9 ¾ – INTERVALO

Crer, antes de tudo, é uma possibilidade intrínseca ao intelecto humano; é a capacidade de transcender a razão e a lógica; é criar, inventar, postular e dimensionar a vida a partir de um ponto objetivo que, não obstante, é subjetivo! Crer é direito de todos e de cada um de nós, é ser livre, é ser humano.

Crer é tudo aquilo que antecede a razão e é tudo aquilo que ultrapassa a razão: na psique humana a razão, a lógica e a objetividade é um mero espectro que transita entre o querer-ser e o ser-em-si. Fui atacado com comentário que fogem à premissa do objetor, e mesmo do diálogo franco, em não se respeitar a liberdade de pensamento. Quer-se, com a desculpa de fomentar um “pensamento racional”, suprimir toda e qualquer manifestação intelectual que não esteja presa às rígidas e inférteis regras de compreensão racional. E, com essa desculpa, institui-se a ditadura da ciência, elevando esta a rainha e senhora do mundo, quase que com os mesmos atributos que são negados a Deus. Noutras palavras, a ciência (ou pelo menos a maneira como alguns a entendem) está ocupando o lugar anteriormente ocupado por Deus. Isso só vem a provar que a necessidade de um ente universal e absoluto é parte integrante da inteligência humana e da maneira como o pensamento se configura em nossos cérebros: podemos negar Deus por uma série de argumentos, mas no fim, esse conjunto de idéias se tornarão o “credo” e a nova “ortodoxia” dessas pessoas – acabarão por conjurar Deus outra vez, ainda que dentro de tubos de ensaio ou fórmulas matemáticas!

Se preciso aqui confessar algo é que realmente não sei se Deus existe. De fato, não tenho prova alguma disso! Se tivesse, isso não seria crença, seria aquiescência! Se querem que eu ofereça “provas” da existência de um algo como Deus, isso não posso dar, nem qualquer outra pessoa neste mundo. Contudo, isso não significa que eu não possa querer crer que tal ser exista: não somente o quero, como posso e tenho o direito de pensar assim.

A psicologia ainda está muito longe de poder dar-nos um substituto a essa “idéia” de um ser divino e da necessidade íntima de algo como “Deus” para a saúde mental. Os próprios ateus provam essa premissa: no lugar de um Deus onisciente, onipresente e onipotente, a razão, a lógica e a ciência ocupam, respectivamente, cada um destes atributos; logo, erigem para si uma “teologia” da deusa Razão. Decorre daí que mesmo aqueles que negam o ser divino, substituem-no psicologicamente por seu correlativo mais forte: a ciência. E isso, desculpem-me os ateus, agnóstico, cientistas e filósofos céticos, isso não é ciência, é misticismo!

Se antes precisei confessar algo, agora explico que os textos até aqui postados não possuem caráter apologético. Cada um deles traz em si, de modo extremamente sintético, os pontos principais que definem o credo cristão. Meu objetivo com a publicação destes não foi afirmá-los como verdade para os outros, mas para mostrar o que é verdade para mim. Claro que esperava comentários, contudo surpreendeu-me o tom desdenhoso com que fui tratado, como se o ato de crer fosse algo imoral e errado (interessante, justamente porque para o próprio objetor essas distinções de certo e errado são meras construções abstratas de algo que, em si mesmas, não comportam nem esta nem aquela característica). Contudo, é difícil irritar-se com isso, pois o mais espantoso é constatar a rápida generalização e a falta de conhecimento das ciências das religiões (sem nem mencionar o desconhecimento da doutrina cristã)! E isso não é culpa do amigo objetor, mas de como a mídia pode ser inexata e de como a maioria dos cristãos estão despreparados para responder com inteligência.

Já vai tempo em que assisti um documentário sobre o Novo Testamento no Discovery Channel em que afirmavam que os quatro evangelhos foram escritos por quatro dos Doze apóstolos de Jesus! Uma afirmação totalmente errada, já que Marcos e Lucas na faziam parte do grupo dos Doze! E, noutra reportagem, veiculada pelo History Channel, fazia-se a afirmação de que os Manuscritos do Mar Morto, em sua tradução, punham em dúvidas e abalavam os fundamentos do cristianismo. Nada mais errado, duplamente! Primeiro, os manuscritos dizem respeito a uma comunidade de judeus não-cristãos e de escritos relativos ao Velho testamento e, segundo, eles ajudaram a dar maior credibilidade a nossas traduções modernas desses livros.

Além desses erros (intencionais ou não, não sei dizer) da mídia e de uma infinidade de livros e revistas editadas mundo a fora, existem aquels cristãos fundamentalistas que engessam a inteligência na medida em que acatam toda e qualquer idéia expressa na Bíblia sem ter vivenciado a arte da dúvida e do questionamento. Pois só é capaz de crer aquele que possui dúvidas profundas. O que tem certezas, não crê, faz ciência! O objetor atingiria seu objetivo se o mesmo estivesse escrevendo para um cristão que acredita simplesmente pelo fato de estar escrito ou de ter-lhe sido ensinado pela igreja, seminário ou escola. De fato, compartilho intimamente das dúvidas e das inquietações que perpassam a mente do amigo (o qual muito aprecio, diga-se de passagem) a diferença entre nós é que, mesmo com dificuldades no processo de crer eu escolhi e encontrei certa racionalidade e certa lógica no ato de acreditar. Assim, o que nos diferencia não é que um crê e outro não, mas que ambos duvidam ao ponto de um apostar em ser possível e outro em não ser possível de modo algum!

Concluindo, esse intervalo servirá apenas como um interlúdio para o que virá a seguir. Deixo claro que não vou, por ora, responder ás objeções levantadas e nem que quando as fizer contentarei a todos, mas procurarei mostrar que mesmo a fé é parte do intelecto humano, tendo igual – ou maior peso – que a razão, haja visto que é ela quem primeiro orienta a vida psicologicamente; pois as questões essenciais do ser humano não nascem do imanência e do raciocínio lógico, mas da necessidade de encontrar sentido últimos.

P. S.: Ao que pareço sentir, as pessoas estão tendendo, nestes nossos dias, a serem menos criativas no pensar e ser mais lógicas e meros repetidores de informação. São capazes de dar respostas prontas, simples, lógicas, matemáticas, mas são incapazes de imaginar, de contemplar a beleza e de viver a vida. Pois no fundo, não possuem valores a orientar suas vidas, pois todos os valores são, de antemão, descartados, por não serem absolutos em si mesmos. Ou pelo menos eles dizem isso e pensam outra coisa? Será? Se for, isso seria mero cinismo e falta de sinceridade consigo próprios!

Quem lê um texto e não consegue extrair dele prazer e beleza, vive um vida cinza e desprovida de sentido. Isso acontece porque sacrificam a capacidade de transcender pela fria e limitada capacidade de informar-se mais e mais. Estamos vivendo a era das pessoas-máquinas e das máquinas cada vez mais dotadas de emoções. Que está a acontecer? Que inversão é essa? Se todos nós começarmos a sermos frios, tecnológicos e racionalistas em nossa abordagem da vida realmente não enxergaremos mais distinção entre certo e errado, entre beleza e feiúra, entre bem e mal, entre inteligência e informação – e aí perderemos o que de mais humano nos resta: a capacidade de nos emocionarmos.

 

    • H.Gil
    • 6 dezembro, 2010

    Crer, antes de tudo, é uma possibilidade intrínseca ao intelecto humano;
    Se é uma possibilidade, então não é intrínseco. Eis que algo é intrínseco quando é obrigatório.

    é a capacidade de transcender a razão e a lógica;
    A loucura e insanidade também são capacidades de se “transcender a razão e a lógica”. Transcender algo não implica necessariamente em algo bom. Aliás, é ônus do autor demonstrar isso o que ele não fez. Outrossim, penso que “transcender=ir alem” da razão e da lógica, não traga qualquer benefício, eis que seguir algo ilógico e irracional é tipicamente considerado ignorância, burrice e estupidez.

    é criar, inventar, postular e dimensionar a vida a partir de um ponto objetivo que, não obstante, é subjetivo! Crer é direito de todos e de cada um de nós, é ser livre, é ser humano.
    Não há dúvidas de que o autor encontra-se equivocado. É evidente que os significados das palavras crer, criar, inventar, postular e dimensionar não são os mesmos! A leitura de um simples dicionário bastaria para comprovar. Ademais, é preciso ressaltar que o desejo íntimo do autor de querer dar novos significados a palavra “crer” não faz com que isso efetivamente ocorra. Dito de outra forma o fato de eu desejar que o branco seja também vermelho, azul e rosa, sob o argumento subjetivista, não torna o branco outra cor senão branco! Crer é aceitar como verdade algo que não se possui qualquer evidência, indícios ou prova. Crer é aceitar sem questionar. Não há outro significado.

    Crer é tudo aquilo que antecede a razão e é tudo aquilo que ultrapassa a razão: na psique humana a razão, a lógica e a objetividade é um mero espectro que transita entre o querer-ser e o ser-em-si.
    Concordo com o autor! Agora, me digam o que antecede a razão? O ser humano deixa o estado natural marcado pela irracionalidade e animalidade e após o desenvolvimento racional passa a criar laços sociais. De outra banda, o que ultrapassa a razão? A loucura, a intolerância, todo extremismo que desconsidera o ser humano ou as convenções racionais. Uma vez mais não consigo ver qualquer benesse em qualquer coisa que anteceda ou ultrapasse a razão. E frise-se que o autor também demonstrou isso. Por fim, salutar o fato trazido a baila pelo autor do artigo no que se refere ao “querer-ser e o ser-em-si”. É evidente que o querer-ser não é o ser-em-si. Assim, a crença quer-ser verdade. Mas não é em si verdade. Pois, para algo ser-em-si é necessário que possa ser demonstrado e comprovado isso. É o que chamamos de teste da falseabilidade. Não obstante a razão, a lógica e a objetividade são algumas das ferramentas que servem para analisar proposições humanas e verificar se elas apenas “querem-ser” ou se realmente “são”. Sob o crivo dessas ferramentas vem-se desde o surgimento das mesmas (as ferramentas) demonstrando que a religião não é nada mais do que um “querer-ser”, sem contudo conseguir alcançar um “ser-em-si”, eis que tem como base fatos e fundamentos que não são comprovados.

    Fui atacado com comentário que fogem à premissa do objetor, e mesmo do diálogo franco, em não se respeitar a liberdade de pensamento.
    Caro Leandro. Não esperava que fosse necessário fazer essa explicação em razão da amizade de longa data que mantemos. Contudo, vou exercer o direito de explicação.
    1- Você não foi atacado. O que foi atacado foi seu texto e argumentos, o que é diferente. Se eu atacasse a sua pessoa para justificar meus argumentos, isso seria uma falácia ad hominem (http://ceticismo.net/ceticismo/logica-falacias/#argumentum-ad-hominem) o que eu procuro evitar. E revendo os meus comentários não vi nenhum ataque feito a sua pessoa, apenas aos seus argumentos. Então só posso supor que você incorreu na falácia do apelo a misericórdia (http://ceticismo.wordpress.com/religiao/tipicas-justificativas-religiosas/#13). Mas no intuito de esclarecer os fatos deixo claro aqui que as minhas críticas se dão em face dos seus textos e argumentos. Dessa forma reitero os votos de respeito e apreço que mantenho por nossa amizade.
    2- O que você quis dizer com: “comentários que fogem a premissa do objetor”? Pois não consigo verificar qualquer significado nessa afirmação.
    3- Me deixa perplexo a sua afirmação: “e mesmo do diálogo franco, em não se respeitar a liberdade de pensamento” Eu fugi de um diálogo franco? Ora, lhe aprouveria que eu dissesse que concordo com tudo que você escreve, sendo que no meu íntimo discordasse integralmente de suas afirmações? Deseja você que eu lhe diga o que queres ouvir ainda que no meu pensamento ache seus argumentos incoerentes? Isso é franqueza para você? Pois para mim isso se chama falsidade, hipocrisia, enganação! Dessa forma, não há argumentos que demonstrem que agi com falta de franqueza que hora me acusa (por sinal, isso é um ataque direito a minha pessoa, mas em se tratando de um debate sobre o tema proposto não vejo motivos para elevá-lo para a seara da ofensa pessoal). Ainda por fim afirmas que não respeito a liberdade de pensamento. Caro Leandro, apenas para relembrar-lhe o fato de eu discordar de você não implica que eu ache que você não tem o direito de expressar seus pensamentos. Aliás, se eu realmente achasse que você não tem o direito de se manifestar, eu seria indiferente, não dispensaria nenhum segundo para ler seus textos. Assim, acho que cabe ao caro amigo não apelar para argumentos falaciosos de que estou querendo calar sua voz. Lembre-se que quem fez (e ainda faz) isso é/foi a Igreja com o Index Librorum Proibitorum com a Inquisição, Noite de São Bartolomeu, entre outros.

    Quer-se, com a desculpa de fomentar um “pensamento racional”, suprimir toda e qualquer manifestação intelectual que não esteja presa às rígidas e inférteis regras de compreensão racional.
    Quem quer eliminar as forma de manifestação intelectual? A ciência? O pensamento racional? Não se sustenta tal argumento. Eis que constitui o pilar base do pensamento racional o debate e a argumentação. Todavia, o que se propõe a compreensão racional é: Ante ao embate/confronto de pensamentos um deve sair vitorioso e ser seguido, devendo o outro ser descartado. O pensamento racional não IMPÕE que o argumento vencedor seja seguido fica a cargo da pessoa escolher segui-lo ou não. Da mesma forma que eu não me oponho a ninguém que queira tomar por vontade própria veneno pensado que este lhe fará bem. A mim cabe no máximo alertá-lo expondo os motivos, que vindo a ingerir o veneno irá morrer. Todavia, o dogma (este baseado na religião) foi por muito tempo imposto a população de modo que não era facultado as pessoas seguirem ou não. Aliás, ainda cabe demonstrar outro equívoco seu ao afirmares que: as regras da compreensão racional são rígidas e inférteis. Realmente também penso que deveria ser desnecessário tal explicação, mas é evidente o desconhecimento (ou má-fé que acredito não ser o caso) do autor ao asseverar tal posicionamento. Como dito alhures o pensamento e compreensão racional advém do confrontamento de ideias, opiniões onde ao final uma irá persistir. O pensamento racional é um método , uma forma e não uma afirmação como um dogma! O dogma é rígido não tolera ou admite questionamento! O pensamento racional é flexível qualquer um poderá contradizer um argumento desde que prove e comprove através do método (racional) que ele é superior ao argumento que se está confrontando. Além disso, como dizer que o pensamento racional é infértil? Como? Como sustentar a inutilidade dele caro amigo? Me explique como alguém que age irracionalmente poderá agir melhor do que aquele que adota o método racional? Quer dizer que todas as leis, normas e convenções que foram criadas pelo homem e que bem ou mal tornam possível a convivência social de nada servem? Não consigo acreditar que você realmente pense isso. E se realmente o pensa, é ônus seu demonstrar tal afirmação o que afirmo ser impossível, mas se quiser tentar reserve um artigo demonstrando como o pensamento racional é infértil e desnecessário. Na minha opinião sua afirmação foi lamentável.
    E, com essa desculpa, institui-se a ditadura da ciência, elevando esta a rainha e senhora do mundo, quase que com os mesmos atributos que são negados a Deus.
    Não se trata de uma desculpa. Não é possível que alguém negue que a ciência tornou a vida das pessoas muito melhor! E mais a ciência fez pelo homem em pouco mais de 100 anos mais do qualquer outra religião fez em milênios! Não há como se negar isso! A ciência melhorou nossa saúde, nosso transporte, nossas cidades, nosso meio ambiente, nossa alimentação. Elucidou fatos que eram obscuramente para não dizer mentirosamente explicados pela religião. A ciência não quer governar o mundo ou os homens como a religião quis e ainda quer. A ciência é um método que separa o conhecimento que merece respeito daquele que não passa de uma afirmação falaciosa.

    Noutras palavras, a ciência (ou pelo menos a maneira como alguns a entendem) está ocupando o lugar anteriormente ocupado por Deus.
    A ciência não ocupa o lugar de deus. Isso porque apesar de ela também ser uma criação humana é possível fazer prova dela. A ciência não reclama para ela o título de criadora do universo, mas ela se propõe a estudar as causas e tentar descobrir como surgiu, entre outras coisas. A ciência vem funcionando como a Navalha de Occam separando o conhecimento que pode ser provado e nos é útil daquilo que é uma simples afirmação fruto da imaginação humana e que não se sustenta ante a uma análise mais séria.
    Isso só vem a provar que a necessidade de um ente universal e absoluto é parte integrante da inteligência humana e da maneira como o pensamento se configura em nossos cérebros: podemos negar Deus por uma série de argumentos, mas no fim, esse conjunto de idéias se tornarão o “credo” e a nova “ortodoxia” dessas pessoas – acabarão por conjurar Deus outra vez, ainda que dentro de tubos de ensaio ou fórmulas matemáticas!
    A afirmação de que o ser humano necessita de um ente universal é tão válida como o fato de eu afirmar que um dependente químico necessita de drogas. Você considera que as drogas são uma necessidade universal? Não é necessário um ente universal. Freud já ensinava que essa necessidade (alegada por você) constituía-se em uma neurose obssessiva (http://glauberataide.blogspot.com/2007/10/freud-e-religio-neurose-obsessiva.html) Assim, a dita “necessidade” não é parte integrante da “inteligência” mas sim uma doença que afeta a capacidade intelectual das pessoas. Afirmar que os métodos ou instrumentos utilizados para se desmistificar um Deus irão se tornar um novo Deus é uma falácia. Isso porque os métodos e instrumentos não exigirão que as pessoas lhe prestem reverência, não irão se autoproclamar a resposta para todas as coisas, não irão dizer que o sentido das coisas se encontra neles. Métodos e Instrumentos não são fins ou justificativas, são meios e formas para se chegar a uma conclusão nada além disso.
    Se preciso aqui confessar algo é que realmente não sei se Deus existe. De fato, não tenho prova alguma disso! Se tivesse, isso não seria crença, seria aquiescência! Se querem que eu ofereça “provas” da existência de um algo como Deus, isso não posso dar, nem qualquer outra pessoa neste mundo. Contudo, isso não significa que eu não possa querer crer que tal ser exista: não somente o quero, como posso e tenho o direito de pensar assim.
    Claro que não impede. Não impede também que as pessoas acreditem em fadas e doentes, dragões, no saci-pererê. Agora seja sincero e me diga qual sua opinião sob essas crenças? Se você foi sincero terá respondido que acha essas crenças estúpidas. Agora o que impede outras pessoas de também acharem os seguidores da sua crença estúpidos?

    A psicologia ainda está muito longe de poder dar-nos um substituto a essa “idéia” de um ser divino e da necessidade íntima de algo como “Deus” para a saúde mental.
    A psicologia não quer um substituto ela busca demonstrar a desnecessidade como Freud já asseverava. E uma vez mais o autor afirma a necessidade de um deus. Primeiro pergunta: De qual deus? Esse argumento é falacioso: (http://ceticismo.wordpress.com/religiao/tipicas-justificativas-religiosas/#59 e http://ceticismo.wordpress.com/religiao/tipicas-justificativas-religiosas/#61) e A simples existência de ateus e agnósticos demonstra sua fragilidade! Ateus e Agnósticos vivem sem deus algum e não veem problema nisso.

    Os próprios ateus provam essa premissa: no lugar de um Deus onisciente, onipresente e onipotente, a razão, a lógica e a ciência ocupam, respectivamente, cada um destes atributos; logo, erigem para si uma “teologia” da deusa Razão.
    Eu até hoje não consigo entender quantas vezes terei que explicar que ateísmo e agnosticismo não são religiões ou crenças. Na boa acho que o problema está na capacidade de interpretação de texto dos religiosos. Mas ai vai dois artigos que mais uma vez explicam que ateísmo, agnosticismo, racionalismo, lógica e ciência não são religiões: http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2007/04/atesmo-religio.html e http://nebulosabar.com/comportamento/ateismo-e-religiao/

    Decorre daí que mesmo aqueles que negam o ser divino, substituem-no psicologicamente por seu correlativo mais forte: a ciência. E isso, desculpem-me os ateus, agnóstico, cientistas e filósofos céticos, isso não é ciência, é misticismo!
    Ausência não é substituição. Qual a dificuldade de compreender isso? Misticismo não guarda relação alguma com ateísmo, agnosticismo, filosofia, ceticismo ou ciência. O autor ou não se deu o trabalho de saber o significado e no que consiste cada um dos vocábulos ou não compreendeu direito.

    Se antes precisei confessar algo, agora explico que os textos até aqui postados não possuem caráter apologético. Cada um deles traz em si, de modo extremamente sintético, os pontos principais que definem o credo cristão. Meu objetivo com a publicação destes não foi afirmá-los como verdade para os outros, mas para mostrar o que é verdade para mim.
    Meu objetivo não foi obrigar as outras pessoas a acreditar no que digo. Busquei apenas tecer comentários e apontar incoerências que encontrei nos seus textos.

    Claro que esperava comentários, contudo surpreendeu-me o tom desdenhoso com que fui tratado, como se o ato de crer fosse algo imoral e errado (interessante, justamente porque para o próprio objetor essas distinções de certo e errado são meras construções abstratas de algo que, em si mesmas, não comportam nem esta nem aquela característica).
    Uma vez mais parece o autor apelar para a falácia da misericórdia e perseguição. Não pode ser surpresa ao autor a forma com que foi feito os comentários eis que o próprio autor já conhece o objetor e a forma com que ele escreve e expõe suas ideias. O fato de crer ou não crer não guarda relação como moral, ou certo ou errado. Não obstante, me posiciono no sentido de que a crença privada não constitui qualquer problema. Aliás, é direito garantido de todos. Contudo, como já falei anteriormente minha oposição se dá, para quando as pessoas utilizam suas crenças para justificar argumentações, como se a crença privada tivesse validade pública. Se a crença é privada com que direito um religioso analisa outra pessoa sob a perspectivas das regras que ele (o religioso) segue? Quantas foram as vezes que o autor afirmou serem suas crenças e convicções válidas para outros que não ele mesmo. Basta voltar nos artigos e pinçar essas afirmações. Então como digo se a crença das pessoas se limita-se aos assuntos particulares dela não haveria problemas, inclusive defendo o direito de elas. Todavia, não posso aceitar que tais pessoas propagem suas crenças a outras pessoas como se verdade fosse. Ao fazerem isso é evidente o intuito de arrebanhar mais seguidores. Ao se propagar a terceiros afirmações que não se tem prova está se agindo como já falei de maneira, imprudente, irresponsável.

    Contudo, é difícil irritar-se com isso, pois o mais espantoso é constatar a rápida generalização e a falta de conhecimento das ciências das religiões (sem nem mencionar o desconhecimento da doutrina cristã)!
    Se houve tanto desconhecimento por parte do objetor, porque o autor não as demonstrou aqui? Engraçado que ele se limita a dizer que eu desconheço, mas não demonstrou onde estão meus erros. Como eu disse, o ônus é daquele que afirma.

    E isso não é culpa do amigo objetor, mas de como a mídia pode ser inexata e de como a maioria dos cristãos estão despreparados para responder com inteligência.
    Evidente que para ser minha culpa, primeiro deverá o autor demonstrar onde estão os erros.

    Já vai tempo em que assisti um documentário sobre o Novo Testamento no Discovery Channel em que afirmavam que os quatro evangelhos foram escritos por quatro dos Doze apóstolos de Jesus! Uma afirmação totalmente errada, já que Marcos e Lucas na faziam parte do grupo dos Doze! E, noutra reportagem, veiculada pelo History Channel, fazia-se a afirmação de que os Manuscritos do Mar Morto, em sua tradução, punham em dúvidas e abalavam os fundamentos do cristianismo. Nada mais errado, duplamente! Primeiro, os manuscritos dizem respeito a uma comunidade de judeus não-cristãos e de escritos relativos ao Velho testamento e, segundo, eles ajudaram a dar maior credibilidade a nossas traduções modernas desses livros.
    Porque você não fez um artigo demonstrando e apontando os erros desses documentários? As afirmativas do autor constituem outra falácia típica dos religiosos (http://ceticismo.net/ceticismo/logica-falacias/#evidencia-anedotica) Se o autor pretende ter os supostos erros encontrados por ele reconhecidos, deverá demonstrá-los.

    Além desses erros (intencionais ou não, não sei dizer) da mídia e de uma infinidade de livros e revistas editadas mundo a fora, existem aqueles cristãos fundamentalistas que engessam a inteligência na medida em que acatam toda e qualquer idéia expressa na Bíblia sem ter vivenciado a arte da dúvida e do questionamento.
    Se a bíblia é produto de deus ela deve ser INTEIRAMENTE acatada. Se ela não for INTEIRAMENTE acatada por alguém essa pessoa está condenada. Como já foi dito se um religioso crê que ele pode decidir o que é certo ou errado na bíblia ele mesmo já está de modo tácito admitindo que o deus que ele diz crer não cumpre com a palavra. Pois na bíblia está claro de que aquele que deixar de cumpri-la terá que aguentar a ira do deus judaico-cristão. Dessa forma ou se segue a bíblia na integralidade ou se vai para o inferno. Não tem meio termo!

    Pois só é capaz de crer aquele que possui dúvidas profundas.
    Corrigindo: Só é capaz de crer aquele que possui dúvidas profundas e tem preguiça de procurar explicações e pesquisar sobre os fatos que são afirmados na bíblia sopesando-os com opiniões contrárias e verificando qual possui mais probabilidade de estar correto.

    O que tem certezas, não crê, faz ciência!
    Erro de ordem. Quem tem certeza não faz ciência. A ciência busca os meios para chegar as certezas. Como eu disse em outros artigos, não se parte da conclusão para as premissas e sim das premissas busca-se uma conclusão.

    O objetor atingiria seu objetivo se o mesmo estivesse escrevendo para um cristão que acredita simplesmente pelo fato de estar escrito ou de ter-lhe sido ensinado pela igreja, seminário ou escola. De fato, compartilho intimamente das dúvidas e das inquietações que perpassam a mente do amigo (o qual muito aprecio, diga-se de passagem) a diferença entre nós é que, mesmo com dificuldades no processo de crer eu escolhi e encontrei certa racionalidade e certa lógica no ato de acreditar.
    Suponho que se um desconhecido chegasse até o autor, e lhe pedisse emprestados todas as economias do autor dizendo que daqui a três dias lhe devolveria todo o valor que pegará emprestado, com certeza o autor não aceitaria tal proposta, pois não seria prudente emprestar todas as economias a alguém que não se conhece, não se sabe onde reside, não se tem qualquer segurança de que irá cumprir com o que prometeu. Não obstante, quando se trata de acreditar em crenças religiosas essa prudência desaparece, porque? Porque os religiosos pregam essa desnecessidade de prudência para se crer em algo que não há provas, evidências, indícios e que constantemente vem sendo desmentido pela ciência? Porque abrem mão da prudência e segurança no que tange a religião?
    Assim, o que nos diferencia não é que um crê e outro não, mas que ambos duvidam ao ponto de um apostar em ser possível e outro em não ser possível de modo algum!
    Ufa! Ao menos concordamos plenamente em algo =D
    Concluindo, esse intervalo servirá apenas como um interlúdio para o que virá a seguir. Deixo claro que não vou, por ora, responder ás objeções levantadas e nem que quando as fizer contentarei a todos, mas procurarei mostrar que mesmo a fé é parte do intelecto humano, tendo igual – ou maior peso – que a razão, haja visto que é ela quem primeiro orienta a vida psicologicamente; pois as questões essenciais do ser humano não nascem do imanência e do raciocínio lógico, mas da necessidade de encontrar sentido últimos.
    Necessidade de encontrar sentidos? Aquele artigo do niilismo não tratou disso não?

    P. S.: Ao que pareço sentir, as pessoas estão tendendo, nestes nossos dias, a serem menos criativas no pensar e ser mais lógicas e meros repetidores de informação. São capazes de dar respostas prontas, simples, lógicas, matemáticas, mas são incapazes de imaginar, de contemplar a beleza e de viver a vida. Pois no fundo, não possuem valores a orientar suas vidas, pois todos os valores são, de antemão, descartados, por não serem absolutos em si mesmos. Ou pelo menos eles dizem isso e pensam outra coisa? Será? Se for, isso seria mero cinismo e falta de sinceridade consigo próprios!
    Se você entende que para ser capaz de imaginar, de contemplar a beleza e viver a vida é necessário crer-se em algo talvez sua frase faça sentido. Contudo, eu acho que a imaginação das pessoas está em franca ascendência (perceba a revolução tecnológica, química e biológica que vem ocorrendo) e mesmo sendo um ateu continuo contemplando as belezas reais do nosso mundo, e vivo minha vida de maneira bastante satisfatória sem nenhum deus, sem nenhuma crença, sem nenhum temor por descumprimento de regra divina alguma.

    Quem lê um texto e não consegue extrair dele prazer e beleza, vive um vida cinza e desprovida de sentido.
    Opinião meramente pessoal do autor. Sob a perspectiva do que foi dito pelo autor todos os cegos (seja de nascença, seja acidentalmente) levam uma vida sem sentido e deveriam dar cabo das suas vidas! Logo se percebe que é falaciosa também essa afirmação do autor.

    Isso acontece porque sacrificam a capacidade de transcender pela fria e limitada capacidade de informar-se mais e mais.
    Uma vez mais afirmo. Transcender não implica em melhorar. Transcender os limites da razão leva a loucura. Transcender a prudência leva a imprudência. E outros inúmeros exemplos poderiam ser dados

    Estamos vivendo a era das pessoas-máquinas e das máquinas cada vez mais dotadas de emoções. Que está a acontecer? Que inversão é essa? Se todos nós começarmos a sermos frios, tecnológicos e racionalistas em nossa abordagem da vida realmente não enxergaremos mais distinção entre certo e errado, entre beleza e feiúra, entre bem e mal, entre inteligência e informação – e aí perderemos o que de mais humano nos resta: a capacidade de nos emocionarmos.
    Não se preocupe Leandro nunca deixaremos de ser humanos… demasiado humanos! Sempre com erros e acertos.

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