1 – HÁ DEUS?

Dizer-se religioso hoje em dia, dependendo do lugar onde se está, pode parecer a mais louca das afirmações ou a mais correta atitude a tomar. Certamente que na pós-modernidade gozamos de uma pluralidade e de uma liberdade de expressão individual jamais sonhada; contudo, dizer-se cristão parece o disparate mais disparatado de todos, afinal, não são todos os caminhos válidos para se chegar a Deus?

            Antes, porém, de responder a esta questão, urge responder a outra mais profunda: existe Deus, afinal?

            Parece que Deus de fato não existe para os curiosos. Deus parece não ser encontrado quando saímos a sua procura como um aventureiro sai a procura de tesouros, justamente porque Deus não é algo deste  mundo. Provavelmente Ele seja o maior dos habitantes do mundo, mas Ele não está no mundo – o mundo está em Deus. Portanto, sem Deus, nada existiria e Ele só pode ser reconhecido e não descoberto. Dessa forma, é sempre Deus quem se revela a você quando, de coração sincero, percebes que sem Ele sentido, verdade e existência seriam ilusão, desespero e morte apenas. Efetivamente, antes de formulares a pergunta, teu ser já sabe a resposta. Antigamente se questionava como Deus era, hoje pergunta-se onde Ele se encontra. Isso é assim porque estamos querendo medir Deus pela ciência, como se Ele também fosse efeito, como se Ele fosse criatura e não causa e Criador.

            Poderia, agora, perguntar-te, por que tua consciência te acusa? Ou melhor: por que conheces o bem e o mal, o justo e o injusto, o certo e o errado? Se não há Deus, de que vale essas diferenciações? Dirás que é em prol da vida, em prol do outro, mas não dará tudo no mesmo? Vivendo pia ou impiamente, não acabaremos todos num mesmo fim? Na morte? Quê vantagem há no altruísmo?

            Mesmo que a natureza pareça apontar um Criador e que nossa razão, por causa de nossa consciência, ateste um Legislador, na prática, nada sabemos acerca de Deus. A pergunta “há Deus?” subjaz na inquietação que todos carregamos: quê pretende Ele comigo?

            Para sanar esta dúvida, não adianta sair correndo tentando encontrar Deus, é preciso deixar-se encontrar por Ele.

    • H.Gil
    • 23 novembro, 2010

    Dizer-se religioso hoje em dia, dependendo do lugar onde se está, pode parecer a mais louca das afirmações ou a mais correta atitude a tomar. Certamente que na pós-modernidade gozamos de uma pluralidade e de uma liberdade de expressão individual jamais sonhada; contudo, dizer-se cristão parece o disparate mais disparatado de todos, afinal, não são todos os caminhos válidos para se chegar a Deus?
    Qual Deus?
    A morte é um caminho? Para a testemunhas de jeová parece ser, sendo que para a crença delas é melhor que uma pessoa morra do que receba sangue de outra pessoa.
    O homicídio de outros é o caminho? Para os muçulmanos que lançam suas guerras santas parece ser. E para a ICAR durante o período inquisitório também pareceu!
    A proliferação de doenças sexualmente transmissíveis e o descontrole da taxa de natalidade é? Para a ICAR parece ser sendo que somente a pouquíssimo tempo o Papa resolveu aceitar o uso do preservativo que antes era repudiado.

                Antes, porém, de responder a esta questão, urge responder a outra mais profunda: existe Deus, afinal?
    Se houver honestidade intelectual se chegará a conclusão de que é impossível de se provar. Ou seja, recaímos todos sob o agnosticismo.

                Parece que Deus de fato não existe para os curiosos. Deus parece não ser encontrado quando saímos a sua procura como um aventureiro sai a procura de tesouros, justamente porque Deus não é algo deste  mundo.
    Julgar que o estudo realizado por homens sérios e reconhecidamente inteligentes o qual contribuíram para o desenvolvimento da humanidade como filósofos e cientistas é o mesmo que “a procura de um aventureiro” é uma afirmação insofismavelmente leviana. De fato, para todos aqueles que são curiosos e não se contentam com afirmações, consequentemente indo checar a possibilidade dessas informações, para todos aqueles que tem esse desejo de buscar a verdade, parece que para esse tipo de pessoa o(s) Deus(es) se escondem.
    Evidente que a simples afirmação: “Deus não é algo deste mundo” não diz nada! Primeiro porque ela é apenas uma afirmação sem prova alguma. O mesmo acontece quando eu digo que não se pode comprovar a existência das pedras falantes porque elas não são deste mundo. Chega a ser hilário esse tipo de argumentação.

    Provavelmente Ele seja o maior dos habitantes do mundo, mas Ele não está no mundo – o mundo está em Deus.
    Mesmo caso do que foi dito acima. E aliás, não é nem “provável” que ele tenha existido. Não há provas ou indícios de que isso tenha ocorrido. Os únicos registros são os que nos narram a Bíblia. Assim, se aceitarmos isso como evidência também devemos (se formos honestos) aceitar que todos os Deus nórdicos, indianos, egípcios, todos eles também existiram! Pois as evidências e registros são os mesmo que embasam a “probabilidade” do Deus judaico-cristão. Então, se formos sinceros e honestos, não podemos aceitar o termo “provavelmente” do excerto acima citado.

    Portanto, sem Deus, nada existiria e Ele só pode ser reconhecido e não descoberto.
    Como exposto acima, esse tipo de argumentação não se sustenta. Qual a prova para se afirmar que nada existiria sem deus? Sequer conseguiu se provar que ele existe. Como ainda imputar a criação do mundo (seja lá o que o autor entende por mundo) à deus? A afirmação de que ele apenas pode ser reconhecido e não descoberto é o dogma que os religiosos vem tentando impor – e muitas vezes com sucesso – na cabeça das pessoas. Eis que tal dogma é o pilar central da religião, pois, não se questiona se existe ou não um deus, deve apenas se aceitar! Isso é uma afronta a capacidade cognitiva do ser humano. Imagine-se na seguinte posição, você nasceu filho de escravos e durante toda sua vida ouviu as pessoas dizerem que você é escravo porque nasceu de escravos, você não deve buscar questionar os motivos que levaram você a ser escravo, deve apenas aceitar isso. Aliás, a ICAR se utilizou desse raciocínio (desse argumento) para manter os escravos obedientes a seus senhores.

    Dessa forma, é sempre Deus quem se revela a você quando, de coração sincero, percebes que sem Ele sentido, verdade e existência seriam ilusão, desespero e morte apenas.
    Essa é outra tipica justificativa religiosa e falaciosa (http://ceticismo.net/ceticismo/logica-falacias/#falacia-nenhum-escoces-de-verdade) como você vai provar que todas as pessoas que procuraram (e não acharam) deus não estavam de coração sincero? Todavia, é muito provável de que quem procura aquilo que previamente já determinou, irá ver em qualquer resultado aquilo que quer ver. Outrossim, o autor já determina que a vida sem deus é: “uma vida sem sentido, sem verdade, e a existência seria uma ilusão, desespero e morte apenas” inúmeras falácias:
    a). Quanto a vida sem sentido: A necessidade de deus é uma necessidade apenas para o religioso. E por sinal isso demonstra segundo Freud uma incapacidade de o ser humano se ver como um ser autossuficiente para gerir sua vida. Ou seja, é igual as criancinhas que precisam de um pai. Todavia, mais cedo ou mais tarde chega a hora de crescer e aprender a gerir sua própria vida. Não obstante da mesma forma que certas pessoas não sabem viver sem seus pais, certas pessoas não sabem viver sem um deus. Quanto ao “sentido” da vida cabe a leitura do excelente artigo http://ateus.net/artigos/filosofia/niilismo/
    b) Quanto a vida sem verdade: Qualquer religioso que queira falar sobre verdade encontrará problemas. A começar pelo problema; Defina o que é a “verdade”. Cada pessoa terá a sua verdade subjetiva. Não obstante quando procuramos a “verdade” objetivas, para se chegar a ela são necessários fatos, provas, evidências, registros. Ou seja, não basta apenas um “eu acredito”. Assim, dizer que a vida sem deus é uma vida sem verdade é uma frase que só faz sentido para alguém que crê em um deus.
    c) Quanto a existência seria uma ilusão, desespero e morte: Uma vida sem deus seria ilusão? O que é se iludir? Iludir é crer em algo como verdade sem que haja comprovação disso. Iludir-se é querer acreditar quando não há provas daquilo. Assim, quem vive em uma ilusão aqueles que buscar fatos e provas e em cima disso chegam a uma conclusão ou aqueles que partindo de uma ideia pré-concebida buscam fatos e provas para corroborar suas afirmações? Se a vida sem deus fosse ilusão desespero e morte as clínicas de tratamentos psiquiátricos estariam lotadas de ateus e agnósticos. A taxa de suicídio dos ateus seria enorme (talvez nem mesmo existem mais ateus e agnósticos). Outra vez pode se constatar que o texto do autor só faz sentido para as pessoas que são religiosas não havendo qualquer prova da veracidade das informações fora dessa esfera.

    Efetivamente, antes de formulares a pergunta, teu ser já sabe a resposta.
    Como dito alhures o erro está aqui. Os religiosos parte de uma resposta pré-concebida. Buscando fatos que comprovem esse pensamento pré-concebido. Em contrapartida as pessoas que não acreditam em deus não partiram de nenhuma verdade pré-concebida, elas buscaram avaliar fatos e elementos para ao final chegarem a uma conclusão. Imaginem um juiz que olha para o réu e antes de observar os fatos já o tem por condenado. Evidente que durante o decorrer do processo tal juiz não iria observar as provas apresentadas pela defesa.

    Antigamente se questionava como Deus era, hoje pergunta-se onde Ele se encontra. Isso é assim porque estamos querendo medir Deus pela ciência, como se Ele também fosse efeito, como se Ele fosse criatura e não causa e Criador.
    Desde os primórdios já se questiona onde deus se encontra – Epícuro já levantava esta questão – Dessa forma não é um questionamento recente. Não há prova de que deus exista, mas ainda assim o religiosos especulam que ele seja o criador, não obstante da mesma forma que eles não demonstram que deus existe, eles também não demonstram de forma objetiva como ele poderia ser o criador. O ônus da prova sempre será de quem afirma e enquanto não conseguirem provar isso, não serão aceitas as afirmações feitas por eles.
    Poderia, agora, perguntar-te, por que tua consciência te acusa?
    Essa pergunta deve ser feita para o religioso. Aliás o autor dela é Nitzsche quando afirmou que: “a mordida da consciência é indecente”. Como pode crer em algo, como pode afirmar algo como verdadeiro sem que haja prova disso? Qual o crédito que deve dar-se a pessoas que afirmam aquilo que não prova? Como são chamadas essas pessoas em nossa sociedade?
    Ou melhor: por que conheces o bem e o mal, o justo e o injusto, o certo e o errado?
    Outro argumento já trabalhado por Nietzsche. Não existe nada mal ou bem em si. Justo ou Injusto em si. Certo ou Errado em si. Todas essas afirmações são avaliadas da perspectiva de alguém. Então algo é bom, justo e certo para “A” mas pode não ser para “B”. Evidente que não se esta a indicar e defender um subjetivismo extremado. É claro que partindo de fato objetivos poderá se dizer que o consumo de crack é ruim PARA A SAÙDE de “A” tanto como PARA A SAÙDE de “B” mas se abandonarmos o fator OBJETIVO não há como indicar que algo é bom, certo e justo EM SI MESMO.
    Se não há Deus, de que vale essas diferenciações? Dirás que é em prol da vida, em prol do outro, mas não dará tudo no mesmo? Vivendo pia ou impiamente, não acabaremos todos num mesmo fim? Na morte? Quê vantagem há no altruísmo?
    O autor recai maus uma vez no argumento de que seria deus o “juiz final”, outro dogma imposto pela religião como meio de controle de massas. Todavia, aqui entra o caso da “aposta de Pascal” http://ceticismo.net/ceticismo/a-aposta-de-pascal/. Então suponhamos que exista um deus, mas não é o seu. E você passou toda a vida bajulando o deus errado. Já pensou que poderá ser condenado por isso? Não obstante se formos observar sob o aspecto moral poderíamos concluir que os ateus e agnósticos que não cometem crime são superiores aos religiosos, eis que eles fazem o “bem” (se mantém dentro da lei) porque sabem que aquilo é o certo e não por TEMEREM o julgamento de um deus ao final. Esse argumento de que a religião é necessária como forma de conter moralmente é um argumento já a muito refutado.
    Mesmo que a natureza pareça apontar um Criador e que nossa razão, por causa de nossa consciência, ateste um Legislador, na prática, nada sabemos acerca de Deus. A pergunta “há Deus?” subjaz na inquietação que todos carregamos: quê pretende Ele comigo? Para sanar esta dúvida, não adianta sair correndo tentando encontrar Deus, é preciso deixar-se encontrar por Ele.
    Ou seja, como dito alhures. Aquele que é filho de escravos não deve questionar os motivos deve aceitá-los e continuar servindo a seu senhor. Aliás, a natureza não aponta para um criador. Como dito anteriormente os religiosos é que partem da ideia pré-concebida (há um deus) e buscam justificar sua existência tentando amealhar provas disso. Caro Leandro, infelizmente o fato permanece o mesmo não há provas de que deus exista mas há pessoas que ainda assim acreditam nele. O que me deixa preocupado é para os religiosos o fato de alguém acreditar em outro deus (que não o dele) parece ser algo absurdo, sem plausibilidade alguma! Mas eles próprios não conseguem enxergar que sua crença é são pueril e frágil como a deu um menino que crê no papai noel. Felizmente para nós as crianças crescem e aprendem que papai noel e fada dos dentes são fábulas. No entanto, outras pessoas preferem continuar com outras fábulas e contos para o resto de sua vida.

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: