9 – E A IGREJA?

A Igreja é fraca quando monitora, determina, dogmatiza, julga, condena ou absolve; quando nos apegamos a uma “divina instituição” ou “escrito divino” acabamos por nos tornar tudo aquilo que Jesus condenou. Igreja é simplesmente a comunidade dos que crêem em Jesus.

 

A Igreja que representa a causa de Jesus não pode ser identificada com certa classe ou autoridade, pois o critério dessa comunidade não é o privilégio do nascimento, da raça ou do cargo. Mas se simplesmente acredita.       Não cabe a ela julgar, dispor ou mandar sobre decisões tomadas individualmente, isto cabe somente a Deus, pois na Igreja ninguém tem o direito de manipular a liberdade dos que crêem, de oprimí-los e, muito menos, de eliminá-los; a própria Igreja deve ser espaço de liberdade e advogada da liberdade no mundo.

 

Não é permitido, à Igreja, praticar uma teocracia mas buscar a diaconia em prol daqueles que são desprezados e condenados deste mundo… Pois a força da igreja está na cruz: sua fraqueza é sua força e essa é a única maneira de prosseguir na sua rota sem receio de perder a própria identidade. Quando se esquece a cruz faz-se necessário lançar mão da autoridade e do fundamentalismo bíblico. Porque o conflito entre o bem e o mal passa, não pela Igreja, mas no coração e na mente de cada um.

 

A Igreja não pode sobrecarregar com um sem número de ordens e proibições, como se pudesse exigir, em lugar de obediência por amor a Deus, uma obediência cega, por medo, que cumpre ordens, não porque aceita e compreende o que se pede, mas porque se lhe ordenaram e que não faríamos, caso não fossemos obrigados a fazer. Como se o essencial, em vez da atitude interna, fosse o legalismo exterior; ao invés da pureza do coração, o serviço dos lábios, em lugar da vontade de Deus, os mandamentos dos homens. Pois mesmo Jesus não se ocupou em escrever credos, regras, ou testes confirmatórios. Ele apenas sugeriu que nos amássemos uns aos outros.

 

O trabalho da Igreja, da comunidade daqueles que se identificam e se entregam à mensagem desse Jesus, é expandir a vida, enaltecer a capacidade de amar e desenvolver em todas as pessoas a coragem do existir. Isso aponta para a universalidade da fé e prática que não reconhecerá barreiras entre cristãos e não cristãos, protestantes e católicos, crentes e heréticos, conservadores e liberais, educados e analfabetos, homens e mulheres, homossexuais e heterossexuais, brancos e negros… pois todos são criaturas nas quais Deus encontra expressão.

 

A Igreja é, portanto, este lugar onde se convida todas as pessoas para o Reino de Deus, onde elas possam agir impulsionadas pelo exemplo e mensagem de Jesus.

 

 

    • H.Gil
    • 6 dezembro, 2010

    A Igreja é fraca quando monitora, determina, dogmatiza, julga, condena ou absolve; quando nos apegamos a uma “divina instituição” ou “escrito divino” acabamos por nos tornar tudo aquilo que Jesus condenou. Igreja é simplesmente a comunidade dos que crêem em Jesus.
    Sem o escrito divino (PS: divino apenas para os que nele creem) e sem a igreja não haveria a religião cristã. Assim, parece muito conveniente (atualmente) buscar o afastamento da igreja e do livro mágico da doutrina cristã, eis que eles fornecem uma fonte inesgotável de críticas. Não obstante, não é dado ao religioso decidir o que manter ou afastar da religião. Pois à ele cabe apenas (aceitar e seguir) mas nem isso ele respeita. Outrossim, não é de agora que busca-se “moldar-se” a doutrina religiosa para que ela seja aceita. Sto. Agostinho e Aquino utilizaram-se da doutrina de Platão e Aristóteles na intenção de dar nova “interpretação” e “vestimenta” ao texto bíblico para enfrentar as críticas que a doutrina sofria naquele tempo. Entretanto, atualmente, nem mesmo esse artifício é suficiente para “maquiar” os problemas da religião. Assim, começa-se a formar um novo movimento que buscar afastar a igreja e a bíblia da doutrina cristã, tentando fazer-se crer que são três elementos autônomos em si, e que não se misturam. Todavia eles são elementos correlacionados de forma intrínseca, não podendo se afastar um ou outro ao bel prazer. A doutrina cristã se funda na fábula cristã, sendo que a igreja nada mais é do que sua fonte divulgadora, logo sem um ou sem outro a doutrina cristã não teria se iniciado.
     
    A Igreja que representa a causa de Jesus não pode ser identificada com certa classe ou autoridade, pois o critério dessa comunidade não é o privilégio do nascimento, da raça ou do cargo. Mas se simplesmente acredita. Não cabe a ela julgar, dispor ou mandar sobre decisões tomadas individualmente, isto cabe somente a Deus, pois na Igreja ninguém tem o direito de manipular a liberdade dos que creem, de oprimi-los e, muito menos, de eliminá-los; a própria Igreja deve ser espaço de liberdade e advogada da liberdade no mundo.
    A igreja é a “boca de deus”, assim como o juiz é a “boca da lei”. Quem é autorizado a falar e interpretar deus? A resposta é complicada. A bíblia diz que não cabe interpretação devendo ser apenas seguido a “letra fria”. A doutrina cristã-católica remete ao sacerdote a interpretação, sendo o Papa a “voz maior” dentro da hierarquia católica, Lutero já achava que cabia a cada um interpretar o que está escrito na bíblia. Assim, não se tem sequer um consenso sobre como e com que autoridade deve se seguir a doutrina cristã. Mas me parece mais coerente que, se a bíblia – fonte do cristianismo – diz que o texto (a palavra) não deve ser interpretada. Então deveriam os seus seguidores acatar e obedecer (lembrem-se segundo o autor é só isso que cabe aos seguidores). Portanto, não devem ficar interpretando e buscando significados diferentes para o que está na bíblia.
     
    Não é permitido, à Igreja, praticar uma teocracia mas buscar a diaconia em prol daqueles que são desprezados e condenados deste mundo… Pois a força da igreja está na cruz: sua fraqueza é sua força e essa é a única maneira de prosseguir na sua rota sem receio de perder a própria identidade. Quando se esquece a cruz faz-se necessário lançar mão da autoridade e do fundamentalismo bíblico. Porque o conflito entre o bem e o mal passa, não pela Igreja, mas no coração e na mente de cada um.
    Reconheço esse texto. Acho que já dei minha opinião sobre ele. Acho que você (quando redigiu a crítica ao livro do Kleber) já tinha redigido.
     
    A Igreja não pode sobrecarregar com um sem número de ordens e proibições, como se pudesse exigir, em lugar de obediência por amor a Deus, uma obediência cega, por medo, que cumpre ordens, não porque aceita e compreende o que se pede, mas porque se lhe ordenaram e que não faríamos, caso não fossemos obrigados a fazer. Como se o essencial, em vez da atitude interna, fosse o legalismo exterior; ao invés da pureza do coração, o serviço dos lábios, em lugar da vontade de Deus, os mandamentos dos homens. Pois mesmo Jesus não se ocupou em escrever credos, regras, ou testes confirmatórios. Ele apenas sugeriu que nos amássemos uns aos outros.
    A igreja baseia sua autoridade na bíblia. Logo, se o autor não concorda com a autoridade da igreja – o que o ora subscritor também concorda – está se opondo ao “texto sagrado”. Assim, está o autor a descordar dar ordens de Deus. É preciso se chegar a um consenso – o que parece ser impossível para o autor – pois, ou a Bíblia tem um caráter objetivo, e constitui a palavra de deus, ou ela é um conjunto de regras criadas por homens comuns. Outrossim, de qualquer maneira terá o autor do artigo uma questão paradoxal, eis que:
    1- Se defender que o texto é realmente divino, não poderá o autor questioná-lo sob pena de ser um pecador e arder no fogo do inferno.
    2- Se defender que o texto são regras feitas pelos homens, não poderá defender que essas regras sejam perfeitas, e aplicáveis “erga omnes” (para todos), eis que seriam produção de homens com objetivo claro de defender as pretensões deles.
    Ou seja, de ambas as formas a legitimação que os religiosos querem dar as suas normas restará aniquilada.

     
    O trabalho da Igreja, da comunidade daqueles que se identificam e se entregam à mensagem desse Jesus, é expandir a vida, enaltecer a capacidade de amar e desenvolver em todas as pessoas a coragem do existir. Isso aponta para a universalidade da fé e prática que não reconhecerá barreiras entre cristãos e não cristãos, protestantes e católicos, crentes e heréticos, conservadores e liberais, educados e analfabetos, homens e mulheres, homossexuais e heterossexuais, brancos e negros… pois todos são criaturas nas quais Deus encontra expressão.
    Não segundo a bíblia. Pois ela diz que há um único deus. Assim, impossível se defender a universalidade da fé. Ainda, quando se fala que o trabalho da igreja é expandir a vida, preciso lembrar o autor de que a igreja é contra o aborto ? Ainda que coloque em risco a vida da mãe e mesmo que a criança não tenha capacidade de viver? Acho que essa igreja não é a favor de expandir a vida! E não vou nem entrar no mérito de assuntos como células troncos e preservativos. Ainda no que tange a homens e mulheres a religião judaico-cristã sempre teve matriz patriarcal-magista onde a mulher é vista como ser inferior.
     
    A Igreja é, portanto, este lugar onde se convida todas as pessoas para o Reino de Deus, onde elas possam agir impulsionadas pelo exemplo e mensagem de Jesus.
    A igreja, hoje é um local cada vez menos frequentado pelas pessoas. Não obstante a maioria dos seus frequentadores não seguem as regras que a própria igreja ou o livro mágico mandam. Portanto, é possível concluir-se que a igreja é um antro de hipócritas que vão até lá para mostrar para os outros que estão “cumprindo seu papel de bons cristãos”. Ou seja, se alguém quer fazer o certo não precisa demonstrá-lo em público, ele o fará na esfera provada como na pública. Tem-se, portanto, que a Igreja serve como a casa do sacerdote – o único legitimado a interpretar o livro mágico – e lá (na igreja) é o arauto da verdade, onde as pessoas que acreditam nessa moral cristã vão para serem vistas publicamente por outros fiéis e não serem moralmente reprovados. Em suma, deturpa-se o fim almejado, a saber: fazer o bem ao próximo. Por fim, cumpre destacar que a igreja vem cada vez mais perdendo “autoridade” não surtindo efeito em nada além dos seus fiéis que como foi dito alhures, vão até lá, fingem seguir, mas na prática sequer dão importância para o que lhe é exigido.

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