A Hipocrisia nossa de cada dia.

Não é de hoje que buscamos encontrar a verdade. Essa palavra, contudo, é tão carregada que falar desse tema pressupõe sempre a necessidade de sabermos a partir de qual ângulo a abordamos.

Isso porque a verdade parece não figurar como algo absoluto, pronto e acabado e nem a sua busca se dá como a de um santo graal. A verdade, portanto, deveria ser encarada como “verdades” no plural, justamente porque ela diz respeito à essa maneira particular de cada um enxergar a realidade a partir de si mesmo. Isto atesta a nossa teimosa insistência em sermos hipócritas e dissimulados; embora desejamos a mais pura e simples verdade, parece que a hipocrisia é um traço que define o ser humano e que prevalece em nós.

Por que não falamos, agimos ou escrevemos o que realmente queremos dizer? As cantadas são um exemplo a que grau de esmero somos capazes de elevar a hipocrisia na esperança de dizer algo sem a intenção de ter dito de modo a, quase sempre, obtermos aquilo que desejamos realmente. Parece-me que a linguagem é essa conquista ambígua que favorece o conhecimento mas também a mentira e a falsidade, na medida em que permite expressar coisas que se quer expressar e coisas que não se quer expressar claramente.

Não surpreende que nossas verdades são dados relativos tornados absolutos pela total falta de confiança e sentido que depositamos nelas, razão pela qual revestimos cotidianamente nossos relacionamentos e atos com gentilezas, insinuações e falsidades.

  1. “Bom vi que não funcionou hehehe vou tentar editar o comentário de modo que possa ser entendido. Peço ao autor a gentileza de remover o comentário postado por mim anteriormente.”
    “Não é de hoje que buscamos encontrar a verdade. Essa palavra, contudo, é tão carregada que falar desse tema pressupõe sempre a necessidade de sabermos a partir de qual ângulo a abordamos.”
    “Isso porque a verdade parece não figurar como algo absoluto, pronto e acabado e nem a sua busca se dá como a de um santo graal. A verdade, portanto, deveria ser encarada como “verdades” no plural, justamente porque ela diz respeito à essa maneira particular de cada um enxergar a realidade a partir de si mesmo.”

    >>O conceito de verdade é algo relativamente complicado que aceita diversas explicações, o filósofo alemão Immanuel Kant, em seu Crítica da Razão Pura – pg. 57, define verdade da seguinte forma: “(…)Já está reconhecido e é tido como hipotético neste livro o significado da palavra verdade, como o ajustamento do conhecimento ao objeto.”
    >>Contudo deve-se observar uma coisa. Há um certo perigo no que chamo de verdade subjetiva, ou seja, dessa “verdade de cada um”. Há de se concordar que sobre certos assuntos e temas não se pode aceitar esse tipo de verdade. O subjetivismo é algo perigoso pois permite a interpretação do que se quer, da forma que melhor convém. Essa é uma das minhas principais críticas ao texto religioso, isso porque não se estabeleceu um consenso entre os religiosos se os textos ditos sagrados, são normas cogente e portanto objetivas, ou se podem ser interpretadas (subjetivadas).
    Há forte posicionamento (inclusive na próprio texto) no sentido de que ele seja uma norma cogente, de caráter objetivo. Contudo, não são raras as vezes em que os intérpretes (os sacerdotes lato sensu – padres, pastores, rabinos, etc) utilizaram-se do texto dito sagrado interpretando-o conforme lhes convinha. Nesse sentido Michel Onfray em seu Tratado de Ateologia – pg. 11, assevera: “Al día siguiente, durante el trayecto, le pregunto a Abdurahmán sobre el Islam. Le asombra que un blanco occidental se muestre interesado por el Islam y rechaza que se le haga cualquier referencia al texto. Acabo de leer el Corán, pluma en mano, y recuerdo algunos versículos, palabra por palabra. Su fe no tolera que se recurra a su libro sagrado para cuestionar los fundamentos de ciertas tesis islámicas. Para él, el Islam es bueno, tolerante, generoso y pacifista. ¿La guerra santa? ¿La jihad decretada contra los infieles? ¿Las fatwas lanzadas contra un escritor? ¿El terrorismo hipermoderno? Actos llevados a cabo por locos, pero, sin duda, no por musulmanes… No le agrada que una persona no musulmana lea el Corán y se remita a tal o cual sura para decirle que tiene razón si elige los versículos que lo confirman, pero que hay muchos otros textos en ese mismo libro que le dan la razón al combatiente armado que ciñe la cinta verde de los sacrificados a la causa, al terrorista de la Hezbollah, cargado de explosivos, al ayatolá Jomeini, que condena a muerte a Salman Rushdie, a los kamikazes, que lanzan aviones civiles contra las torres de Manhattan, a los émulos de Ben Laden, que decapitan a los rehenes civiles. Rozo la blasfemia… Vuelta al silencio en los paisajes devastados por el calor del sol.”
    >> Ou seja, o problema de uma verdade subjetiva resta muito claro. Dado o fato de que o subjetivismo diz respeito somente a nosso foro íntimo, não há problema algum no conceito de verdade subjetiva, desde que essa verdade subjetiva se limite a assuntos restritos, limitados categoricamente ao foro íntimo de cada pessoa. Contudo, em se tratando de qualquer assunto, objeto, ou coisa que afete, influencie ou exerça qualquer tipo de interação com outros “foros íntimos”, deve-se evitar a subjetividade, principalmente quando de trata de estabelecer regras de cunho objetivos (v.g leis).
    >> Isto atesta a nossa teimosa insistência em sermos hipócritas e dissimulados; embora desejamos a mais pura e simples verdade, parece que a hipocrisia é um traço que define o ser humano e que prevalece em nós. O ser humano diz que busca a verdade mas prefere muitas vezes a mentira (seres humanos adoram se auto-enganar), como Nietzsche mesmo cunhou em seu livro Ecce Homo “Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito?”, assim as pessoas se apegam a suas projeções como Sigmund Freud afirmou: “segundo alguns psicanalistas quando se apaixona você não se relaciona com alguém de carne e osso mas com uma projeção criada por você mesmo e a projeção que fazemos é a de um ser completamente perfeito. mas depois de um período a projeção acaba e você passa a enxergar de verdade a pessoa com que está se relacionando invariavelmente algumas virtudes do parceiro ou da parceira vão embora com a projeção… outras ficam…
    e se o que ficou de cada um for suficiente para os dois, a relação perdura. caso contrário… ninguém sabe o que faz o botãozinho ligar e iniciar uma nova projeção. o amor é inexplicável. mas tem coisas que você pode entender…”
    >>E ainda sobre o tema hipocrisia, do mesmo Freud surge a seguinte opinião “Existem infinitamente mais homens que aceitam a civilização como hipócritas do que homens verdadeiramente e realmente civilizados, e é lícito até perguntarmo-nos se um certo grau de hipocrisia não será necessário à manutenção e à conservação da civilização, dado o reduzido número de homens nos quais a tendência para a vida civilizada se tornou uma propriedade orgânica.”

    “Por que não falamos, agimos ou escrevemos o que realmente queremos dizer? As cantadas são um exemplo a que grau de esmero somos capazes de elevar a hipocrisia na esperança de dizer algo sem a intenção de ter dito de modo a, quase sempre, obtermos aquilo que desejamos realmente.”

    >> Pode parecer que o comentarista tem os olhos voltados apenas para um filósofo, mas é que há grande acerto na frase de Friedrich Nietzsche quando afirma que “Amamos mais o desejo do que o desejado”. Discordo do autor quando afirma que: “(…) As cantadas são um exemplo a que grau de esmero somos capazes de elevar a hipocrisia na esperança de dizer algo sem a intenção de ter dito”. Isso porque quando dizemos algo, fazemos isso porque queremos, (com exceção dos casos em que há uma forte coação física e/ou psicológica), o fato de posteriormente haver a eventual possibilidade de nos arrependermos, não faz concluir que não queríamos dizer aquilo.

    “Parece-me que a linguagem é essa conquista ambígua que favorece o conhecimento mas também a mentira e a falsidade, na medida em que permite expressar coisas que se quer expressar e coisas que não se quer expressar claramente.”

    >>De fato se pararmos para pensar a linguagem é apenas uma ferramenta. E sendo ela uma ferramenta, não pode ser “em si” boa ou ruim, um dos fatores que irá determinar o fim para que ela será usada, é o ser humano que dela se utiliza. E ainda (uma vez mais lembrando Nietzsche) quando se analisa o fator bom ou ruim cabe o questionamento: Bom/Ruim para que? E para quem?

    “Não surpreende que nossas verdades são dados relativos tornados absolutos pela total falta de confiança e sentido que depositamos nelas, razão pela qual revestimos cotidianamente nossos relacionamentos e atos com gentilezas, insinuações e falsidades.”

    >> Enfim, conceitos de tempo, espaço e verdade são realmente complexos se pensados seriamente como muitos filósofos já puderam demonstrar. Todavia, ao invés de considerar isso antes de lançar certas afirmações, a maioria esmagadora das pessoas se utiliza dessas palavras sem nunca ter procurado estudar mais aprofundadamente a respeito delas. Assim, como dito alhures, utilizam-se delas para justificar aquilo que lhes convém, que lhes favorece, que lhe beneficia.

    PS: Quanto ao primeiro comentarista (João Vitor) basta verificar o “Aja paciência” para perceber que realmente é necessário que HAJA muito paciência para aturar esse tipo de comentário vazio e sentido típico de pessoas sem conteúdo que sequer conseguiram compreender o escrito pelo autor.

    • tassi
    • 4 agosto, 2010

    adorei o post… simplesmente,é isso! não poderia deixar de comebtar.

    • Jéssica Cardoso de Oliveira
    • 27 março, 2011

    Este foi o primeiro texto que eu li deste blog, depois li o comentario abaixo sobre este texto, que gostei bastante e concordo com muitos conceitos já ditos.

    Bom, quando se trata da verdade, e seu significado, temos entao diferentes tipos de verdade. Cada uma relacionada com uma circustancia diferente. O que acontece é que ela é como um túnel sem fim, que nunca poderemos alcançar, pois sempre nos perguntaremos sobre o porque de determinado fato, mas nunca obteremos uma resposta, mas uma questao que leva a outra.

    Se tratando de hipocrisia, isso nao é necessariamente uma caracteristica do ser humano, mas sim do seu ego. Há motivos pelos quais ele utiliza a hipocrisia e muitas vezes é para satisfazer os seus desejos de um EU exterior. O nosso EU interior é o nosso espírito, que busca a verdade dentro de nós condizendo com Deus, ou uma força espiritual maior.

    O que os indivíduos fizeram, durante toda a história, foi sempre alimentá-lo, para saciar seus desejos egoístas, de um ego que sempre pedirá mais, nos puxando para um buraco de escuridao e que cegados nos deixaremos ser engolidos por completo e assim poderemos nos tornar nossos próprios inimigos.

    A hipocrisia é um desses fatores que levam o ser a se tornar cada mais individulista, em que ele prefere satisfazer seus desejos pessoais, do que respeitar o outro.

    Como no exemplo já dito anteriormente, sobre as cantadas, “que são um exemplo a que grau de esmero somos capazes de elevar a hipocrisia na esperança de dizer algo com intencao de obtermos aquilo que desejamos realmente”, mesmo que o que tenhamos dito nao seja verdadeiro em relaçao a pessoa que dissemos. O que se faz é simplesmente mentir sem ao menos conhecer a pessoa e neste caso, nem a respeitamos se fizermos isso e também nao respeitamos a verdade em nós mesmos, pois se a pessoa acredita no que estivermos falando para ela, estaremos iludindo a mesma, e ela pode criar expectativas em alguém de forma sincera e depois com a descoberta de alguém que foi falso, se tem uma grande frustraçao.

      • H.Gil
      • 30 março, 2011

      [i]Bom, quando se trata da verdade, e seu significado, temos entao diferentes tipos de verdade. Cada uma relacionada com uma circustancia diferente. O que acontece é que ela é como um túnel sem fim, que nunca poderemos alcançar, pois sempre nos perguntaremos sobre o porque de determinado fato, mas nunca obteremos uma resposta, mas uma questao que leva a outra.[/i]

      [b]De fato trata-se de uma meia-verdade, eis que se considerarmos as ciências exatas o significado de verdade será sempre único e sempre alcançável.[/b]

      [i]Se tratando de hipocrisia, isso nao é necessariamente uma caracteristica do ser humano, mas sim do seu ego.[/i]

      [b]Fora o ser humano algo mais possui ego? Dessa forma, creio que sendo o ego restrito ao ser humano, restaria válida a afirmação do autor.[/b]

      [i]Há motivos pelos quais ele utiliza a hipocrisia e muitas vezes é para satisfazer os seus desejos de um EU exterior. O nosso EU interior é o nosso espírito, que busca a verdade dentro de nós condizendo com Deus, ou uma força espiritual maior.[/i]

      [b]Sob essa premissa poderíamos concluir que ateus e agnósticos não têm um “eu interior”?[/b]

    • Jéssica Cardoso de Oliveira
    • 30 março, 2011

    [b]Sob essa premissa poderíamos concluir que ateus e agnósticos não têm um “eu interior”?[/b]

    Em questao dessa pergunta, todos nós temos um EU interior, independente se temos fé em Deus ou nao, mas é um modo de colocar, que é a parte mais profunda do ser humano, que muitas vezes ele nao se deu conta e se confunde com o seu lado egocentrico, buscando a verdade e a felicidade nos bens materiais. O eu interior é aquele que faz perguntas sobre a sua existencia, para descobrir o que ele é de verdade e para que está aqui, buscando alcançar sempre novos horizontes. Tudo depende de refletirmos a cada dia sobre nós mesmos, sobre o que está ao redor. Ondo eu quero chegar é que, muitas pessoas hoje, apenas existem, nao sao todas que realmente VIVEM de maneira intensa. Sao pessoas que se iludem com o nada ao redor, se entregando para este mundo como se ele fosse durar para sempre. Muitas vezes colocam mais brilho em sua prosperidade, mais ambiçao na sua vontade de ter e possuir riquezas materiais, do que lembrar para que estao aqui, e se esquecem de sua essencia, e suas flores perdem o seu frescor. Descobrem uma felicidade falsa e passageira aonde ela nao existe e se iludem facilmente por ela. Este mundo nos faz de brinquedinhos, que sao do tempo, que logo se acabam, nao possuem verdade alguma. E as pessoas se rendem a isso. E a única maneira de se libertar disso, é buscando esse EU interior, essa essencia que existe dentro de nós que condiz com a grandeza de nossa existencia.

      • H.Gil
      • 31 março, 2011

      [b]Sob essa premissa poderíamos concluir que ateus e agnósticos não têm um “eu interior”?[/b]
      Em questao dessa pergunta, todos nós temos um EU interior, independente se temos fé em Deus ou nao,
      Então há outros elementos que não apenas deus ou força espiritual maior, a qual segundo sua afirmação: “o nosso eu interior vai buscar a verdade dentro de nós condizendo, consequentemente com esses outros elementos”.

      mas é um modo de colocar, que é a parte mais profunda do ser humano, que muitas vezes ele nao se deu conta e se confunde com o seu lado egocentrico, buscando a verdade e a felicidade nos bens materiais.
      É errado a busca da felicidade em bens materiais? Como que critério se afirma que deve se buscar a felicidade nisso ou naquilo? Felicidade não é também um conceito extremamente subjetivo? É prudente a crença em uma verdade baseada em coisas imateriais?

      O eu interior é aquele que faz perguntas sobre a sua existencia, para descobrir o que ele é de verdade e para que está aqui, buscando alcançar sempre novos horizontes.
      Poderia afirmar-se então que o “eu interior” é a dúvida/curiosidade? Eis que os questionamentos partem dessas características?

      Tudo depende de refletirmos a cada dia sobre nós mesmos, sobre o que está ao redor. Ondo eu quero chegar é que, muitas pessoas hoje, apenas existem, nao sao todas que realmente VIVEM de maneira intensa.
      Como se define o que é: “viver intensamente”? E caso alguém encontre a felicidade vivendo de maneira que não se enquadre no eventual conceito de “viver intensamente” há algo de errado nisso?

      Sao pessoas que se iludem com o nada ao redor, se entregando para este mundo como se ele fosse durar para sempre.
      Atribuir um sentido pueril, trivial quanto a duração do mundo como o conhecemos, não implica em alimentar um sentimento de irresponsabilidade para com o futuro? Eis que, se não acreditarmos que haverá um mundo por longo tempo poderemos comprometer a existência de nossos descendentes agindo de maneira inconsequente acabando com os recursos existentes, esse pensamento – de que o mundo não durará para sempre – não acaba legitimando o egoísmo?

      Muitas vezes colocam mais brilho em sua prosperidade, mais ambiçao na sua vontade de ter e possuir riquezas materiais, do que lembrar para que estao aqui, e se esquecem de sua essencia, e suas flores perdem o seu frescor.
      Para que estamos aqui? Acho que essa é uma das perguntas que mais tem perpassado o pensamento do ser humano. Há um conceito único que defina o motivo para estarmos aqui? Aliás, ao citar que o ser humano se esquece da sua essência, você acredita que a essência do ser humano seja boa, solidária e altruísta? Ou é no sentido contrário? Não teriam sido as construções sociais que impuseram ao ser humano a adotar/modificar a “essência” e se ela foi mudada/alterada então ele não é mais “essência”.

      Descobrem uma felicidade falsa e passageira aonde ela nao existe e se iludem facilmente por ela.
      Uma felicidade embora seja passageira não pode ser considerada como falsa. Ou seja, durabilidade não é sinônimo de existência.

      Este mundo nos faz de brinquedinhos, que sao do tempo, que logo se acabam, nao possuem verdade alguma.
      O fato de nossa vida ser relativamente curta, não relativiza os fatos aceitos e provados como verdade. Tanto é que, apesar de muitas “verdades” de antigamente terem sido alteradas, outras permanecem até hoje como estando “verdades”. É por isso que prefiro adotar que algo “esta” verdade, mas nada impede que em um futuro aquele conceito aceito como verdade, seja mudado.

      E as pessoas se rendem a isso. E a única maneira de se libertar disso, é buscando esse EU interior, essa essencia que existe dentro de nós que condiz com a grandeza de nossa existencia.
      Me parece que apesar de esse parágrafo soar belamente filosófico ele sofre de ausência de definições, eis que não há uma definição do que seja o “eu interior”, não se definiu se há uma essência no ser humano e se ela é boa ou má. Sob que aspectos podemos atribuir a palavra “grandeza” a nossa existência? E para isso basta considerarmos que os seres humanos são capazes de atos atrozes contra sua própria espécie, familiares, outros seres.

    • Jessica Oliveira
    • 3 abril, 2011

    Eu digo, um ateu pode não crer em Deus, mas ele não vai deixar de teu um EU interior. Ele pode se tornar uma pessoa egocêntrica e ver a felicidade como uma forma de obter bens materiais ou acreditar somente no ser humano, com todas as suas imperfeições. Mas não podemos julgar ninguém, pois não temos a verdade absoluta para isso, se trata apenas de um exemplo.

    Quando se trata de buscar a felicidade em bens materiais, no ter e possuir, em vez de SER, podemos perceber uma questão: se um dia toda a sua riqueza, toda que você passou a sua vida trabalhando para adquiri-la, sem ter tentado aproveitar seus dias do jeito que gostaria, sabendo que se trabalhasse mais, receberia um retorno financeiro, para adquirir esses bens e assim ter uma vida que o conforte, sem se dar conta de que tudo que você tiver, nunca será o suficiente, pois esse tipo de felicidade é passageira, só alimenta o seu ego, depois você vai querer sempre mais e mais e por mais que seja muito rico, que possua uma fortuna, a sua felicidade será semrpe querer alcançar mais, sem ao menos perceber que existem pessoas que não tem nada e sofrem pelas necessidade humanas básicas que mal são atingidas. Se um dia todos esses bens que você teve nessa vida, simplesmente fossem destruídos por uma enxente e levados sem poder recuperá-los, ou incendiados, enfim, se acontecesse uma tragédia, o que você faria? Se a única coisa que você aprendeu na vida foi produzir e consumir bens e depois descartá-los para ter novos e assim por diante, como num ciclo vicioso, o que você faria? E se toda a sua vida você nunca se importou com ninguém, se não consigo mesmo, e então se desse conta de que depois que perdeu tudo, está sozinho, sem saber como poder viver a sua vida sem ter o que tinha antes, o que você faria? Se em toda a sua vida, tudo que você fez foi usá-la para adquirir bens e sabendo que quando ela acabar, você não levará nada além da morte.

    Então o que lhe restará? O que é mais importante nesta vida? Se você nunca teve fé numa força maior para poder recuperar pelo menos uma parte do que perdeu para não passar por necessidades, como reagiria? Se você nunca acreditou em Deus? Enfim, não é a esse questionamento sobre a existência de Deus que eu quero chegar, mas é um dos questionamentos. O que você leva quando morre não é o carro nem a mansão mais bela que você teve em vida, mas a lembrança das pessoas que te consideraram importantes na vida delas, de modo que aprenderam com você alguma coisa que fosse realmente significativa na vida delas e que seja uma lição, talvez, para o resto de suas vidas, ou seja, porque simplesmente você as quis ver feliz, devido a SUA existência perto delas. Não é a questão de ser errado ou certo em querer ser feliz buscando bens materiais, mas a questão de vermos o que estamos fazendo da nossa vida, pois, se um dia você não os tivesse mais e os perdesse, o que faria? Quando estivesse precisando de ajuda, seriam eles que te ajudariam? Quando estiver doente e depressivo, seriam eles que aliviariam essa tristeza? Seriam eles que o fariam se sentir menos isolado? Quando precisar de alguém que lembre de você, pela sua importância aqui, serão os bens materiais que o farão?

    Então, onde eu quero chegar com a questão da felicidade, é neste ponto. Com os questionamentos acima, não apenas respostas, não apenas afirmações. Quanto mais nos questionamos, procuramos a verdade. Deveríamos fazer o mesmo quando se trata da nossa felicidade. Pois ela não é algo que vem e se passa, ela é algo que existe dentro de você. Pois na medida em que você acha que está feliz, ela não se trata de algo extremamente subjetivo, pois ela será uma para todos, sem que saibamos qual ela é verdadeiramente, mas sim sempre nos questionemos sobre o sentido de estarmos aqui e até onde ela vai, pois ela não é algo que se tem hoje e amanhã já se perdeu. Pois quando a perder para sempre, o que você vai fazer? Tentar encontrar de novo? Mas onde? É mais ou menos isso, a felicidade não é uma ilusão. Pois se fosse, quando uma ilusão acaba, tudo está perdido, você se frustra com o que não pode alcançar e quem sabe acha que quer morrer por causa disso.

    É o nosso EU interior que faz esses questionamentos, como ditos acima, não é o ego. O ego apenas nos afasta deles, é como se ele vivesse para nos puxar para baixo, até que caiemos num buraco sem fim.

    Ao se tratar de que as pessoas se entregam a este mundo como se ele fosse durar para sempre, é no sentido de que, elas acham que tudo o que elas vêem vai durar para sempre, que sempre vão ter tudo isso e que jamais perderão tudo. E quando perdem, entram em desespero, pois não sabem o que fazer numa situação como essas, então decidem acabar com a própria vida em casos mais complicados. Olhemos bem ao nosso redor, quantos “colocam mais brilho em sua prosperidade e esquecem do frescor de suas flores”, ou seja, quantos de nós realmente se preocupamos com o próximo, pois não podemos viver neste mundo sozinhos, quantos de nós queremos amar a vida intensamente a ponto de querermos aprender mais e levar o conhecimento sobre o nosso sentido de vida para os outros, de modo que eles possam um dia se lembrar de nós e nos ajudarmos quando estivermos precisando. Mas o que acontece, é que existem pessoas que preferem atender ao seu ego, que lembrar do outro, sem ao menos se dar conta, que poderíamos ser nós que estaríamos no lugar do outro, numa situação muito difícil de lidar. É muito mais fácil produzir e consumir bens, mas é muito mais difícil se dar conta do que estamos fazendo da nossa vida, se é pra isso que existimos. Ou seja, a nossa existência cabe somente a fazer isso? O que estamos fazendo de nossas vidas? Seremos felizes com o consumo que realizamos? Com os descartes que fazemos de coisas que um dia achamos que precisávamos e que um dia nos deixaram felizes? Será que é disso que precisamos? Do que precisamos realmente? E quando nossa vida chega ao fim, do que vamos lembrar realmente? Quantos vão lembrar de nós um dia? Como ficaremos quando não tivermos ninguém para se lembrar? Ou como nos sentiríamos se um dia alguém pudesse dar valor a nossa vida assim como daria ou já deu valor a sua própria? Somos únicos somente, ou todos nós somos um? O que fazemos para sermos felizes de verdade? O que fazemos para se libertar das ilusões? O que fazemos para se libertar do ego? É dele que precisamos e queremos atender aos seus desejos? Porque? Até onde vamos com isso?

    Bom, o que hoje eu tenho para dizer, em minhas palavras seria isso. Não somos deuses, mas sim aprendizes da vida. A única coisa certa na vida que sabemos é que um dia morreremos, mas sabendo disso, temos que fazer esta vida ter valido a pena, pois tem pessoas que se foram antes de nós e poderíamos ter estado no lugar delas. Viver intensamente é como viver a cada dia como se fosse o último, pois um dia qualquer será.

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