A Mentira dos Blogs

            Um blog é esse negócio infame de se passar por inteligente e informado, imiscuíndo-se na massa, opinando sobre tudo e sobre todos, na esperança de ser lido por alguns.

            Eis um tipo de metáfora da vida moderna: você escreve algo que considera relevante, imprime nele seu estilo, publica na rede e espera que outros apreciem e comentem; de igual modo, a nossa vida é vivida de um modo que parece relevante, vivenciado com algum estilo, no meio de milhões de pessoas, esperando ser notado e, quiçá, alvo de comentários – bons, de preferência.

            Essa metáfora ilustra muito bem a ilusão que temos de sermos realmente importantes, únicos e autores de nossas histórias, além de demonstrar o quão fúteis e vazias são nossas aspirações e concepções (se é que as temos) à medida em que substituímos o conhecimento adquirido através do raciocinar pelo consumir rápido das notícias e comentários postados na blogosfera, justamente porque no mundo virtual não se sabe realmente quem são as pessoas que escrevem nem sob quais circunstâncias e finalidades operam e editam seus textos. Isso só piora quando nos damos conta dos montantes milionários envolvidos em ações de empresas como o Google, por exemplo.

            As utopias digitais enxergam tudo isso como a democratização da informação. Contudo, se não soubermos pensar criticamente, viveremos continuamente numa ilusão de uma vida independente quando, na realidade, estamos todos presos e dependentes daquilo que alguns poucos querem que saibamos, gostemos, desejemos e compremos. não admira que estejamos cercados de mídia e entretenimento por todos os lados, impossibilitando-nos o pensar e mantendo-nos constantemente entretidos.

            Se aceitarmos como real que nossa vida está condicionada para ser vivida de determinada maneira, para que nos vistamos de determinada forma, desejando determinados objetos, então constataremos que pertencemos não a uma democracia do livre pensar, mas a uma ditadura que é visível no ambiente da Web e que vai muito além dela, aprisionando-nos invisivelmente em nossos gostos musicais, literários e até na maneira como nos expressamos religiosamente.

    • H.Gil
    • 23 novembro, 2010

    Eu acho que a internet e consequentemente os blogs são úteis sim. Afinal de contas, aqui (na internet) é o local apropriado para se encontrar conteúdo independente não vinculado a qualquer grande mídia. É onde cada um pode expor seus pensamentos, muitas vezes dizendo coisas que ninguém parou para pensar, coisas que muitos querem que não seja dito, coisas que nunca seriam ditas se dependesse dos meios de mídias clássicos.
    No que tange ao início do texto, onde o preclaro autor versa sobre o fato de que sempre esperamos que alguém se “interesse” pelo que escrevemos. Tal característica, acredito eu, é inerente do ser humano. Ele sempre “espera” algo dos outros. É dai que surge a frustração. Se não tivéssemos expectativas sobre as pessoas não sofreríamos de frustrações. E diga-se de passagem não deveríamos ter expectativas! Fato é que, sempre achamos que os outros não nos dão o devido valor merecido. Sempre achamos que não somos devidamente “apreciados”. É um “defict” de atenção natural do ser humano que em alguns é mais acentuado apenas durante a infância, enquanto para outros dura por toda a vida. Se adotássemos uma postura mais adulta, não criando expectativas das outras pessoas não teríamos tantas decepções. Além do que, isso seria uma postura mais coerente, eis que toda pessoa é livre (e deve ser independente) para julgar aquilo que quiser sobre nós.

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