SOFISMA PENTECOSTAL (PARTE 2)

CARACTERIZAÇÃO

 

O Brasil é, por sua formação histórica, um país essencialmente sincrético em suas formas religiosas. Não é de admirar que seja justamente o viés pentecostal, dentro do Cristianismo, aquele que mais cresce e vigora no país sendo, inclusive, importante fonte de recursos financeiros. Isso porque as igrejas pentecostais e neo-pentecostais possuem um colorido próprio e uma cultura variada que atende e reproduz os anseio de milhões de brasileiros por experiências com o divino, com o mundo espiritual. Hoje, existem igrejas para qualquer tipo de orientação de vida, qualquer estilo, qualquer modo de pensar, qualquer “tribo” pode ser bem-vindo à nação pentecostal. Parece que o único quesito para o “adorador” é o falar em línguas estranhas: o comum alabânca, alabachéia!

Sim, é esse molejo de corpo, essa malandragem de espírito, esse sincretismo de ações e esse balbuciar impronunciável que pastores, bispos, teólogos e leigos pentecostais e neo-pentecostais orgulhosamente ostentam como sendo a genuína e derradeira mostra do Poder de Deus e da manifestação da Terceira Pessoa da Trindade, o Espírito Santo!

Se perguntássemos a alguém o que é um “crente”, ouviríamos a definição como homens de terno, com a Bíblia debaixo do braço e mulheres de cabelos longos e saia na altura dos joelhos… (claro que, como disse, essa, hoje em dia, é uma caracterização popular e pitoresca, já que existem “crentes” de todas as formas, nuances e matizes). Basicamente este estereotipo diz respeito aos membros do Movimento Pentecostal que surgiu em 1906, em Los Angeles, Califórnia, baseando-se na crença de que o Espírito Santo opera na vida do crente com a evidência máxima da glossolalia (falar em línguas inteligíveis) e de convulsões corporais que são descritas como a manifestação desse poder divino e apontado como prova inconteste de que são um grupo distinto. Os pentecostais crêem que a principal missão na Terra, além do proselitismo, é combater o diabo que impede a conversão, e em geral o fazem de forma ardorosa. Foi justamente o intenso fervor com que os pentecostais demonstraram sua fé que levou outros grupos religiosos a denominá-los ‘belivers’ – cuja tradução literal (crentes) passou a ser usada pejorativamente.

Os cultos ruidosos, pregação incisiva e intimidadora, intercessões, curas, línguas estranhas, cânticos de desapego total do mundo, tudo isso é típico de uma reunião pentecostal. Não há muito estudo da Bíblia, as verdades eram, conforme acreditavam, fortemente imprimidas através do batismo no Espírito Santo que é o objetivo mais importante da reunião. Prova disso é que não há, nas fileiras pentencostais, nenhum teólogo proeminente, suas convicções religiosas são embasadas pelos livros escritos por outras denominações e seus membros não possuem uma fé coerente e sólida, razões porque existem milhares de dissidentes e outras tantas divisões denominacionais dentro do movimento pentecostal.

Um dos problemas dos pentecostais é que se prendem acirradamente às suas crenças sem questionamentos, mantendo uma relação de hostilidade com outro grupo cristão. São arraigados às suas ideologias pretensamente completas, marcado pelo dogmatismo estéril, cristalizado numa visão maniqueísta do mundo. Enquanto o correto seria uma busca racional de reflexão na Bíblia, imbuída do desejo de atingir a verdade, a ideologia pentecostal é uma falsa racionalização que estabelece verdades para sustentar desejos. Ou seja, o estudante pentecostal da Bíblia enxerga aquilo que quer ver, não aquilo que está escrito. É, portanto, uma forma de consciência da realidade, mas uma consciência parcial, ilusória e enganadora que baseia-se na criação de conceitos e preconceitos como instrumento de dominação. Não é à toa que normalmente essas igrejas fazem sucesso nas camadas inferiores da sociedade, onde a real percepção está abaixo de sua vontade, de seu desejo de auto-afirmação. A dialética pentecostal lança mão da ideologia como uma dissimulação da realidade, predeterminando o pensamento e a ação destinados a fixar e prescrevê-los de antemão. Essa predeterminação age em conjunto com o senso comum, produzindo um consenso coletivo, generalizando para toda a sua comunidade aquilo que corresponde aos interesses específicos do grupo, visando ocultar os interesses sociais ou políticos envolvidos. Em vez de revelar, oculta. Em vez de esclarecer, falseia. Esconde em vez de descobrir. Sua verdade deve parecer natural, plenamente justificável, válido para todos os homens e para sempre, razão pela qual, no Brasil, é difícil categorizar o pentecostalismo como pura heresia, pois a maioria das pessoas conhecem ou já tiveram contato com sua mensagem e essa, a primeira vista, parece ser bastante bíblica – mas não o é.

Podemos concluir disto que muitos de seus membros vivem uma espiritualidade distorcida, buscando numa igreja e num sistema de crenças um meio para fugir da realidade – um tipo disfarçado de legalismo santificado. Exemplos temos em todas as esquinas das grandes cidades. É possível ver um homem com uma Bíblia na mão vociferando pregações recheadas de ameaças aos descrentes, estapeando sonoramente sua Bíblia garantindo que ela contém todas as respostas. O tom de voz elevado atrai curiosos, mas dificilmente vê-se alguém parecer legitimamente tocado por sua palavras. Ao contrário: em geral seu desempenho destemperado provoca desde risos até expressões de lamentos de pessoas que se dizem condoídas de sua ‘loucura’. Ele, no entanto, não liga o aparente insucesso: nas profundezas de seu ser deve considerar  que sua pregação é uma tarefa heróica, um sacrifício a Deus, justificável por sua demonstração de fé a toda prova.

Ele é o exemplo mais próximo do viciado em religião. Ao invés de sua espiritualidade o libertar para ser mais sensível e criativo, torna-se criatura inflexível, intolerante e obcecada pelo seu modo de ver o texto sagrado e a realidade da vida.

Assim como o drogado, o viciado em religião tenta encontrar um meio para elevar seu senso de valor próprio ou de bem-estar; usa a religião como uma dose de entorpecente. Sente-se um pecador imprestável e procura, fora de si, por algo que afirme o seu valor. Como se sentem freqüentemente julgados por Deus, aprendem a julgar os outros. Por serem decaídos e acreditarem nisso, aplicam-no às outras pessoas, o que as faz sentir-se igualmente degradadas. São marcados pela sensação de inadequação, pela vergonha e pela culpa, procuram abrigo nas práticas religiosas para anestesiá-los da dor que carregam consigo.

Os pentecostais têm uma probabilidade maior de estarem com este problema. Os sintomas dessa ‘doença’ são freqüentemente observado nos fiéis crentes, sendo caracterizados pela:

1 – Inabilidade para questionamentos, ou seja, o texto sagrado (dentro de sua compreensão) passa a ser sua única fonte de informação.

2 – Como abdicam da capacidade de analisar perspectivas variadas, restringe seu universo ao pró ou contra; razão pela qual pode levar pessoas ao fundamentalismo.

3 – Acreditam e ensinam que não são bons o suficiente ou que não estão cumprindo a contento suas práticas ritualísticas.

4 – Aderência rígida e obsessiva por códigos de ética estabelecidos.

5 – Julgamento inflexível aos que discordam de suas crenças.

6 – Orações abusivas, fazendo com que percam o tempo importante destinado à família, utilizando-se do encontro com o divino como desculpa de tal desleixo.

7 – Repetem modelos de pensamentos observados durante a Idade Média referente aos prazeres, principalmente o sexo.

8 – Na busca desenfreada a uma dimensão espiritual elevada através do ascetismo e de jejuns.

9 – Entram em conflito com a ciência, a medicina, a educação por considerar instrumentos de dominação maligna, sem contudo apresentar uma proposta viável para essas áreas.

10 – São capazes de romper com os laços familiares por preferir habitar em sua mente, um mundo povoado por aquilo que aceita, rejeitando o que não condiz com esta perspectiva.

11 – Manipulação do texto religioso para justificar suas crenças 12 – o pseudo-estado de elevação e excitação espiritual em reuniões de seu grupo religioso.

Essa crença geral no espetacular, pela presença de algo extra-sensorial, faz parte de toda e qualquer religião humana que extrapola os limites da razão caindo na falsa concepção de verdade. Aparentemente os pentecostais têm estado imunes a críticas simplesmente por desempenharem seu papel junto ao senso comum no qual não se permite críticas.

Crenças como o falar em línguas, imortalidade da alma, dia de guarda, exorcismos e métodos de descarrego são igualmente aceitas e ensinadas no catolicismo carismático, no espiritismo e nas religiões-afro. Pode-se dizer que o pentecostalismo permitiu um sincretismo nunca antes visto ao aglutinar em seu seio tais perspectivas distintas de espiritualidade.

Falar do pentecostalismo é lidar com um tema de profunda contemporaneidade e, por esse motivo, complexidade. Até que ponto, pergunto, o atual movimento não seria uma nova modalidade de cosmovisão globalizante para o terceiro milênio, haja vista sua intensa capacidade miscigenação e sincretismo? A essa dificuldade soma-se a postura “politicamente correta” com que temos de adotar ao se escrever um artigo sobre esse movimento. Deste ponto de vista quero destacar que meu interesse reside em fazer coro aos muitos eruditos que tem denunciado o pentecostalismo como uma falácia filosófica, teológica e de cosmovisão, um verdadeiro sofisma!

 

 

 

    • primogênito
    • 19 janeiro, 2011

    O que o nosso amado autor esqueceu de lembrar é que, a história do pentecostalismo não nasceu no Brasil e nem de homens que ele tem citado. o Pentecostes propriamente dito, nascera em Jerusalém depois da acensão de Cristo ao Céu.
    O nosso autor deveria ver as raízes do cristianismo, que está na Bíblia, e não na história da igreja somente.

  1. Lol, looks like the owner is a bit self-absorbed, huh?

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