SOFISMA PENTECOSTAL (PARTE 3)

Os Argumentos


A maioria dos cultos de matriz pentecostal ou carismática realizados ao redor do mundo e especialmente em terras brasileiras, sob o pretexto de uma espiritualidade cristã primitiva esquecida, enfatizam o dom de “falar em línguas estranhas” como prova cabal da distinção que o Movimento Pentecostal merece dentro da religião cristã. Para este grupo, toda igreja que não evidencia esta experiência ou, ao menos, não a aceitem da maneira como os pentecostais interpretam, são frios e não possuem experiência do poder de Deus.

Os argumentos para endossar esta postura são tão variados quanto o número de igrejas e denominações que fazem parte do Movimento, fazendo com que o simplesmente tocar no assunto “línguas estranhas” pode fazer parecê-lo um assunto de extrema complexidade ou – ao que parece de fato – de real confusão. Contudo, o argumento principal se restringe a um punhado de textos bíblicos que, para lhes dar credibilidade, é evocada a experiência subjetiva do crente que “sente” essa “doutrina” como algo “verdadeiro”, da qual não tem como negar.

Os que advogam a causa pentecostal argumentam que reconhecem certos “abusos” e até mesmo a operação de “demônios” na tentativa de desviar os crentes. Também reconhecem o “falar em línguas” como um artifício muito utilizado na tentativa de emocionar, avivar e espiritualizar uma reunião.

Os pentecostais, enfim, tendem sempre a usar inapropriadamente as passagens bíblicas e, a despeito das muitas críticas disponíveis*, persistem em não distinguir o que é história, o que é mandamento, o que é doutrina e o que é apenas registros restritos à época em que foram escritos. Razão pela qual os neo-pentecostais, utilizando esse modo de fazer teologia, ensinam que é preciso instituir, ainda hoje, apóstolos. Porém, essa é uma doutrina negada pelos pentecostais. A pergunta que surge é: qual o parâmetro que os pentecostais usam para condenar este pensamento neo-pentecostal? Nenhum, pois é justamente o método criado, endossado e ensinado pelos próprios pentecostais que, de fato, possibilita aberrações teológicas como essas, entre outras que serão tratadas na quarta parte dessa série.

Abaixo seguem os poucos textos que os pentecostais têm a disposição para “provarem” que o que experimentam em suas reuniões é genuinamente um dom divino. Contudo, ele é um Movimento destituído de argumentos bíblicos, lógicos e racionais, completamente cheio de intimidações e ameaças. Justamente por lhe faltarem uma base sólida é comum, desde crentes leigos a pastores renomados, a tentativa de infundir medo nos seus críticos. Essa característica – peculiar às religiões sincréticas e às pessoas viciadas em religião – denuncia a perspicácia dos seus defensores.

Quem, afinal, nunca ouviu, ao questionar o modo pentecostal de entender a Bíblia, as ameaças: “Não blasfeme contra o Espírito santo”, “Deus te julgará por causa disso”, “Olha, o pecado contra o Espírito santo não tem perdão”, “Você vai para o inferno se não aceitar o dom de Deus!”

ATOS 2.1-11 “Tendo-se completado o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam. Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiam e que pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se exprimirem. (…) Nós os ouvimos anunciar em nossas próprias línguas as maravilhas de Deus! Estavam todos estupefatos. E, atônitos, perguntavam uns aos outros: Que vem a ser isto? Outros, porém, zombavam: Estão cheios de vinho doce!”

ATOS 10.44-46 “Pedro estava ainda falando estas coisas, quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviram a Palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, ficaram estupefatos ao ver que também sobre os gentios se derramara o do Espírito Santo, pois ouviram-nos falar em línguas e engrandecer a Deus.”

ATOS 11.15 “Ora, apenas começara eu a falar, desceu o Espírito Santo sobre eles, assim como sobre nós no princípio.”

ATOS 19.1-7 “Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, depois de ter atravessado o planalto, chegou a Éfeso. Ali encontrou alguns discípulos e perguntou-lhes: Recebestes o Espírito santo quando abraçaste a fé? Eles responderam: Mas nem ouvimos dizer que haja um Espírito santo. E ele: Em que batismo fostes, então, batizados? Responderam: No batismo de João. Paulo então explicou: João batizou com um batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que viria após ele, a saber, em Jesus. Tendo ouvido isto, receberam o batismo em nome do Senhor Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo veio sobre eles: puseram-se então a falar em línguas e a profetizar. Eram, ao todo, cerca de doze homens.”

I CORÌNTIOS 12.8-10,28 “A um, o Espírito dá a mensagem de sabedoria, a outro, a palavra de ciência segundo o mesmo Espírito; a outro, o mesmo Espírito dá a fé; a outro ainda, o único e mesmo Espírito concede o dom de curas, a outro, o poder de fazer milagres; a outro, a profecia, a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, o dom de falar em línguas, a outro ainda, o dom de as interpretar. (…) E aqueles que Deus estabelecu na Igreja são, em primeiro lugar, apóstolos; em segundo lugar, profetas; terceiro lugar, doutores… Vem a seguir, os dons dos milagres, das curas, da assistência, do governo e o de falar diversas línguas.”

Assim, não me assusta pensar que tipo de reação os leitores pentecostais terão ao ler essa série de artigos aqui postados!

*Teologia do Espírito Santo, Frederick Dale Brunner; Os Carismáticos, John McArthur; O Batismo do Espírito Santo, Dennis Smith; Batismo e Plenitude do Espírito Santo, John Stott; Sinais dos Apóstolos, W.J.Chantry

 

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