MEIOS e FINS

Quando olhamos em retrospecto para a história do Brasil, desde agora até os idos de 1500, o que notamos é, inegavelmente a sensação de que, enfim, o país parece estar vencendo seu passado e conquistando o seu espaço com segurança, otimismo e autonomia.

Não se pode negar que o então presidente Lula nos legou não só um país em franca expansão, mas um país que acredita não mais num futuro promissor, mas num presente que, e mesmo agora, já se mostra no caminho certo. É claro que não se pode dizer que antes dele nada houvesse e que, depois dele, se não houver continuidade, nada haverá. Admitir isso seria forçosamente uma inverdade. Contudo, se analisarmos racionalmente veremos que o governo que ora se encerra deixa-nos a certeza da possibilidade de se fazer política para o homem, para as pessoas, para o povo; e não mais alinhadas a um processo neo-liberal, elitista e burguês que visa a obtenção do lucro apenas, custe o que custar.

Não podemos nos iludir, a despeito dos resultados desse dia 31 de outubro de 2010, o que está em jogo são dois modelos muito diferentes de sociedade – ambos ainda estarão (infelizmente) levando adiante o capitalismo – mas um poderá governar ainda com a força histórica dos três poderes, da Constituição Federal e do Estado laico; outro, estará do lado das oligarquias, das corporações inescrupulosas e da mídia e religiões manipuladoras.

A escolha a ser feita é, agora, decisisva: aprendemos a diferença entre e esquerda e direita na prática, e não mais apenas na teoria, e as conseqüências que um e outro trouxe ao país, e certamente vimos que existe aqueles alinhados à classe branca, cristã e burguesa (ainda em pelno século XXI), e outros preocupados com todas as etnias, credos e classes.

Como tudo indica, o teatro eleitoral está organizado e esconde o que verdadeiramente está em discussão, a saber: um projeto político voltado à causa do homem, causa essa abraçada uma vez por alguém que se deixou morrer a ser vencido pelas forças supostamente absolutas da época; e outro projeto que instiga a competição, o escrúpulo comercial e o poder absolutista. É claro que me refiro aqui à personagem de Jesus de Nazaré como protótipo de homem livre, independente, não sujeito à autoridades, guiado sem força, liderado sem líder, senhor – e não servo – das circunstâncias. A partir desse ponto de vista, mais uma vez me entrego à mensagem desse homem, acreditando que, se ele existisse num ambiente democrático como o nosso, sua escolha seria à favor da causa que favorecesse o homem, mesmo às suas últimas conseqüências, mesmo que isso fosse visto como algo contra o sistema ou em desacordo com o senso moral, religiosos e político. Pois o que ele ensina é dizer sim ou não, e não viver na obscuridade e na omissão da falta de caráter e opinião.

Na evolução do capitalismo até aqui, estávamos vivendo numa sociedade apática, de cidadãos inteligentes devido à massificação da informação, mas ignorantes em sua capacidade de processar e racionalizar esses dados. Agora, temos a chance de mudar esse quadro, escolhendo um projeto político que esteja à serviço do homem – e não o homem a serviço da política – que coloque o homem no controle, que faça dos meios novamente meios, e dos fins novamente fins; reconhecendo que nossas realizações só tem sentido se forem meios para um fim, ou seja: o pleno nascimento do homem, ao se tornar este plenamente humano.

 

 

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