AQUILO QUE OS ATEUS ESQUECERAM

O “novo ateísmo”, esse que é proclamado com fervor evangélico por cientistas como Richard Dawkins, Daniel Dannet e outros pretende, através da persuasão, demonstrar que é irracional e indefensável a crença em algo como Deus. Mas essa é uma falsa opinião que está em agudo contraste com os arguementos oriundos da revolução intelectual, no campo da filosofia, a favor de Deus, que iniciou-se a partir dos anos 60 e que os ateus, ingenuamente, têm esquecido ou propositadamente deixado de lado.

Foi no período imediatamente posterior ao pós-guerra que filósofos americanos e europeus, debruçados sobre o problema da religião, concluíram que esta era algo completamente irracional no sentido em que estava fora das competências empíricas da ciência, já que não podia ser provada através dos cinco sentidos; estes pensadores estavam fortemente influenciados pelo Verificacionismo, que é uma corrente de pensamento ligada diretamente ao método científico e que se justifica a partir da tese de que uma declaração só tem sentido se puder ser verificada se é realmente verdadeira ou falsa; os escritos de David Hume são bastante emblemáticos desse tipo de raciocínio, já que para este filósofo a observação era o único meio de se adquirir um conhecimento puro e racional da realidade.

Contudo o verificacionismo possui em problema já em sua própria definição de que seja a realidade. Se, por um lado ela dá conta de todas as manifestações observáveis como as leis naturais e físicas (denominadas proposições factuais), por outro as afirmações (denominados raciocínios necessários) como expressões matemáticas, expressões tautológicas e sentenças lógicas, apesar de necessários e parte da experiência de todos, são secundários, à medida em que não podem ser verificados.

Certamente não é da competência do verificacionismo dar conta de certas proposições lógicas e racionais que são, por sua própria natureza, impossíveis de serem verificadas ou observadas como o próprio estudo de História, que é algo deduzido, nunca reproduzido; Também a Matemática e sua lógica não é algo “provado” empiricamente, mas sim pressuposta de antemão para “provar” coisas. Além, é claro, das verdades metafísicas que não podem ser verificadas como é o caso da existência de outras mentes além da minha ou de um mundo exterior e real além da minha própria experiência do que seja o real.

Estes pontos, além de outros mais, como os julgamentos morais de certo e errado, bonito e feio, escapam ao espectro de atuação do verificacionismo – símbolo emblemático dessa dificuldade conceitual é a própria ciência que não pode ser verificada, experienciada ou reproduzida pela ciência, pois o próprio método científico é um pressuposto não verificável, mas necessário para a prática dessa disciplina!

Isso significa que a realidade está repleta de conceitos e pressupostos que são aceitos como reais, lógicos e racionais independentemente de haver passado pelo crivo da verificabilidade para serem aceitos. Desse ponto em diante os intelectuais conceberam a possibilidade perfeitamente racional de realidades não verificadas de modo que Deus, outra vez, volta à pauta das discussões. Por exemplo, com o filósofo Alvin Plantinga quer-se estabelecer Deus como fundamento racional para a razão da existência do homem e, com Antony Flew, importante filósofo ateu e verificacionista, a tese ateísta é racional e logicamente coerente até  que o contrário (a existência de Deus) fosse provada. O que coloca,  a partir dessa ótica, o ateísmo como proposição primordial e razoável relegando o teísmo a uma posição ilógica e irracional, justamente porque defender algo como Deus – que não pode ser verificado – seria, para Flew, um contra-senso, algo não factual e não defensável.

Entretanto, por mais lógico e racional que este pensamento aparenta ser, os ateus tem-se esquecido de que existem realidades que estão além do que seja empiricamente verificado. Noutras palavras, Deus seria essa condição que dá suporte a tudo que, em nossa experiência, é evidente por si só, como dito anteriormente, como a racionalidade implícita a toda experiência do mundo físico; a capacidade para agir autonomamente; a consciência; o pensamento conceitual (linguagem) e a personalidade humana. Desse modo, através da razão e da experiência, a percepção de que um mundo com seres pensantes e conscientes deve ter tido uma origem suprafísica igualmente racional, pensante e consciente, algo que os teístas chamam de Deus, sendo não uma proposição indefensável, mas uma superior  condição racional do que a simples negação empreendida pelos ateus.

 

    • Felipe Pinheiro
    • 12 janeiro, 2011

    Haha, espertinho, já que alegas que os ateus inferiorizam os teístas, tens de aceitar que o oposto também vale.
    A questão, ao meu ver, como ateu, é que não há inferiorização do pensamento teísta sobre a existência divina em função da não-verificabilidade da mesma, mas sim pela ínfima probabilidade da existência do mesmo.
    Pra mim é extremamente improvável tal existência e isso é mais que suficiente pra eu ir dormir todos os dias sem fazer qualquer oração, pra eu não me preocupar com punições divinas, pra eu não achar que as coisas dão errado porque Deus quis assim (e, claro, Deus é muito sábio, tem noção do que faz, né), pra eu rir de palavras como “destino”, pra eu não achar que cada coisa nesse mundo tem uma maldita finalidade e por aí vai.
    É claro que há ateus e ateus, teístas e teístas, todos uns mais inteligentes ou estúpidos que os outros e é por isso que sempre vemos acusações de má qualidade de ambos os lados. Assim perdem-se as discussões mais proveitosas só pelos desvios trazidos por estes confetes.
    No fim das contas adimitamos que ateus inferiorizam teístas por acharem porcas as ideias destes e que teístas pensam o mesmo dos ateus. No fundo é assim, arrisco a dizer que para todos, cada qual imaginando como é possível que seu “…eísta” oposto pense de tal forma. O que, é claro, me faz rir, porque gosto de ironias.
    Que saco escrever isso… aff!
    OBS: Lembrando que é considerável a pessoa do maldito dono chato do blog, MESMO ele sendo um teísta (de merda… argh, digo… querido) Hahahahahah!
    Abraço,
    Felipe

    • Marcelo Villar
    • 13 janeiro, 2011

    Eu entendi mais ou menos assim rsrs:
    Começa enrolando no início e meio, para no final dizer: as questões que não podemos e ainda não temos capacidade e conhecimento para responder, a elas chamamos Deus, então parem de perder tempo com a ciência e o que não sabemos hoje vamos chamar de Deus, é muito mais fácil e comodo!

    • Jéssica Cardoso de Oliveira
    • 4 março, 2012

    Bom, pros Ateus nao existe sentido de vida entao, porque eles nao creem em Deus, entao se eles nao creem em Deus, podem fazer qualquer coisa por aí, como faziam antigamente aqueles que nao acreditavam em Deus, matavam, roubavam, estupravam. Ou seja, o homem sozinho desconhece a verdade sobre o bem para si mesmo, entao acaba que se voltando para o seu próprio egoísmo, que é de natureza humana, falho e imperfeito. Portanto aí estaria a razao da existÊncia de Deus: para levar a humanidade ao melhor caminho, a do amor e respeito por todas as coisas que no caso Ele criou. Se para o homem Deus nao existe, entao ele fará tudo o que o seu egoísmo quiser, porque o sentido da vida nao é nada mais que a evoluçao de seu gene, entao basta se voltar para o egoísmo, sem saber que isso é aquilo que mais afeta a humanidade como uma só e é por isso que o mundo em que vivemos é injusto, é cruel, há guerras, há miséria, há uma infinidade de coisas ruins, porque? Porque se para o homem nao existe Deus, entao só existe ele mesmo e outros seres humanos, no caso haveria de ter um senso de competitividade entre todos, em vez de o contrário: “seria olho por olho e dente por dente”, como era com o povo de Moisés quando este falava sobre a Palavra Divina e o povo só seguia seus meros “instintos” ou “pensamentos falhos” acreditando o que era a verdade para si, mas enfim, Deus mostrou as suas Leis como verdades absolutas, porque sozinho o homem jamais as descobriria por completo e entao cometeria uma série de erros para prejudicar o convívio humano e com a natureza, no caso, pensemos que se Deus diz o que é a verdade e a pessoa nao quer seguir, entao de nada adianta, ela terá que sofrer para aprender, mas sofrer por si só, nao porque ele quer castigar quem nao escuta Sua Palavra. Ou seja, a pessoa que vive para a ignorÂncia estará se prejudicando por si mesma, por isso Deus nao impoe nada, ele apenas quer que sigamos Sua Vontade por Amor a humanidade, para que este mundo nao viva um caos, como ele é. De fato, os ateus se equivocam que Deus é tirano e castiga por causa da questao do povo de Moisés, o que nao é verdade, já que era preciso mostrar ao povo o motivo de porque que Deus precisa existir, porque se nao viraria tudo um caos. Se a gente ler sobre Adao e Eva, sabemos que Deus criou o paraíso perfeito com tudo o que eles precisassem e entao falou: “comerás de tudo menos o fruto proibido”. E adiantou? Adao e Eva comeram mesmo assim. O que Deus fez? Nao os castigou, nao os fez sofrer, apenas os expulsou do paraíso, porque se Deus deu tudo para eles e eles nem se quer escutaram Sua Vontade, entao terao que sair do paraíso e aprender através das dificuldades e sofrimentos que a vida vais lhes trazer: terao que caçar pra nao morrer de fome nem de frio, terao que construir sua própria casa para nao ficar sem teto, ou seja, Deus nao ia passar a mao na cabeça deles por cada vez que eles fizessem o que eles bem entendessem, nao é mesmo? Mas mesmo assim Ele nao os abandonou, deixou eles viverem da maneira mais difícil porque a maneira mais fácil ele nao souberam “aproveitar”.

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