos de Deus, como dizem alguns pentecostais, ainda assim insistem que esse recebimento é fruto de orações, busca e petições por parte do fiel. Mas em Atos 11 me parece ocorrer justamente o contrário. Alguém poderia sinceramente afirmar que os gentios estavam buscando e desejando receber o dom de línguas?

Os pentecostais também defendem que o livro de Atos é normativo para a igreja de hoje. Neste caso, todos os eventos registrados no livro podem (e devem) acontecer hoje.

1) Em cada um dos quatro casos (Pentecoste, Samaria, Cesaréia e Éfeso), o dom especial do Espírito, incluindo o falar em línguas (supondo que houve línguas entre os samaritanos), foram dados a grupos inteiros. Em nenhum caso encontramos alguns recebendo o dom e outros não. Isso acontece nas igrejas pentecostais, onde alguns recebem o dom enquanto outros não. Por quê?

2) Nos últimos três casos, os dons especiais do Espírito foram dados a pessoas que não pediram. Ninguém pode provar que os samaritanos, os da casa de Cornélio e os éfesos pediram para serem batizados com o Espírito Santo. Os pentecostais erram em instruir os crentes a buscarem o dom de línguas, visto que em Atos não se encontra tal busca por parte dos crentes primitivos. Um detalhe a mais que devemos notar: em nenhum caso encontramos os apóstolos “treinando” os crentes para receberem o Espírito. Nada de “glória, glória, glória…”!

3) Ainda sobre os três últimos casos, não encontramos uma passagem sequer que nos diga que em Samaria, Cesaréia e em Éfeso, os crentes estiveram comprometidos com uma espécie de “espera do Espírito Santo”. Ninguém estava esperando a descida do Espírito. Ninguém estava buscando ser batizado com o Espírito. Mesmo que se cite o texto de Lucas 24.49 para apoiar a posição pentecostal, o texto está se referindo ao acontecido em Atos 2 somente. O livro de Atos é claro em afirmar que a promessa de derramamento em Lucas 24.49 se cumpriu em Atos 2 (veja 2.33). Portanto a promessa de Lucas 24.49 não é para a igreja hoje, mas foi uma promessa que se cumpriu no dia de Pentecostes.

4) Nos quatro casos, encontramos a presença de, no mínimo, um apóstolo impondo as mãos para os crentes receberem o batismo do Espírito. Em Pentecoste (At 2), em Samaria (8.15-17), em Cesaréia (10.44) e em Éfeso (19.6). Em todos encontramos a presença de pelo menos um apóstolo. Em dois deles, encontramos a imposição as mãos dos apóstolos. Se Atos é normativo para a igreja de hoje, então a manifestação do dom de línguas também é. Atos nos mostra a presença dos apóstolos e com imposição das mãos dos mesmos. Se Atos é normativo, e se Atos nos mostra a presença dos apóstolos em todas as ocasiões, então devemos concluir que precisamos ainda hoje da presença dos apóstolos para orar e impor as mãos sobre nós para sermos batizados com o Espírito Santo?

Todas essas evidências que acompanham o derramamento do Espírito em Atos nos faz acreditar que o falar em línguas nas igrejas pentecostais de hoje não passa de mero emocionalismo criado pelo homem.

Se Atos é normativo, então não faz sentido que se espere por todos os elementos envolvidos em um batismo do Espírito? Se Atos é normativo, então cada registro em Atos é norma para a igreja. Sendo assim, onde estão os apóstolos para impor as mãos sobre a minha cabeça? Há ainda apóstolos hoje?

Diante do que foi exposto nos, a minha conclusão é que não há nada em Atos que nos faça entender que as manifestações extraordinárias do Espírito Santo são para a igreja de hoje, MUITO MENOS QUE SÃO O QUE OS PENTECOSTAIS EXPERIMENTAM EM SEUS CULTOS.

Resta ainda os demais textos de Coríntios para analisar.

 

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